Eu sou Éfeso

Eu sou Éfeso

Atualizado: Quarta-feira, 21 Março de 2012 as 9:16

É preciso voltar. Voltar onde se tropeçou. Voltar onde se tropeçou e caiu. É fundamental reconhecer e clamar pelo perdão de Deus para então recomeçar. Essa semana eu ouvi uma palavra dura sobre “recomeçar”.
Re-começar. Começar mais uma vez. E a gente só começa algo de novo quando o que antes fazíamos era errado e precisava de um conserto, que pode ser o fim para um renascimento. É o processo natural das coisas: recomeçar é romper com o errado e fazer o que é certo. Ênfase no “processo”. Pode durar anos ou dias. Eu pensei muito no que eu escreveria aqui pra recomeçar o ano, depois de um longo período de férias, e decidi que preciso falar sobre aquilo que vivi, pra que seja com exatidão.

Não se culpe se estiver cansado da caminhada, embora as esperanças tenham sido renovadas na virada do ano. Não se culpe se começou um relacionamento totalmente errado e agora dói em você ter que abrir mão pra então, recomeçar mais forte e santo. Você pode até ter pecado. Há uma solução. Há um recomeço. Há alguém que lhe dá a esperança, que ressurgiu mesmo depois de morto. 

Esses dias qume fiquei sem escrever aqui foram marcantes. Aprendi muito de Deus através de Bíblia e de livros que li. Fora um tepo ótimo. Mas o pecado reside em mim, é materializado na minha rotina como a água que transparece num corpo de alguém que se exercita, como pequenas gotas. E se você se esforçar mais, o que era apenas “pequenas gotas”, pode lhe molhar o corpo inteiro. Com o pecado também é assim… Pode parecer gota, mas pode inundar se você insistir em caminhar na direção dele.

Encontrei muitas pessoas nesses dias que me edificaram com seus testemunhos e bênçãos que receberam através desse site. Pensei na Bruna de antes e na Bruna de agora. Quantas gotas inundaram meu corpo em tão pouco tempo. Corri para a presença de Deus porque o pecado estava me afogando. Encontrei graça no tempo oportuno e trouxe à memória aquilo que pode me dar esperança: existe um recomeço.

É sempre tempo de recomeçar. A palavra de Deus, no livro de Apocalipse, repreende a igreja de Éfeso porque, embora com muitas obras, estava sem o primeiro amor. Aquele amor que te faz desejar a presença de Deus o tempo todo, te faz cantar e orar, te incita a congregar com seus irmãos. Nós somos como Éfeso. Eu sou Éfeso. Posso apresentar obras, mas abandonei o primeiro amor. Mas eu compreendi que pela graça redentora, há uma chance de olhar pra trás, ver e sintetizar o erro e então recomeçar. Pode demorar muito tempo ou em uma semana. Você descobre mesmo se uma pessoa mudou, quando ela passa a apresentar frutos na sua e na vida dos outros. 

Você pode ter todos os motivos pra querer desistir. Pode estar intoxicado de falsas doutrinas que te asseguram apenas a bondade de Deus. Mas há uma razão pra recomeçar: existe uma vida além dessa. Para os cansados, um descanso. Para os famintos, a fartura. Para os que choram, o consolo. Descanso, comida e consolo eternos. Existe uma razão pra tentar mais uma vez aquilo que já não faz mais sentido: a glória que há de se revelar. A esperança de vida eterna. Por mais que seja dolorido, inclusive escrever sobre isso quando é o que se vive. Mas a promessa que existe é que ele venceu e que nós também venceríamos. Por mais dolorido, cansativo e choroso que seja esse caminho. Se olharmos a diante, vemos a vitória.

Hoje, minha oração é que não sejamos igreja de Éfeso. Que não percamos o amor das primeiras obras e a certeza de que nossos frutos resultarão na eternidade. E que nossa vida seja um re-começo. Levantar, “sacodir a poeira”, recomeçar. É possível. A morte não terá a última palavra: Cristo recomeçou.

“Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos; Trazendo sempre por toda a parte a mortificação do senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também nos nossos corpos; E assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também na nossa carne mortal. De maneira que em nós opera a morte, mas em vocês, a vida”. (II Co 4.8 ao 12).

 

Por Bruna Vichi

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