Universitários surfistas - as ondas e os estudos

Universitários surfistas - as ondas e os estudos

Atualizado: Segunda-feira, 18 Março de 2013 as 2:23

 

surfeO ano letivo começou e os universitários que moram na Região dos Lagos do Rio de Janeiro já começaram a dar adeus aos dias de descanso nas praias. Mas, para alguns deles, a rotina de estudos pode muito bem ser conciliada com o mar e com o convívio com a natureza. Não é obrigatório optar por uma profissão ligada ao esporte, mas sim levar a disciplina e a concentração exigida dentro d'água para as salas de aula. Isso é o que dizem dois universitários surfistas de Cabo Frio.
 
É dando também um aloha aos livros e apostilas que o surfista cabofriense Leanderson Santos, de 24 anos, cursa o penúltimo período de educação física na Universidade Veiga de Almeida (UVA). Segundo ele, muita gente acredita que para fazer este curso é preciso ser bom em esporte. Embora seja apaixonado pelo surfe, rapel, slack line e outros esportes, Leanderson garante que isso não é fundamental para ser professor de Educação Física, também é preciso muita dedicação aos estudos.
 
Leanderson é morador da cidade de Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio, e começou a surfar aos 12 anos. Desde então, participa de competições e carrega o sonho de ser surfista profissional, mas prioriza a faculdade.
 
leanderson
 
“A minha profissão, apesar de estar bastante ligada ao esporte, exige muito tempo de dedicação em leitura e sala de aula. É bem diferente do que algumas pessoas pensam, é preciso estudar muito. Hoje em dia, tive que diminuir minha frequência na praia. Antes, era praticamente todos os dias pegando onda”, diz o estudante.
 
Enquanto a oportunidade para ser surfista profissional não chega, na reta final da faculdade, o universitário leva uma vida bastante agitada e com pouco tempo para o surfe. Logo no início do dia, Leanderson dá aulas de treinamento funcional e musculação em uma academia da cidade. Já na parte da tarde, o jovem é estagiário em um escola, onde ganha experiência para a licenciatura. À noite, faz faculdade, e nos fins de semana se dedica às matérias online, trabalhos, e, claro, arruma um tempo para "pegar uma onda".
 
"Quando eu era criança, sempre sonhava ser surfista profissional, e não jogador de futebol, como a maioria. Sempre gostei de surfar, parei de competir, mas continuo surfando porque gosto, é mais que um hobby, já virou estilo de vida”, explica o surfista universitário.
 
Leanderson afirma que, se pudesse trocar de profissão, certamente seria surfista profissional. "Mas, como faço educação física, não preciso ser tão radical”, concluiu o universitário.
 
Ondas e direito
 
Diferente de Leanderson, o estudante do terceiro período de direito também na Universidade Veiga de Almeida, Victor Marques, de 18 anos, vê o surfe em sua vida apenas como um esporte. “Surfo por hobby, e nunca quis me profissionalizar. Levo a sério quando estou na água, mas não penso e nunca pensei ganhar dinheiro com isso”, comenta.
 
victorVictor conta que morava no município de São Pedro da Aldeia, também na Região dos Lagos, e desde que foi morar em Cabo Frio, tendo uma praia cheia de ondas como quintal de casa, passou a praticar o esporte. “Eu só saía do meio das ondas para ir à faculdade”, diz o estudante, que atualmente também trabalha e precisou diminuir a frequência no mar.
 
Apesar de ainda estar no início da faculdade, Victor já ingressou na área, é estagiário da procuradoria de Cabo Frio, na Região dos Lagos. Ele conta que trabalha o dia inteiro e depois vai direto para a faculdade. Segundo ele, sobra apenas o fim de semana para relaxar. O surfe está na lista, mas não é obrigatório.
 
“O surfe nunca influenciou meus estudos, sou muito focado. Durante o dia eu surfava praticamente o dia inteiro e à noite eu ia para a faculdade. Como agora trabalho, quase não tenho surfado. Sempre que posso, eu vou. O surfe não é minha prioridade, apesar de ser um modo muito especial e livre de contato com a natureza”, afirma Victor.
 
O estudante de direito comentou que alguns colegas às vezes brincam com o estigma que surfistas não gostam de estudar.  “Meu amigos ficam me zoando, mas tudo não passa de brincadeira, nunca é de forma pejorativa. Eles sabem bem que é possível sim conciliar os estudos com o surfe. É como quem gosta de jogar futebol com os amigos, tem o dia da pelada, e a rotina de estudos”, completa.
 
Para Victor Marques, o cenário da galera do surfe nas universidades é bem diferenciada, principalmente nas faculdades estaduais e federais. “Muitos esperam uma oportunidade para ser um “Pro”, que na linguagem dos surfistas, é aquele que já é profissional, competidor e que ganha dinheiro com o esporte. Outros, assim como eu, tem mesmo o objetivo de continuar sendo um 'free surfer', aqueles que só surfam por puro prazer”, diz.
 
Sendo “Pro” ou “Free Surfer”, o que esses dois universitários têm em comum, além da dedicação aos estudos, é a paixão pelo que o surf proporciona para quem é adepto do esporte.
 
“O surfe é um esporte mágico, simplesmente porque não depende só de você, depende muito mais da natureza. É o mar quem dita as regras. É um esporte muito gostoso de se praticar, vale a pena!”, afirma Victor Marques. Leanderson completa: "Surfar é a melhor coisa, não dá para explicar a sensação de estar dentro de um tubo, no meio das ondas. É a melhor coisa que existe na vida, é incrível, é maravilhoso”.
 

 

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