O mito das aparições de Fátima

O mito das aparições de Fátima

Fonte: Atualizado: sábado, 29 de março de 2014 03:27

Fátima, no princípio do século, era uma pequena aldeia, onde seus moradores viviam da agricultura de subsistência e da criação de ovelhas. A terra árida e pedregosa, fornecia, com muito suor, o pão de cada dia para os camponeses, todos humildes. Aljustel, é uma localidade bem próxima, na época habitada por 25 famílias, perfazendo um total de cem pessoas. Ali nasceram Lúcia de Jesus e seus primos Francisco e Jacinta Marto. Entre abril e outubro de 1916, as três crianças afirmaram ter tido, por três vezes, uma ''visão'' em comum de uma ''criatura'' que lhes teria dito: ''Os Corações Santíssimos  de Jesus e de Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei constantemente sacrifícios, de tudo que puderdes. Atraí, assim, sobre a vossa pátria, a paz. Eu sou o Anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal. Sobretudo, aceitai, com submissão, o sofrimento que o Senhor vos enviar''. Por aí já se pressente ''um outro evangelho''!

Será que houve mesmo as ditas ''aparições de Fátima''? Ou não passam de mito?  A pregação com cores dantescas que os padres faziam nas chamadas ''missões populares'', pelas paróquias portuguesas, não podem ter impressionado tanto as crianças, que elas acabaram por ver e ouvir tudo aquilo que viam e ouviam, quando ouviam os pregadores e os próprios párocos, na assim chamada ''santa missa'' paroquial e na catequese? As ''aparições''  não serão uma hábil ''montagem pastoral'',  preparada, como uma espécie de parábola pastoral da época, bem ao gosto popular, com a finalidade de, através dela, catequizar uma população analfabeta que, de outro modo, não o chegaria a ser? A catequese familiar e paroquial, mais as pregações dominicais e outras, então, muito freqüentes, constituíam um gênero não menos intenso.

Os livros de Lúcia de Jesus - chamados de ''Memórias da Irmã Lúcia''  I e II - surpreenderam tanto os críticos romanistas de Fátima que estes passaram a chamar-lhes ''Fátima II'', tão diferentes eles eram dos relatos primitivos de 1917, que, por isso, passaram a ser referidos como ''Fátima I'' e  que não passam, estes últimos, de curtos depoimentos das três crianças ditas ''videntes''. Estes livros não deixam dúvidas a quem os souber ler nas entrelinhas, criticamente, sem se deixar envolver no misticismo religioso em que eles nos aparecem escritos. O terror é uma constante nas vidas dessas três crianças. Em 1917, as três crianças alegaram ter tido novamente ''visões'' em comum, dessa vez com ''nossa senhora''. Pairava a ''criatura'', segundo elas, sobre uma pequena árvore, conhecida por azinheira, muito encontrada em regiões áridas, e teria ordenado que, nos próximos seis meses, a cada dia 13, ao meio dia, os primos voltassem àquele local, para receber novos ''ensinamentos''.  Durante as ''aparições'', Francisco, então com nove anos, apenas ouviria sons, que não conseguiria identificar. Jacinta, com sete anos, veria e ouviria perfeitamente a ''criatura''. Lúcia, com dez anos, veria, ouveria e conversaria.

Depois das ''visões'', os três não tinham forças nem para falar, tamanho era o seu abatimento físico. Logo na suposta ''primeira aparição'', teria sido perguntado: ''Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido?''. Diante da resposta afirmativa das crianças, a ''criatura'' teria ordenado: ''Ides, pois, ter muito que sofrer''. Na ''aparição'' do dia 13 de outubro de 1917, a ''criatura'' teria pedido que fosse cosntruída uma capela em sua honra, exatamente naquele local, comunicando que, em breve, Francisco e Jacinta, morreriam. Teria dito ainda: ''O meu imaculado coração será o refúgio e o caminho para conduzir a Deus''. Vemos nestas afirmações algo sacrílego, um ''outro evangelho'', pois, a Bíblia Sagrada, entretanto, é clara quando diz: ''Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim'' (João 14.6).

Segundo registra a crença popular da localidade, após essa ''aparição'', o Sol teria se tornado como um disco de prata, girando sobre si mesmo. Desde então, não mais cessaram de recorrer a ''senhora de  Fátima'' milhares de  ''peregrinos'' de todo o mundo, perfazendo um total anual de quatro milhões. O ''fenômeno'' do Sol, ''durou doze minutos'', mas o fato de dois milhões de pessoas no mundo inteiro jamais terem notado o Sol se agitando, rodopiando e pulando fora de sua órbita, não preocupava a Igreja Romana, que sempre sustentou este fato sem nenhuma comprovação científica!

Lúcia de Jesus, nasceu no dia 22 de março de 1907 - era a única sobrevivente, estando  com 98 anos quando veio a falecer, recentemente -, sendo a última de sete irmãos, cinco moças e um rapaz. Alguns clérigos mais fanáticos do catolicismo obscurantista e moralista de então, haviam conseguido arrastar a pequena Lúcia, pouco depois de 1917, para fora da aldeia e encurralaram-na, primeiro, no Asilo de Vilar, no Porto, e, depois, num convento da Galiza. Foram ao ponto de lhe arrancar o nome - o mesmo que tirar-lhe a identidade! - e passaram a chamar-lhe Irmã Maria das Dores. Ao mesmo tempo, proibiram-lhe que falasse a quem quer que seja sobre as ''aparições''. Deram ordens à Irmã Maria das Dores - atualmente ela é, de novo, Irmã  Maria Lúcia de Jesus, acrescido,  e do Coração Imaculado - sempre em nome, é claro, do voto de obediência, para que ela escrevesse, sob as ordens do seu confessor! E até lhe forneceram, antes de cada relato, orientações muito precisas sobre o que ela deveria escrever. Por isso, ''Fátima II''!!! O que a Irmã Maria Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado havia relatado antes continuava a ser insuficiente para impor Fátima à Igreja Romana e ao mundo!  A ordem agora é: escrever tudo o que recordasse sobre o Francisco, como tinha feito para a Jacinta. Uma nova história das ''aparições'', com mais pormenores. Tudo o que ainda pudesse ''recordar'' sobre a Jacinta.

Jacinta e Francisco Marto eram crianças alegres, que viviam a correr pelos campos. Após as ''aparições'', tornaram-se tristes e pensativos. Essa mudança era, para os moradores da localidade, sinal de que as ''aparições'' não poderiam ser algo divino, pois lhes teria feito mal. Francisco e Jacinta morreram aos onze e dez anos, respectivamente. Francisco foi o primeiro, no dia 04 de abril de 1919, às 22hs. O pai de Lúcia havia morrido pouco antes, por causa de uma pneumonia dupla, que o levou em menos de 24 horas. Ele se orgulhava de nunca ter tido  uma dor de cabeça sequer. Jacinta ainda esteve por dois anos acamada pela mesma enfermidade.  No ano anterior ao qual a doença se manifestou, em outubro de 1918, a menina disse sentir muita dor de cabeça e sede, mas se recusou a beber qualquer líquido durante todo o dia, em ''sacrifício pelos pecadores''.  Seu sofrimento aumentava a cada dia, mas, segundo relata a Irmã Maria Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado, acreditava estar sendo abençoada, por poder oferecer suas dores pelos pecados do mundo! A Palavra de Deus diz: ''Jesus, porém, tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus'' (Hb 10.12).  A Irmã Lúcia afirma que Jacinta, em seu leito de dor, teria tido uma visão da ''virgem''. Esta lhe teria dito que morreria na solidão, após muitos sofrimentos, necessários para reparação dos pecados contra o ''Coração Imaculado de Maria''. Até o dia de sua morte, em 20 de fevereiro de 1920, às 22h30m, Jacinta teve uma grande ferida aberta em seu peito, que jamais se fechou.

Só uma teologia idólatra, como a da ''deusa / senhora de Fátima'', poderia acabar de matar de medo, de fome e sede duas crianças portuguesas da aldeia de Aljustel, Francisco e Jacinta, e seqüestrar para o resto da vida, por sinal longa - 98 anos! - uma terceira criança, a Maria Lúcia, só porque, naquela altura, todas as três começaram a dizer que a ''criatura'' lhes apareceu e falou! O Francisco bem dizia que nunca ouviu anda, mas de nada lhe valeu, porque continuaram a considerá-lo em pé de igualdade com as outras duas e, hoje, acaba de ser ''canonizado'' pela Cúria Romana, juntamente com a Jacinta! Só uma teologia idólatra e diabólica, como a da ''senhora / deusa de Fátima'' , pôde justificar e alimentar dolorosas e prolongadas guerras frias mundiais, movidas por infantis anticomunismos primários, mas, entretanto, ignorar, por completo, os campos de extermínios nazistas, cujo papa Pio XII foi silenciado por Adolf Hitler, a preço de barras de ouro, recentemente descobertas e divulgadas pela revista Visão, de Portugal,  daí por que ele foi chamado de ''O Papa de Hitler'', canonizar outros crimes hediondos, como a guerra colonial na África, sacralizar ditadores como o  ditador de Portugal, Antônio de Oliveira Salazar e seu comparsa cardeal Antônio Cerejeiras e impor regimes fascistas como o dele, ao mesmo  tempo que mantinha resignadas e conformadas na miséria mais imerecida, no analfabetismo e no obscurantismo mais que atrozes,  populações inteiras. Voltaremos ao assunto. Com certeza.

Pr. José Barbosa de Sena Neto foi sacerdote católico romano, tendo pertencido à  ''Ordem dos Frades Menores Capuchinhos-OFMCap'' e, posteriormente, integrante do clero diocesano, exercendo o sacerdócio católico romano durante 22 anos consecutivos, além dos 12 anos em seminário menor e maior e noviciado. Trabalhou no interior de São Paulo e os últimos 10 anos, no interior do Estado do Ceará, 3 anos dos quais  na Região do Cariri, na cidade do Crato e os últimos 7 anos  na região do Sertão Central,  na cidade de Quixadá. Após deixar o Catolicismo, fez curso de bacharel em Teologia,  pelo Seminário Bíblico de São Paulo e, após  aprovado em concílio examinatório, foi ordenado pastor batista no dia 08 de outubro de 2000.  Tem mestrado em Teologia Pastoral pelo Seminário Teológico de Fortaleza, além de  licenciatura plena em Filosofia, Pedagogia, Letras/Espanhol e História, pela Universidade Estadual Vale do Acaraú-Sobral/CE. É professor, educador, administrador escolar, orientador educacional, ministra seminários para casais e noivos, palestrante em acampamentos e retiros para jovens e adolescentes. É capelão hospitalar, orientador e ministrante de curso de Capelania Hospitalar. Tem percorrido todos os estados brasileiros e sua principais cidades, atendendo a convites, ministrando conferências evangelísticas, inserindo seu testemunho de vida, como ex-padre. Suas palestras são gratuitas.  

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