A sabedoria do Papa-Léguas

A sabedoria do Papa-Léguas

Atualizado: Quarta-feira, 20 Abril de 2011 as 8:35

Já não se faz desenho animado como antigamente. Era muito bom assistir o papa-léguas. Aquele bip-bip fugindo do coiote era inconfundível. A maioria dos fãs daquele desenho, gostavam dele pelo mesmo motivo: o papa-léguas sempre conseguia fugir das ciladas do coiote. A cada desenho o coiote arquitetava um plano mais mirabolante que o outro, e o papa-léguas escapava de todos. O legal é que invariavelmente a armadilha se voltava contra o próprio coiote, cumprindo-se o dito popular que diz que o feitiço acaba virando contra o feitiçeiro.

A vida é assim. Diante do coiote, a ave parece indefesa. Diante dos demônios também parecemos indefesos. Em Cristo, no entanto, somos equipados com habilidades e recursos tanto para resistir quanto para fugir. Como o papa-léguas, enfrentamos tensões, armadilhas, emboscadas, mas no fim chega o livramento da parte do Senhor.

No desenho, o coiote é incansável, se arrebenta sempre, mas ressurge para tentar capturar o papa-léguas. Na vida, demônios são incansáveis, até o último suspiro tentarão nos desviar do caminho da salvação. O papa-léguas não fala e nem tem fé, o que não é o nosso caso. Falamos e temos fé. Mais que fugirmos ou resistirmos a eles, os coiotes que nos perseguem devem ser colocados para correr em nome de Jesus.

Correria é o que se vê em todo desenho do papa-léguas. Na vida também. Frenético é o nosso ritmo atual. Demasiadamente acelerado. Pressa é a palavra que pressiona. Pressa para sair, chegar, fazer, comer, comprar, orar, conquistar. Este é o nosso tempo, nada de flauta baixinha e lenta na praça, pop é o Bono no Morumbi lotado com toneladas de som, luz e decibéis além do permitido estourando tímpanos.

Queremos ir de zero a cem em cinco segundos. Queremos micro-ondas. Queremos notícia quente, aprovação na primeira turma, o melhor pedaço do bolo. E queremos rápido, temos pressa, somos filhos da pressa cultural, social, espiritual. Fomos treinados assim, portanto além de querer, iludidos determinamos, declaramos e decretamos. Trágica e enganosa pressa.

A páscoa taí, e parece que esse papo de pressa é mais antigo do que pensamos. Há milênios, quando a páscoa foi instituída, uma recomendação foi bem clara: Estejam prontos com cintos bem colocados, sandálias bem calçadas e cajado na mão, então comam o cordeiro e as ervas amargas apressadamente, esta é a páscoa do Senhor, perpetuamente ela será lembrada. Percebeu? Comam apressadamente, saiam do Egito, não se distraiam, não descuidem, pois Faraó tentará impedí-los. Ou seja, o coiote não desiste, tenham pressa, bip-bip, sejam rápidos.

Esta é a pressa que faz bem, a pressa em fugir do Egito. Nossa sociedade vive apressada sem saber para onde ir, confusa, não sabe se é coiote ou papa-léguas, se é mocinho ou bandido. Precisamos resgatar a urgência da pressa que é marcada por propósitos claros. Nossa pressa é pelo céu. Nosso descanso não é aqui, portanto não paramos, portanto não oferecemos a menor chance para os coiotes modernos nos pegarem. Nossa pressa se identifica com a sobrenatural e sempre vencedora velocidade do papa-léguas. Guiados pelo Espírito louvamos a Cristo, nossa páscoa. Guiados pelo Espírito, apressadamente estamos fugindo do nosso Egito para um dia alcançarmos o tão sonhado e aguardado céu. Em Cristo tal sonho se tornará possível, por isso oramos: Vem senhor! Vem, sem demora, ó Salvador.

Paz!

Pr. Edmilson Mendes

Edmilson Ferreira Mendes é teólogo. Atua profissionalmente há mais de 20 anos na área de Propaganda e Marketing. Voluntariamente, exerce o pastorado há mais de dez anos. Além de conferencista e preletor em vários eventos, também é escritor, autor de quatro livros: "Adolescência Virtual", "Por que esta geração não acorda?", "Caminhos" e "Aliança".

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