Sábio Abraão

Sábio Abraão

Fonte: Atualizado: sábado, 29 de março de 2014 03:32

Entre Abraão e Salomão há uma distância significativa. Não a distância temporal, necessariamente, mas uma distância metodológica. Abraão não construiu templos. Sua missão foi cumprida enquanto armava tendas e até a sua morte de nada se envaideceu. Deixou sua marca na história como alguém que amou ao Senhor e em nome desse amor abriu mão de seu patrimônio, sua terra e sua parentela.

Salomão teve um ministério um tanto mais suntuoso: construiu o palácio e o Templo, foi Rei em Israel e ressaltou toda a nobreza do ouro. Por conseqüência, foi um líder tentado pela vaidade, de tal sorte que ele mesmo advertiu a respeito dos perigos da presunção e da soberba. Salomão decerto sabia que a vaidade é um terreno minado sobre o qual uma liderança tende a se autodestruir.

A vaidade parece ser um tema ainda atual. O apego desmedido pelos projetos, o desespero para se afirmar no cenário, a busca alucinada pelo sucesso e pela fama leva muitos a se render à vaidade. Uma verdadeira bobagem, na opinião do sábio de Israel.

Mas é Salomão que me ensina que eu não preciso me limitar às tendas para fugir da vaidade. Posso, sim, buscar prosperidade, lutar pela expressividade do meu ministério, desejar um palácio e um templo não menos valorosos. Entretanto, é no princípio da sabedoria que encontro a moderação. Um líder tolo se deixa encantar pelo patrimônio e se perde em sua missão.

Em Abraão encontro o caráter do líder chamado por Deus: alguém desapegado das coisas que estão à volta. Tem uma visão clara de sua vocação e a segue destinado a cumpri-la, a qualquer custo. Em Salomão encontro a disposição para o trabalho, necessária a qualquer líder. Mas encontro nele também o fracasso de quem se deixa seduzir pela riqueza e pelas conquistas pessoais, em detrimento de sua sabedoria.

Abraão está quase sucumbido pelas réplicas frustradas de Salomão, nos tempos modernos. Muitos de nós valorizamos em excesso nossos projetos pessoais de construir o palácio e isso acaba por nos colocar em clausuras ministeriais. Perdemos precioso tempo. Poderíamos nos envolver mais com o cerne da missão que Deus nos confiou: ganhar almas e pastoreá-las, não para glória própria, mas para honrar nosso Senhor.

Precisamos ser mais flexíveis ao Senhor e à sua Obra. Nada pode ser mais valoroso do que pregar a Cristo, e este crucificado. A religiosidade nos afasta, Cristo nos une. A vaidade nos distancia, obriga-nos a competir. Cristo nos esvazia da prepotência. Independente das nossas denominações, nosso alvo tem que ser o mesmo: convergir todas as coisas a Cristo Jesus. Seja esta a nossa missão neste ano. Que nos desnudemos de qualquer vaidade e levantemos juntos a mesma bandeira. Que façamos da nossa missão mais importante que a nossa vida, como faziam os Apóstolos. Que estejamos prontos a renunciar caprichos e opiniões em favor da pregação simples e pura do Evangelho, cujo nome nos identifica. Façamos valer o ministério que Deus nos entregou. Amém. Jabes de Alencar é pastor, presidente do Conselho de Pastores e Ministros do Estado de São Paulo e do Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos do Brasil.

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