As Marias e os soldados

As Marias e os soldados

Atualizado: Quinta-feira, 2 Fevereiro de 2012 as 10:12

(Mateus 28:1-10)

As primeiras pessoas às voltas com a ressurreição de Jesus estavam cuidando de assuntos que envolviam a sua morte. De repente, elas se vêem obrigadas a fazer uma mudança de 180 graus e começar a cuidar de assuntos pertinentes à vida. E no meio disso tudo elas ficaram totalmente fascinadas.

Mateus apresenta-nos Maria Madalena e uma mulher que ele chama de “a outra Maria”. No domingo logo cedo, elas vão fazer uma visita ao túmulo onde, na sexta-feira de tarde, tinham visto José de Arimatéia colocar o corpo crucificado de Jesus. Quando chegam ao túmulo, de repente o chão começa a tremer debaixo de seus pés — era um terremoto. Na seqüência, vêem o brilho de um relâmpago, que na verdade era um anjo. Essa mistura de terremoto com relâmpago faz os soldados romanos, que tomavam conta do túmulo, abandonarem o plantão. Assustados e sem entender nada do que estava acontecendo, eles desmaiam e ficam ali, esparramados pelo chão.

Mas as duas Marias estão ali de pé e ouvem o anjo, que lhes fala duas coisas: “Não temais” e “[ele] ressuscitou” (v. 5-6). Em seguida, o anjo lhes dá um recado que devem levar aos discípulos. Então, elas vão embora do túmulo, obedecendo à ordem do anjo. Profundamente fascinadas e tomadas de alegria, saem correndo para contar a novidade aos discípulos. Mas são obrigadas a parar ao ouvir alguém que as cumprimenta: “Bom dia!” (v. 9, msg). E, notando um tom de cordialidade no cumprimento, caem de joelhos diante do Jesus ressurreto. A primeira reação diante do Cristo ressurreto foi cair de joelhos em atitude de temor e reverência. Mas também houve certa dose de intimidade naquela reação, pois elas se atreveram a abraçar-lhe os pés e “o adoraram” (v. 9).

Juntos, esses dois elementos transformam-se em adoração. Ficar de joelhos diante de Jesus — uma expressão de reverência — não é em si mesmo adoração motivada pela ressurreição. Tocar e abraçar os pés de Jesus — uma expressão de intimidade — não é em si mesmo adoração motivada pela ressurreição. Reverência e intimidade não andam uma sem a outra. A reverência precisa banhar-se nas águas da intimidade, para que não se transforme num elemento estético frio e desligado da realidade. A intimidade precisa mergulhar nas águas da reverência, para que não se transforme em emoção eufórica. Aquelas mulheres sabiam o que estavam fazendo: elas estavam em contato com Deus na presença do Jesus vivo; por isso o adoraram.

Eu adoro observar a diferença entre aqueles soldados romanos — insensíveis e esparramados no chão, paralisados pelo medo — e aquelas duas mulheres exuberantes, de joelhos sobre o mesmo chão, energizadas pelo medo. Nos dois casos a palavra é a mesma —medo. Mas não é a mesma coisa. Há um medo que nos torna incapazes de estar em contato com Deus; e há um medo que nos resgata da preocupação com nós mesmos, com nossos sentimentos e com nossas circunstâncias e nos coloca num mundo que nos deixa fascinados. É um medo que nos resgata de nós mesmos e nos coloca na esfera de ação do próprio Deus.

“...ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor, pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele” Filipenses 2:12,13

(Retirado do livro “Viva a Ressurreição” de Eugene Peterson)

veja também