Trabalho durante as férias pode te ajudar no mercado de trabalho

Trabalho durante as férias pode te ajudar no mercado de trabalho

Atualizado: Segunda-feira, 13 Junho de 2011 as 8:46

Ninguém entra no mercado de trabalho ocupando a maior e melhor cadeira de uma multinacional, e exceto alguns gênios como Mark Zuckerberg, as pessoas começam a trabalhar ainda tímidas e com muito a aprender. Mas não é muito animador abrir os classificados com a caneta marca-texto em punho e ver, entre letras miúdas, que todas as vagas de emprego anunciadas pedem profissionais com anos de experiência.

A solução para esse empecilho na entrada do jovem no mercado, no entanto, pode estar na escolha entre curtir as férias ou se dedicar à labuta. É nos períodos de recesso, em julho, dezembro, janeiro e fevereiro, que vagas de trabalho temporário aparecem, e parques de diversão e acampamentos, por exemplo, reforçam o quadro de funcionários.

Milena (com a placa na mão) e os acampantes do Aldeia

A recém-formada em Educação Física Milena Malavazi, de 24 anos, entrou na universidade em 2005, e logo arranjou o primeiro emprego. "Fiz um curso de recreação e gostei. Enviei meu currículo para o Acampamento Aldeia [SP] e, nas férias de julho, comecei a trabalhar como estagiária", conta.

Na época, Milena ajudava na monitoria de crianças e adolescentes de 5 a 16 anos. "Fazíamos jogos em que cada um tinha que ser um personagem e era preciso atuar. Era o momento mais difícil para mim, porque eu era tímida", recorda. Mas, com o passar das férias, a estudante ficou desinibida, agradou aos coordenadores e passou de estagiária a monitora e, depois, a coordenadora. "Amadureci muito. Você vai passando pelas dificuldades e crescendo", afirma.

A monitora Milena orienta a oficina de mosaicos

Acampamentos, bem como clubes e parques de diversão, são ótimas pedidas para quem quer unir emprego temporário a um ambiente descontraído. A química Maria da Graça Pina, de 25 anos, conseguiu seu primeiro emprego no parque de diversões Hopi Hari, em São Paulo, pouco tempo depois de visitá-lo com amigos para curtir os brinquedos. "Entrei no parque aos 19 anos. Eu ficava na portaria, operava cabines do estacionamento e passava os passaportes na catraca", conta. "Eu estava procurando emprego para participar da Jornada da Juventude e me encontrar com o Papa", diz Graça, que conseguiu pagar a viagem para a Alemanha e conhecer parte da Europa com o salário, logo após entrar na empresa.

Graça no Hopi Hari: promoção e salário triplicado

Seis anos depois, o salário da funcionária triplicou, e ela é responsável pela área em que trabalha. "Acabei de me formar em química e paguei minha faculdade, mas estou pensando em cursar administração porque quero focar na área de liderança e gosto de trabalhar com o público", diz.

Começar fora do país

Para quem tem um pé-de-meia, um intercâmbio pode ser uma opção. De acordo com Fred Moraes, gerente de intercâmbios de trabalho da STB, a partir dos 18 anos é possível viajar para países como Austrália e Irlanda para estudar inglês com direito a trabalhar em empresas do local, passar alguns meses nos Estados Unidos trabalhando em resorts e parques americanos ou embarcar para ser au pair em outro país.

O primeiro emprego de Ricardo foi em Montana, nos EUA

Esta última é a opção mais barata, com investimento de U$ 980 (ou R$1550). "Em intercâmbios de trabalho, o jovem tem contato com outro idioma em um contexto que ele não vai encontrar na escola de inglês", explica Fred, que acredita que os benefícios de um intercâmbio de trabalho não se resumam ao aprendizado de uma nova língua. "O intercambista desenvolve jogo de cintura, expertise profissional e ganha resiliência. Quando volta ao Brasil está muito mais maduro e aberto para as adversidades do mercado de trabalho brasileiro", afirma.

O administrador de empresas Ricardo Bocutti, de 26 anos, começou a trabalhar em 2005, em um resort em Montana, Estados Unidos. "Eu era muito dependente de meus pais, então procurei um programa de intercâmbio e virei funcionário da estação de esqui de um resort", conta. "Eu ajudava as pessoas a subirem no esqui no horário de trabalho e me divertia fazendo snowboard durante o resto do dia", relembra. "Depois quebrei a perna e fui ao RH negociar uma mudança de cargo. Virei caixa do restaurante do resort", diz Ricardo, afirmando que foi depois da mudança que ele aprendeu inglês para valer.

Hoje, Ricardo é consultor de riscos da multinacional Deloitte Touche Tohmatsu Limited. "Trabalhar no resort foi uma bela partida para a minha carreira. Quando voltei para o Brasil, entrei no programa de trainee da Deloitte e senti que este foi um diferencial para mim. Se você já trabalhou e já é responsável é visto de maneira diferente no mercado", afirma.

Ricardo: trabalho em estação de esqui e muita diversão

Trabalho regulamentado

De acordo com a diretora de comunicação da Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário – Assertem, Jismália Alves, as vagas temporárias aparecem para suprir demandas pontuais das empresas, e mesmo jovens sem qualquer especialização podem aproveitá-las. "É uma excelente oportunidade de adquirir experiência e qualificação", diz. E, quando acaba a temporada, ainda existe a possibilidade de contratação. "Dez por cento dos funcionários temporários são efetivados", diz a representante da Assertem.

As vagas são preenchidas por jovens com cursos técnicos profissionalizantes, mas também por quem apenas concluiu o Ensino Médio regular. "Quando você tem formação mais avançada, as oportunidades e salários são melhores", explica Jismália, que garante que há várias oportunidades para os novos profissionais sem especialização.  "Parques, clubes, acampamentos e hotéis são algumas das possibilidades", afirma.

Mas, mesmo que o trabalho seja temporário, só é permitida a contratação de maiores de 18 anos. "É um emprego formal, com registro em carteira, contrato de trabalho e regras", afirma Jismália. E os direitos do funcionário temporário são os mesmos dos empregados fixos. "Ele tem direito a décimo terceiro salário, férias equivalentes e hora extra", diz.

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