Levando a sério...

Levando a sério...

Atualizado: Sexta-feira, 11 Novembro de 2011 as 2:42

Certa vez o pastor de uma pequena congregação percebeu que estava rolando alguma coisa entre um casal de jovens de sua igreja. Então, resolveu chamar o rapaz e perguntar-lhe o que realmente estava acontecendo entre eles. O pastor queria saber se eles estavam namorando, se pensavam em casar-se futuramente. Então, o pastor foi surpreendido pela resposta de sua jovem ovelha: 'Ah pastor... a gente só tá ficando, não é nada sério não, fica tranqüilo!'

Será que estamos enganados ou estamos vivendo dias de profundo descomprometimento nos relacionamentos?. Ao que parece, fidelidade e compromisso nunca estiveram tão em baixa como nos dias de hoje. Muitas pessoas estão em busca de relacionamentos superficiais, de “finais de semana”, sem compromisso, sem restrições, sem limites, sem regras! Algumas pessoas querem uma “liberdade” que, salve o engano, se parece muito com libertinagem! Não suportam a idéia de viverem presas a alguém, a uma religião exclusiva ou a uma fé. Querem desfrutar um relacionamento com Deus, mas sem se comprometerem, sem ter que ir a igreja toda semana, sem ter que se batizarem, ler a Bíblia e orar todos os dias. A impressão que dá é que tais pessoas que estão apenas ficando com Deus, mas não querem nada sério!

O apóstolo Paulo alertou os cristãos da igreja em Corinto que se achavam mente abertas, já naquela época: “Será que vocês não sabem que o corpo de vocês é templo do Espírito Santo, que vive em vocês e lhes foi dado por Deus? Vocês não pertencem a vocês mesmos, mas a Deus, pois ele os comprou e pagou o preço. Portanto, usem o seu corpo para a glória dele.” (1 Co 6.19-20).

Alguns membros da igreja de Corinto argumentavam que o que era feito com o corpo não afetava a vida espiritual. Além disso, havia entre eles um jargão teológico para justificar o seu comportamento mundano, eles freqüentemente diziam: “Tudo nos é permitido”. E Paulo fez questão de mostrar a eles que o lícito tem que passar pelo crivo da ética moral:  “Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não deixarei que nada domine.” (1Co 6.12); e deixou bem claro, ainda, que eles deveriam lembrar-se que o corpo deles era nada mais nada menos, que o templo do Espírito Santo! Que eles haviam sido adquiridos, comprados, por um preço que excede qualquer valor humano como bem afirmou Pedro em sua carta: “não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo.” (1 Pe 1.18-19). Paulo foi enfático ao dizer: “Usem o corpo de vocês para a glória de Deus.” Os coríntios precisavam aprender que nem tudo o que é lícito, permitido, é conveniente, é ético, é moral; e que é impossível ter vida espiritual fazendo do corpo o que bem entendemos! Aquele pessoal precisa levar Deus mais a sério, você não acha?

Talvez a nossa geração mente aberta esteja sofrendo com a Síndrome de Corinto! Quantas pessoas você conhece que freqüentam a igreja, as vezes até tocam ou cantam num grupo de louvor, mas têm deixado a desejar em suas vidas devocionais, no zelo para com Deus? Pessoas que gostam da igreja, que curtem os louvores modernos com melodia pop, que se emocionam com pregações bem articuladas, mas que insistem em viver na superficialidade da fé e nunca se entregam plenamente ao Senhor! É verdade que existe uma moçada que já entendeu esse negócio. Glória a Deus por isso! Mas, infelizmente, ainda existe uma galera que precisa se ligar! Que passa a noite na balada, pegando todas, bebendo todas. Está cada vez maior o número de jovens evangélicos fazendo uso de bebidas alcoólicas e entorpecentes, drogando e contaminando aquele que deveria ser o santuário do Espírito Santo. Será que não é hora de refletir sobre esse negócio santo de levar Deus a sério e entregar-se completamente a Cristo?

Segundo a revista Cristianismo Hoje, uma pesquisa recente mostrou que um em cada quatro estudantes do ensino fundamental e médio da rede pública brasileira já experimentou algum tipo de droga, além do cigarro e das bebidas alcoólicas. Num desafio ao bom senso, experimentam esse tipo de substância cada vez mais cedo. Há dez anos, a média de idade para o primeiro contato era de 14 anos. Agora, não passa de onze. Estima-se que, em todo mundo, mais de 210 milhões de pessoas usem algum tipo de droga ilegal. Dessas, de acordo com levantamento da Organização das Nações Unidas, 26 milhões enfrentam problemas sérios, como a dependência de substâncias mais pesadas, especialmente nos grandes centros urbanos. É um problema de saúde pública, inclusive no Brasil, onde estima-se que haja quase 900 mil usuários. Mas, quando se pensa que uma parte desse contingente é formado por jovens filhos de crentes ou desviados das igrejas, a preocupação é ainda maior.

A impressão dessa alta presença de ex-crentes entre os viciados foi partilhada pelo repórter da Cristianismo Hoje. A revista acompanhou na região central de São Paulo o trabalho de uma equipe de obreiros da Cena. Conversando com usuários de drogas como o crack, é possível perceber a origem e formação evangélica de diversos deles, como um rapaz que falava da Bíblia para moradores de rua. Antes, líder do louvor numa igreja pentecostal, ele agora se tornou traficante. Mesmo pedindo para não ser identificado, falou um pouco sobre sua história. Ainda guarda do Evangelho a certeza de que há perdão e restauração em Cristo, mas, por enquanto, diz não ter forças para sair do fundo do poço. “Tenho esperança de que um dia voltarei para os caminhos do Senhor”, diz. Mesmo assim, garante, fala do amor de Jesus aos outros. “Até ensino o pessoal a cantar alguns hinos”, diz, sorrindo. É lamentável, mas ele está levando mais as drogas e a bebida a sério do que Deus.

A Bíblia está cheia de personagens que levaram Deus a sério: Abel, Noé, Abraão, José, Moisés, Josué, Samuel, Davi, Daniel, Paulo, Timóteo! Homens sujeitos as mesmas paixões que eu e você, que cometeram erros com certeza, mas que entenderam que o propósito primordial de suas vidas era glorificar a Deus! Devemos fazer o mesmo. Que o lícito não se torne motivos de escândalo e libertinagem. Que o Senhor seja glorificado pela maneira como vivemos ao rejeitar tudo aquilo que é inconveniente a pessoas que foram resgatadas e compradas por um alto preço! Lembre-se: Quem leva Deus a sério entrega-se completamente a Cristo, ao ponto de dizer como Paulo: "Já não sou eu quem vivo, mas Cristo vive em mim" (Gl 2.20).

Muitas campanhas conseguiram seus adeptos, essa é a campanha Levando Deus a Sério. "Disse Jesus vem e segue-me". E ai, jovem... O que vai ser?

Por Pr. Willian Souza Pereira

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