Volta por cima pontocom

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Atualizado: Terça-feira, 13 Agosto de 2013 as 11:31

fim de namoroNão existe no mundo mulher mais feliz, bron­zeada, descolada, cheia de amigos, festeira e de bem com a plenitude dessa coisa chamada vida do que a recém-separada com perfil em rede social. Ela tem 35, 37 e até 40 anos. Mas volta para a fila das baladas com rímel à prova de senso de ridículo e posta pela madrugada relatos de sua imensa alegria em ter levado um pé na bunda e estar, ainda que cansada e assustada, bebendo um drinque colorido em meio a dúzias de pessoas desinteressantes.
 
Já estive nesse papel. E consegui fazer pior do que garotas que postam seu traseiro com biquínis micro na praia, fazendo uma espécie de hang loose “a vida é muito irada”. Deletei um ex-namorado do Facebook e logo em seguida me arrependi. Pensei: “Como vou fazer para ele saber que estou insuportavelmente bem e linda e gostosa e caguei pra existência desse desgraçado?” Tive então a brilhante ideia de postar fotos minhas (com direito a biquinho sexy em pista de dança — essa é a pior de todas) no mural de amigos em comum. Isso faz um ano e até hoje tenho vontade de enterrar minha cabeça pra dentro do corpo, igual irmão mais velho faz com a Barbie da irmãzinha.
 
Mas essa longa introdução sobre o quão patéticas são as mulheres foi pra falar do quão ainda mais patéticos são vocês, queridos homens, quando não se conformam em ser renegados e transformam suas páginas em odes à magia de dar a volta por cima. É a prova do que minha vó já dizia: “Homem não aguenta nem gripe”.
 
Um amigo fez um ensaio fotográfico mandando a ex-namorada para aquele lugar (com diferentes ângulos do dedo do meio) e publicou. Nas fotos ele estava, pasme, todo manchado de batom vermelho. Qualquer pessoa com mais de meio QI olhava e pensava: “Tadinho, vai se matar – e com requintes de crueldade”.
 
Outro amigo, hétero, fez de seu perfil páginas de pura luxúria gay. Era todo sábado ele de sunga branca, no barco de algum novo melhor amigo milionário, brindando o pôr do sol e a grande alegria de ter sido largado a três semanas do casamento. Detalhe: o bufê só devolveu pra ele metade dos R$ 380 mil investidos na festa. Ele tinha muitos motivos, mesmo, pra estar tão animado.
 
Acho digno não cortar os pulsos e seguir com os dias. Acho legal preferir uma festa ao terror de uma noite solitária, tentando entender, mais uma vez, por que não deu certo. Repassando diálogos. Enchendo o saco dos amigos. A alegria teatral pode ser melhor, pelo menos na opinião de um otorrino, do que os infindáveis choros profundos que entopem o nariz por meses.
 
De amor não se morre, apesar de ele certamente nos matar aos poucos todos os dias. Mas estar pulando Carnaval de decote (e postando as fotos loucamente) logo após ter contado para o analista que estava planejando uma viagem a Santos só pra se jogar no trilho de um trem mais rústico não pode ser normal. E, vamos combinar, é coisa pra Orkut de adolescente, e não de Facebook de adulto.
 
 
- Tati Bernardi
 

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