O musical New York, New York ganha versão teatral brasileira

O musical New York, New York ganha versão teatral brasileira

Atualizado: Sexta-feira, 15 Abril de 2011 as 1:46

Start spreading the news / I'm leaving today / I want to be a part of it / New York, New York. Os primeiros trechos da música, que ficou popular na voz de Frank Sinatra, remete à charmosa Nova Iorque dos anos 40.

Vestidos rodados e sapatos de boneca se arrastam pelos bailes acompanhando os passos dos moços arrumados com gel no cabelo. Um ou outro homem (ainda) fardado brinda a alegria de retornar finalmente ao lar, doce lar.  De uma forma ou de outra, todos comemoraram o fim da Segunda Guerra Mundial na cidade. Cheio de glamour, este é também o cenário do filme de Martin Scorcese, de 1977, que fez grande sucesso na época e é considerado um dos clássicos do cinema norte-americano no gênero musical.

Corta para 2011. Atores cantam e dançam I wanna wake up in the city that never sleeps... em um palco brasileiro. Isso mesmo, brasileiro. Tablado, elenco, diretor, maestro, tudo tupiniquim, com exceção das canções, que foram preservadas no idioma original. "Sempre fico frustrado quando as traduzem nos musicais. Como, nesse caso, as músicas já são conhecidas e são dispensáveis para entender a história, mantivemos em inglês e colocamos legenda, porque é um direito do público", explica José Possi Neto, diretor do espetáculo New York, New York, em cartaz no Teatro Bradesco, em São Paulo.

Da esquerda para a direita, Alessandra Maestrini, Juan Alba, Simone Gutierrez e Julianne Daud

Inspiração literária

A peça se baseia, na verdade, no livro homônimo de Earl Mac Rauch, que foi adaptado para o cinema por Martin Scorsese. Apesar de o autor ser também o roteirista do longa-metragem, há algumas alterações no enredo do filme, fazendo com que o espetáculo teatral que fazem significativas diferenças em relação à película.

"Não há aqueles momentos dramáticos do filme, que tem o estilo do Scorcese. Nossa produção é uma comédia romântica cheia de alegria e humor, além de cenas e números de dança extra que criamos", conta o maestro Fábio Gómez, que foi quem procurou o escritor Earl Mac Rauch e propôs a adaptação.

A versão para o teatro é protagonizada por Alessandra Maestrini (que é conhecida pela Bozena da série Toma Lá Dá Cá) e Juan Alba (que fez o Josué em Terra Nostra). É mantida a história de amor entre a bela cantora Francine Evans e o saxofonista Johnny Boyle, mas são incluídos dois novos personagens. Um deles foi criado especialmente para Simone Gutierrez, que rouba a cena no papel engraçadíssimo (como não poderia deixar de ser) da Senhorita Perkins, e outro é da Julianne Daud, que interpreta Carmem Miranda e canta Let's Copacabana, no Copacabana Club.

Era das big bands

A orquestra com 25 músicos relembra sucessos das big bands

Com um repertório musical repleto de clássicos dos anos 40 a 60, a peça traça um verdadeiro panorama da música norte-americana do tempo das big bands, recordando composições de jazzistas como Glenn Miller e Benny Godman. Além de New York, New York, o set list surpreende com sucessos como The Man I love de Ella Flitzgerald, An American in Paris, de George Gershwin, e até Blue Moon, de Elvis Presley.

Para entoar tudo isso, uma verdadeira big band com 25 músicos integra o espetáculo, desempenhando um papel tão importante quanto o dos protagonistas. Merecem destaque também as coreografias encenadas pelo time de 13 bailarinos - além do elenco - dirigidos por Anselmo Zola e Kika Sampaio.

O espetáculo fica em cartaz até 3 de julho apenas em São Paulo, mas, segundo o diretor José Possi Neto, a ideia é fazer uma turnê em breve. "Estamos terminando as negociações em Brasília e Paulínia, queremos passar também em outras grandes capitais nacionais e quem sabe até exibir na América Latina", conclui.

Por Marjorie Ribeiro

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