Meu, meu, tudo meu

Meu, meu, tudo meu

Atualizado: Quarta-feira, 23 Maio de 2012 as 11:15

“Vocês, orem assim: ‘Pai nosso, que estás nos céus! Santificado seja o Teu nome. Venha o Teu Reino; seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu.” Mateus 6:9-10
 
Quem gostava de gramática na escola levante a mão. Ninguém? Poxa, eu gostava.
 
Dentro da gramática existe uma classe de pronomes chamados de possessivos. São eles que fazem referência ao sujeito com indicação de posse. Na primeira pessoa eles são: meu, minha, meus, minhas. Mas por que estou dando uma aula chata de língua portuguesa no meio deste artigo? Você logo irá entender.
 
A sociedade individualista prega que devemos ser a pessoa mais importante para nós mesmos. Amor próprio acima de tudo é o que se prega. Não deixe ninguém te dizer o que fazer ou como agir, ninguém é superior a você, o que importa é seu bem estar. Lembro-me de uma certa serpente que queria a todo custo colocar isso na cabeça de um casal lá da antiguidade, e hoje vemos a cena se repetindo com muito frequência.
 
Disse a serpente à mulher: "Certamente não morrerão! Deus sabe que, no dia em que dele comerem, seus olhos se abrirão, e vocês serão como Deus, conhecedores do bem e do mal".Gênesis 3:4-5
 
Tudo bem, Jesus já nos havia alertado que isso iria acontecer, o mundo é assim mesmo, corrompido, guiado por seu “príncipe” que atende pelo nome de satanás. Mas o que realmente me preocupa é esse sentimento sendo nutrido dentro das igrejas, em ministérios de louvor que levam a palavra a milhões de pessoas através de suas músicas.
 
Não, não é errado pedirmos as bênçãos de Deus. Também devemos buscá-las, são presentes divinos para nós. Mas preste bem atenção nos louvores que mais tocam nas rádios evangélicas. Não vou citar nomes, pois é bem provável que a grande maioria deles seja do seu agrado. Todos recheados de pedidos, ou até “ordens” para Deus.  Remove a MINHA pedra, Hoje o MEU milagre vai chegar, Restitui EU quero de volta o que é MEU, MINHAS bênçãos, MINHA vitória.
 
Alguns beiram a blasfêmia ao colocarem Deus contra a parede e dizerem: Lembra Senhor, juraste o Teu amor e nada pode mudar o que sentes por mim, nem os meus pecados. Como é que é? Quando ouço isso o que me vem a mente é que posso viver de qualquer forma, afinal a graça do Senhor não pode me abandonar, Ele tem obrigação de me ajudar, pois meu nome está escrito em Suas mãos. Você pode até entender de outra forma, mas quem está sendo evangelizado com certeza vai ficar bem confuso.
 
O que aconteceu com os louvores que exaltam ao Senhor, com o “seja feita a TUA vontade e não a minha”, louvores que exaltam ao Deus que é e não apenas ao Deus que dá. Não estou aqui para criticar músicos e suas letras, mas para fazer uma reflexão sobre que tipo de louvores eu tenho entoado ao meu Deus. Isso se reflete não apenas em louvores, mas nas pregações, discursos, artigos, tudo se move ao redor do “EU” do ser humano e longe do próprio Criador.
 
O que temos que ter em mente, é que se o Senhor não nos der mais nada daqui prá frente, não significa que ele deixou de nos amar ou nos abandonou. Nossa maior benção já está garantida, Cristo já nos resgatou na cruz e tudo o que vier daqui pra frente é só lucro.
 
Deixemos então de sermos cristãos pidonhos, que choram e gastam todas as suas lágrimas fazendo clamores e pedidos à exaustão, aquilo que só satisfaz o nosso ego. Não vivemos de bênçãos, vivemos pela graça, e de graça temos muito mais do que merecemos. O que nos resta então é louvor, adoração e agradecimento, as outras coisas virão.
 
“Nunca vi um justo sem resposta ou ficar no sofrimento. Então louve, simplesmente louve, tá chorando? Louve. Precisando? Louve, tá sofrendo? Louve, não importa louve!”
 

Por: Ricardo Rodrigues

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