Um cafézinho com o Pai

Um cafézinho com o Pai

Atualizado: Segunda-feira, 6 Junho de 2011 as 9:40

6 da tarde. Chego em casa, depois de mais um dia longo, cansativo, normal. Procuro algo para comer, me bate aquela vontade de comer um pãozinho com manteiga. Resolvo ir comprar, pego o casaco, as chaves de casa, e enquanto estou procurando por meus tênis (sim, eles já se vão dos pés no momento em que entro em casa) alguém bate na porta.

Vou ver, não acredito, meu Pai veio me ver, e trouxe junto alguns pães, quentinhos. Um Abraço. Ele entra, vai sentando-se à mesa, pega o jornal, enquanto coloco a água no fogo, um cafezinho. Me junto a ele na mesa. Como é bom tê-lo comigo. Pergunto se tinha algum motivo especial para vir me ver, responde prontamente que sim, Ele queria me ver apenas, passar um tempo com seu filho, isso já era mais do que especial para Papai. Ele me diz o quanto sente saudade de mim.

Realmente, esqueci-me que já faz algum tempo que saí de casa, 3 anos de casado. Como toda boa conversa de pai e filho, já vem reclamando do nosso Corinthians, ah quanto sofrimento, mas vida de torcedor é assim mesmo, fiel mesmo quando não é correspondido.

Lembro-me da época em que esperava ansioso pela 4ª feira a noite, não por meu time jogar, mas por poder assistir o jogo com Ele, até hoje não gosto de ver um joguinho com mais ninguém, falam demais, não entendem nada disso, só ele, que nem fazia tanta questão assim de estar por dentro do esquema tático, ou do banco de reservas. Junto com essa lembrança vêm muitas outras, minha adolescência, risadas ecoam pela casa, quantas besteiras eu fiz.

Ele lembra de minha infância, das noites mal dormidas, das brincadeiras, dos "Zé manés" da vida (só nós entendemos essa). Nem me lembro de quanto tempo faz que não dou tanta risada, olho pra ele, cabelos brancos, não muitos é verdade, vermelho de tanto rir, limpando os óculos.

A chaleira começa a apitar. Enquanto vou coando o café, conto-lhe sobre o trabalho, os problemas, os chefes chatos, as fofocas de corredor, aquela promoção prometida. Ele já não se importa mais com pequenos problemas da empresa, aprendeu que não vale a pena perder noites de sono por stress.

Me dá alguns conselhos, aqueles que só seu Pai pode dar que só Ele sabe que você precisa ouvir.

Pão, manteiga, um queijinho, e um café com leite. Entre as mordidas no lanche, algumas palavras, e aquela sensação de que algo tão simples está tornando aquele frio fim de tarde de outono em algo muito especial. Mais café, mais risadas. É impossível passar mais de 5 minutos com meu Pai, sem ouvir uma boa piada (ou nem tão boa assim).

Já é possível ver o fundo da garrafa de café. O relógio marca 8 da noite. Papai se levanta da mesa. Insisto, "fica, vai ter bolo", mas antes um bom macarrãozinho, "sua norinha já tá chegando".

Ele diz que não pode, tem quem o espere em casa para jantar. O levo até a porta. Um Abraço. Ele se vai, caminhando, enquanto eu o observo, imaginando que deliciosa tarde tivemos. 2 horas que estarão eternamente em minha mente, até a próxima tarde, em que meu Pai vai vir, mais uma vez, passar uma especial tarde comum comigo, tomando um cafezinho.

(Essa história é uma ficção, não sou casado e nem trabalho, mas me inspirei em meu pai, o seu Elcio Paranhos. É essa é minha ideia, do que Deus fazia com Adão, no inicio do mundo, e que deseja fazer todos os dias com nós.)

Por: Calebe Paranhos

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