Julgamento e misericórdia

Julgamento e misericórdia

Atualizado: Quinta-feira, 1 Dezembro de 2011 as 2:21

Vendo a trilogia do Senhor dos Anéis, eu entendi uma frase do Paulo Brabo que nunca saiu da minha cabeça: o homem que olhou o pecado no meu rosto e não viu nada de mais no que viu.

No Senhor dos Anéis (infelizmente nunca tive a oportunidade de ler os livros, mas recomendo os filmes violentamente — se você quiser me dar ou emprestar os livros, te passo meu endereço, pode ser em inglês; até prefiro), uma das maiores provas de amizade que Sam faz a Frodo é o fato de nunca desistir dele e salvar sua vida mesmo depois de ter visto a pior face de Frodo.

Frodo, encantado pelo anel do poder, se revela como um hobbit capaz de deixar todos os seus amigos (e todo o mundo) se destruir para continuar com o anel; Frodo está prestes a jogar tudo fora, mas por outras decorrências da história (não vou dar muitos spoilers) acaba não conseguindo e fica preso à beira do precipício aos pés da morte. Sam não pensou duas vezes, salvou seu amigo mesmo quando ele se meteu onde se meteu porque não quis abrir mão do grande poder que tinha nas suas mãos — Frodo deveria chegar, jogar o anel no vulcão e ir embora, mas se deixou levar pelo grande poder do anel — Sam, pela lógica do merecimento ou da justiça irrestrita, deveria ir embora e deixar seu amigo morrer consumido pelo próprio poder (como já havia acontecido com Gollum) porém Sam não pestanejou em estender a mão e salvar seu melhor amigo. Sam viu o pecado no rosto de Frodo e não viu nada de mais no que viu, simplesmente não se importou com isso.

Talvez seja isso que Jesus queira dizer quando nos pede para não julgar o próximo; Sam nunca deixou de se incomodar com a dominação que o anel tinha sobre Frodo, mas não por isso deixou de carregar o amigo (algumas vezes literalmente) sempre que necessário.

Não importa o pecado, nada supera a misericórdia. Se tem alguma face de Deus que devemos imitar, definitivamente não é justiça, pois pra essa somos naturalmente injustos, mas sim a prática da misericórdia, essa prática maravilhosa que fez com que Deus simplesmente nos expulsasse do paraíso quando deveríamos ter sido aniquilados — ou pior, esquecidos.

Por: Kyrie eleison

veja também