Universidade Estadual do Piauí corre risco de desabamento

Universidade Estadual do Piauí corre risco de desabamento

Atualizado: Terça-feira, 22 Março de 2011 as 3:57

Sem material básico para dar aulas como pincel, giz, lousa e apagador, os professores da Universidade Estadual do Piauí (Uespi) entraram em greve nesta segunda-feira (21), dia em que as aulas deveriam começar. A paralisação, segundo o sindicato da categoria, será por uma semana até a realização de uma nova assembleia. A situação mais grave é no campus de Picos, a 330 km de Teresina, onde, além de material, falta sala de aula para os alunos estudarem. O prédio da universidade foi interditado após problemas com uma reforma sob o risco de desabar.

A universidade tem 17 mil alunos espalhados em 52 núcleos pelo estado. A Uespi diz que já conseguiu junto ao governo do Piauí a liberação de R$ 77,5 mil para a compra do material de expediente, e garante ter condições para dar início às aulas.

De acordo com o Sindicato dos Docentes da Uespi, a adesão à paralisação é total em vários campus da universidade, nas cidades de Teresina, Picos, Parnaíba, União e Corrente. "Queremos as condições mínimas para entrar em sala de aula. Não temos condições materiais", diz a professora de química Graça Ciríaco, presidente do sindicato, por telefone, ao G1. Tem lugar em que o reitor mandou dividir a sala com paredes de gesso, e nem quadro negro tem. Faltam giz, lousa, grampo, e até papel para imprimir a matricula."

A pró-reitora de ensino de graduação da Uespi, Bárbara Olímpia Ramos de Melo, disse ao G1 que o motivo da paralisação dos professores já foi resolvido com a liberação da verba extraordinária por parte do governo e que o calendário acadêmico será mantido.

Obra embargada

A instituição passa por uma série de problemas de infraestrutura. Na cidade de Picos, os alunos não podem ter aulas porque o prédio está interditado. Uma reforma mal feita para ampliação do prédio condenou toda a instalação.

"Fizeram salas enormes no andar de cima sem colunas de sustentação. O teto ameaça cair. Foi preciso interditar inclusive as salas da parte debaixo", diz o estudante de direito Aleksandro Libério, um dos coordenadores do Diretório Central dos Estudantes. Segundo ele, a reforma começada há dois anos e deveria durar seis meses. "Chegamos a ter aulas com o risco da estrutura cair. A diretora decidiu nos tirar de lá para ninguém correr riscos."

A obra foi embargada em outubro do ano passado. A reitoria alugou salas em escolas particulares para os alunos estudarem, mas por falta de pagamento, as salas foram retomadas. De acordo com a universidade, um prédio público foi cedido para atender aos alunos, mas foi preciso adaptar as salas para receber e os alunos ficaram sem ter onde estudar.

"A situação é grave em Picos", reconhece a pró-reitora da Uespi. "O dinheiro que o governo liberou não é para infra-estrutura. Há dois anos começou uma reforma no campus e tivemos alguns problemas. No ano passado pedimos vistoria do Conselho Regional de Arquitetura (Crea) e a obra foi condenada." De acordo com Bárbara Olímpia, a Uespi tem seis obras paradas porque as construtoras não cumpriram os prazos.

Em Picos, a Uespi oferece os cursos de direito, administração, ciências contábeis, agronomia, ciências biológicas, geologia, enfermagem, computação, educação física, letras, pedagogia e jornalismo. Os alunos de Picos deverão ser divididos em três turmas para estudarem em espaços alternativos, como uma prédio que não foi embargado no campus, uma escola estadual e um edifício do governo.

Em nota publicada no site da Uespi, o reitor Carlos Alberto Pereira da Silva informa que "a verba necessária para o início das aulas foi repassada pelo governador do Estado Wilson Martins. E com relação à infraestrutura dos campus, o reitor vem medindo esforços junto ao Governo do Estado e através de emendas parlamentares dos deputados federais para a recuperação e estruturação dos mesmos".

Por: Paulo Guilherme

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