Universitários estrangeiros são atendentes comuns na Disney

Universitários estrangeiros são atendentes comuns na Disney

Atualizado: Quinta-feira, 18 Agosto de 2011 as 9:47

Pelos parques e hotéis na Walt Disney World, em Orlando (Flórida, EUA), é notável a variedade de nacionalidades dos funcionários. Boa parte deles, na verdade, são jovens universitários que trabalham nos parques por um período curto, que geralmente varia entre três e seis meses.

Uma brasileira que trabalhou no início do ano na lanchonete Pecos Bill´s, no centro do parque Magic Kingdom --e não quis se identificar--, conta que, para chegar lá, passou por um processo seletivo na Student Travel Bureau (STB).

Houve primeiro uma palestra em maio de 2010, então uma entrevista com representante da STB. É quando corta-se quem não sabe bem inglês e destaca-se quem está no meio da faculdade, para obter mais garantias de que não migrarão para os EUA. Ainda no Brasil, há também uma entrevista com um representante da Disney.

A praxe é informar o setor de trabalho (alimentação ou brinquedo), mas não o lugar. Não é informado, por exemplo, em qual parque ou hotel será feito o trabalho.

Outra brasileira, Natália, que trabalhou em uma loja de hotel, conta que é "tranquilo", por serem apenas 30 horas de trabalho por semana. E há ainda a oportunidade de passear em todos os parques.

É comum encontrar brasileiros ao ser atendido. Na lanchonete Pecos Bill´s, houve uma especial concentração no início do ano, com cerca de 14 brasileiros, de norte a sul do país, de um total de quase 50 funcionários em todos os turnos.

Cerca de 800 brasileiros trabalharam na Disney Flórida nessa época, contou a argentina Lucia Romero Rosso, que esteve em contato com muitos deles e trabalhava em uma loja de artigos de Natal (mesmo fora de época), no parque Magic Kingdom.

O número de argentinos é muito menor, cerca de 48, disse ela, com uma pontinha de inveja. A grande maioria dos argentinos lá é de Buenos Aires --mas Rosso afirmou ser a única representante da cidade de Mendoza.

E não só do lado do balcão eram encontrados brasileiros, mas do lado de fora também: é extremamente comum encontrar turistas brasileiros, em cada canto (a Disney não forneceu números de brasileiros turistas ou trabalhadores).

ESPANHOL Apesar do número de brasileiros, é o espanhol a língua dominante em Orlando, depois do inglês. Tanto que, em muitas atrações, e também antes de desfiles, há frequentemente avisos em espanhol, depois da versão padrão em inglês, nos alto-falantes. Mas, em geral, isso se aplica mais aos avisos de segurança para montanhas-russas e em trenzinhos, por exemplo. No aeroporto de Miami, também na Flórida, onde fazem escala muitos voos para Orlando, é ainda mais normal ser atendido por latinos que falam espanhol.

Uma identificação com uma bandeirinha no peito do funcionário frequentemente ajuda a identificar os países de cada um, em lugares como o City Hall, centro de informações e apoio ao visitante na entrada do Magic Kingdom.

ORIENTE Nesse local, foi encontrada a japonesa Ayumi Takahashi, 22, com sua bolinha vermelha da bandeira do país. Ela faz por exemplo o trabalho de empréstimo de tradutores eletrônicos para as narrações em algumas atrações, para diversas línguas (como o português).

Na lanchonete Pecos Bill´s, entre os não brasileiros, estava o chinês David Li, 22, que vem de Guangdong, perto de Hong Kong. Diz que quis ir aos EUA para "conhecer a cultura local, como espelho do mundo, que é", o que seria importante para ele. Ele terminava um período de seis meses em seu intercâmbio na Disney.

Já sua colega compatriota Chen Shan Yi, 21, que lanchava no próprio local de trabalho, duas horas depois de seu expediente, disse apenas que sempre foi seu sonho ir para a Disney, e por isso arranjou esse trabalho temporário. No entanto, sofreu a contrariedade de seu pai, que dizia que ela deveria arrumar um trabalho mais sério --ela estuda finanças em Xanghai.

Yi estava então já sem seu uniforme aparecendo, um fator importante de caracterização na Disney, que cria o clima de cada lugar. A argentina Rosso, por exemplo, diz que "nunca imaginava usar este tipo de roupa", que parecia um estilo antigo de camponesa europeia, com babados e uma touca.    

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