Tatuagens e Brincos

Tatuagens e Brincos

Atualizado: Sexta-feira, 29 Abril de 2011 as 9:18

Muitos de nós criamos alguns padrões doutrinários que, na maioria das vezes são regras que não têm fundamentos Bíblicos e, transformamos isso em princípios inegociáveis.

Vejamos abaixo alguns versículos que já vão nos fazer pensar sobre esse assunto e comparar com a realidade de hoje:

I Co 11:14 a 15 - "Ou não vos ensina a mesma natureza que é desonra para o varão ter cabelo crescido? Mas ter a mulher cabelo crescido lhe foi dado em lugar do véu". (Era uma questão cultural da época) Lv 19:27 - Não cortareis o cabelo, arredondando os cantos da vossa cabeça, nem danificareis as extremidades da tua barba. (Não existe mais esse paradigma nos dias atuais) Ez 44:20 - E não raparão a sua cabeça, nem deixarão crescer o cabelo; antes, como convém, tosquiarão as suas cabeças. I Co 14:34 - "Mulheres estejam caladas na igreja, por que não lhes é permitido falar, mas estejais sujeitas como ordena a lei; se querem aprender alguma coisa interroguem em casa seus maridos; porque é indecente que as mulheres falem na igreja". I Tm 2:11 a 12 - "A mulher aprenda em silêncio, em toda a sujeição. Não permito que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido, mas que esteja em silêncio" (Era uma questão totalmente cultural. Lembremo-nos de mulheres que o próprio Deus deixou registrado em Sua palavra como, por exemplo, Rebeca. Ela foi juíza e líder); Ex 32:2 - E Arão lhes disse: Tirai os pendentes de ouro que estão nas orelhas de vossas mulheres, de vossos FILHOS e de vossas filhas, e trazei-mos. (O pedido para tirar os pendentes da orelha foi para que o ouro fosse usado para fundição, nesse caso de uma imagem, que claro desagradava a Deus. Mas o que quero ressaltar no texto é que era comum para eles usarem pendentes nas orelhas e isso não era condenado). Quantas dessas ordenanças se tornaram obsoletas no contexto da igreja atual e como muitos usaram alguns versículos para criar padrões que o Senhor não determinou? Essas regras tinham a ver com a questão cultural da época ou pregavam contra ações que determinavam paganismo e adoração a outros deuses naquela geração.

Hoje vemos homens de cabelo comprido, outros de cabeça raspada, mulheres de cabelos curtos, mulheres que ensinam e que são líderes, outras que usam calça, maquiagem, entre outras práticas comuns a nós hoje, mas que há 20 ou 30 anos atrás seriam um verdadeiro escândalo.

Vemos também como essas diferenças não influenciam em nada no que diz respeito à unção de Deus, à santidade e tudo o que caracteriza um filho de Deus.

Eu creio que a grande questão nisso tudo não é a aparência, mas a motivação.

Há casos onde a rebeldia e desobediência são marcadas pela mudança da aparência, seja ela desde uma tatoo ou até um simples corte de cabelo.

Pessoas que fizeram tatuagens demoníacas que marcam um tempo de trevas em suas vidas ou tatuagens dedicadas a pessoas que já morreram. Pessoas que tomaram atitudes sem autorização de seus pais e/ou cônjuges ou ainda sem sentirem paz no Espírito Santo fizeram tais coisas. Isso sim pode caracterizar pecados relacionados à aparência. Mas, uma vez estando no Senhor e tendo se arrependido, Deus perdoa e dos pecados não se lembra mais.

Mas na verdade queridos, a desobediência ao Senhor não está somente ligada à aparência, mas a tudo que Deus não nos mandou fazer e estamos fazendo. Inclusive coisas politicamente corretas que "fazemos para Deus" e na verdade Ele não nos pediu. Ações que recebem o aplauso dos homens e que para Deus não tem valor algum.

Paulo nos fala algo mais sobre regras humanas em Colossenses:

Cl 2:20 a 23 - "Já que vocês morreram com Cristo para os rudimentos desse mundo, porque, agindo como se ainda pertencessem ao mundo, vocês se submetem a regras como: Não manuseies não toques, não provem? Todas essas coisas estão destinadas a perecer pelo uso, pois se baseiam em mandamentos e ensinos humanos. Essas regras têm de fato aparência de sabedoria, com sua pretensa religiosidade, falsa humildade e severidade com o corpo, mas não têm valor algum para refrear os impulsos da carne". Paulo aqui está falando sobre regras que, sem fundamento, têm aparência de sabedoria, de zelo pelo evangelho, aparência de santidade, mas na verdade são inúteis, farisaicas e moralistas. E muitos usam textos isolados para respaldar crendices ou suas decisões pessoais.

Creio que para tudo o que vamos fazer precisamos perguntar ao Espírito Santo se assim deve ser feito e acredito que pra uns ele dirá sim e para outros Ele dirá não de acordo com sua vontade e propósito individual.

Há um texto bíblico muito usado para condenar tatuagens:

Lv 19:28 - Pelos mortos não dareis golpes na vossa carne; nem fareis marca alguma sobre vós. Eu sou o SENHOR. Nesse contexto Deus está falando a respeito de coisas feitas em culto aos mortos. O que está em questão não é a marca no corpo, mas o propósito dela.

Porém, há outro versículo que defende a marca no corpo sendo ela feita ao Senhor!

Is 44:5 - Este dirá: Eu sou do Senhor; e aquele se chamará do nome de Jacó; e aquele outro escreverá na própria mão: Eu sou do Senhor;e por sobrenome tomará o nome de Israel. É estranho escrever algo permanente na pele sem marcar. Seria isso como uma tatuagem?

Ez 16:12 - E te pus um pendente no nariz, e arrecadas nas orelhas(brincos em forma de argola), e uma linda coroa na cabeça (Palavras do Senhor para Jerusalém) Alguns perguntaram: "Mas por que se Tatuar?"

"Pelo mesmo motivo que muitos pintam o cabelo, usam brinco, compram roupas novas, fazem academia".

Não há fundamento bíblico para condenar essa prática. Portanto precisamos sentir paz no Espírito Santo em tudo o que fazemos.

Não faça em rebeldia. Tenha o aval de sua liderança e familiares.

Amemos uns aos outros, os que usam e os que não usam tatuagens, não importa! Precisamos entender que somos diferentes uns dos outros, porém filhos do mesmo Pai...

Na paz daquele que nos adorna.

Pr. Felipe Heiderich

Felipe G. Heiderich Segundo é teólogo - formado pelo Seminário Unido do RJ -, pastor, escritor e atua na Primeira Igreja Batista de Engenho do Porto, Duque de Caxias (RJ). Escreve artigos e ministra palestras para jovens, promovendo reflexões sobre espiritualidade e cotidiano.

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