Universitário viaja o mundo atrás do que vai ser moda

Universitário viaja o mundo atrás do que vai ser moda

Atualizado: Terça-feira, 5 Julho de 2011 as 8:43

As aulas de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Escola Nacional de Circo foram canceladas este ano pelo estudante Lucas Maciel. Ele é um carioca de 22 anos, escolhido pela agência de publicidade DM9DDB para fazer uma viagem de 99 dias por nove cidades do mundo. Sua função, ser um trend hunter, ou caçador de tendências pelas cidades de Nova York, Barcelona, Milão, Paris Londres, Mumbai, Bangcoc e Xangai e São Francisco. A experiência Lucas fez parte de uma promoção da agência para comemorar seus 21 anos e foi publicada em seu blog de viagem. Já de volta de sua viagem, Lucas falou ao iG Estágio e Trainee sobre o que essa viagem mudou sua vida e também dá dicas para  quem quer ser um caçador de tendências...

iG: Lucas, por 99 dias você teve o emprego dos sonhos, viajou o mundo em busca de tendências. O que isso influenciou no seu plano de carreira?

Lucas Maciel: Não acho que seguir uma carreira de trend hunter ou cool hunter seja uma prioridade que me acene agora. Cada coisa tem o seu momento, e eu encaro tanto esse emprego quanto a experiência universitária como uma grande abertura de portas,. Nesse sentido, o que esse emprego me ofereceu foi a possibilidade de criar uma rede de contatos no mundo inteiro nas mais variadas áreas, um leque imenso de possíveis colaborações e oportunidades de novos trabalhos no futuro.

iG: qual seu plano agora para a carreira?

Lucas Maciel: Quanto ao meu plano de carreira... não sei se tenho um. A única coisa que sei é que depois dessa viagem me estimulo muito menos com a perspectiva de ascensão individual numa empresa do que com a perspectiva de trabalhar com cada vez mais pessoas a depender do tipo de projeto que estiver desenvolvendo num determinado momento. Mas isso é característica da minha geração inteira, essa tal de geração Y, muito mais fluída do que fincada.

iG: O que você vai fazer agora depois dessa viagem?

Lucas Maciel: Por enquanto o passo mais imediato é trabalhar para transformar a experiência do 99 Novas num livro. Depois disso... quem sabe? Ainda estou num momento de estudar as portas abertas pela viagem, não no de me fechar e escolher uma só.

iG:Qual a experiência mais marcante para você nessa viagem?

Lucas Maciel: Não tem como escolher só uma. É até engraçado, porque eu posso até ter trabalhado numa função muito próxima da de um jornalista, mas essa mania por superlativos definitivamente não colou comigo (risos). Eu caminhei pela maior favela da Ásia com quem tenta juntar planejamento urbano e sociedade da informação, fiquei no mesmo quarto de hostel que um dos organizadores do Burning Man, conversei com o presidente da DDB mundial (Keith Reinhard, um cara que mudou a cara da publicidade no mundo), experimentei a gastronomia asiática, jantei no breu, fui a festas secretas, caminhei pelas ruas de Londres com seus moradores de rua, vi um circo na China, vi um filme secreto num lugar secreto vestido de anos 40, descobri avós que se tornaram ser artista de rua e ativistas com crochê, revi amigos, fiz vários outros, vivi minhas paixões... enfim. Entende porque é injusto escolher uma coisa só?

iG: O que pesou na sua escolha para esse trabalho dos sonhos?

Lucas Maciel: Acredito que a DM9 apostou na minha pluralidade. Todos os finalistas do concurso eram ótimos e fariam viagens memoráveis, mas talvez eu fosse o que estava mais afinado com o objetivo do projeto e aquele que poderia extrair material de mais áreas diferentes, circulando mais facilmente entre mundos que às vezes parecem mais distantes do que realmente são.

iG: Qual a importância de estudar na Escola de Circo tanto para sua escolha como na viagem?

Lucas Maciel: O fato de eu fazer circo não é uma qualificação em si, mas um indicativo de que eu valorizo e bebo de fontes de conhecimento tão distintas quando a acadêmica e a artística. Se eu passei a minha vida tentando colocar mundos separados pra dialogar, por que eu não seria capaz de fazer isso dentro de cada cidade e nas nove entre si? Um tendência é algo que une pontos, portanto não pode ser identificada por quem é especialista num olhar só.

iG: Quais as principais tendências que você detectou e como acredita que essas suas observações podem ser usadas no Brasil?

Lucas Maciel: Nesse caso só dá pra citar: A maneira como estamos nos movendo de uma sociedade que colecionava bens e serviços pra uma que acumula experiências e histórias pra contar. A maneira como essas experiências podem se refletir em exclusivismo como maneira de obter status. A busca por autenticidade como mais importante e desejável do que unicidade. O viés coletivista da construção colaborativa e incremental de ações que se usam das redes sociais para realizar um verdadeiro gathering social. A transformação do espaço público de espaço do sociabilidade em espaço da recordability, isto é, do registro do pequeno extraordinário para posterior compartilhamento em outras arenas de sociabilidade. O peso do efêmero imersivo no tipo de experiência que está se desenvolvendo pelo mundo. O fato de que o processo por trás das coisas vem assumindo um peso cada vez maior em relação ao do produto acabado.E um monte de outras coisas que não dá pra listar aqui.

Por: Arthur Lopes

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