Família: nossa esperança

Família: nossa esperança

Fonte: Atualizado: sábado, 29 de março de 2014 03:32

Não quero usar esta oportunidade para enfatizar notícias que a mídia já tem divulgado massivamente. Porém, não posso perder a chance de parar e refletir nos fatos que têm acontecido nos últimos dias relacionados à família, e que têm chocado toda nação brasileira e certamente o mundo.

Estou falando do escândalo acontecido em São Paulo envolvendo um tenente da polícia militar daquele estado e também do caso recentemente descoberto de uma garota de 12 anos que foi abusada sexualmente desde oito anos de idade pelo seu próprio tio, que por sua vez era um pai de família. Creio que nossos leitores sabem que a questão da pedofilia e homossexualismo, no caso do militar, culminou, dentre outras desgraças, no suicídio do referido tenente.

Nos últimos anos parece que o valor da vida, a referência de respeito, o amor (verdadeiro) e o senso de família têm desaparecido completamente das mentes de muitas pessoas. E isso tem gerado uma grande tristeza no coração daqueles que tentam sobreviver, inclusive com suas famílias, em meio a uma sociedade tão pervertida, que chega a ser algumas vezes quase letal, senão o é, para a esperança que talvez, uns poucos ainda têm de ver um mundo sarado para as gerações futuras.

Os casos do tenente envolvido com pedofilia (como foi comprovado por gravações telefônicas feitas pela própria polícia e divulgadas pela imprensa) e dessa criança de doze anos, certamente não são os únicos existentes e sim apenas alguns dos poucos que vieram à tona. Eles nos levam a pensar a que nível de degradação o ser humano tem chegado. Principalmente, quando vemos homens da lei, nos quais confiamos a segurança das nossas famílias, perdendo totalmente a referência de quem de fato são. Vale ressaltar que não estou avaliando uma corporação como a polícia de São Paulo em função de atitudes de indivíduos que se manifestam desequilibrados em algum momento.

Na verdade, o que quero é mostrar minha inconformação com a aceitação social dessas desgraças que têm assassinado muitas famílias com "punhaladas" cravadas bem no centro do coração da família. Até quando vamos ver casos de abusos, pedofilia, imoralidade e muito mais acontecendo à nossa volta, e nós como sociedade vamos dizer: "Ah! É apenas mais um caso!"

Temos que acordar e ver que o fato dessas coisas acontecerem às vezes em locais geográficos diferentes de onde estamos, ou seja, não em nossa família, nossa casa, ou nossa rua, não quer dizer que não seremos afetados pelas conseqüências originadas dos casos de violência à integridade do ser humano. Certamente que todos sofrerão com as conseqüências. No caso do tenente suicida, não podemos pensar que só sua esposa, seus filhos e demais parentes padecerão. Ou que somente os pais dessa menina, ela mesma e seus irmãos sentirão a dor. É claro que eles serão tocados diretamente, mas nós, a princípio, indiretamente.

Digo isso pensando nas futuras gerações cheias de indivíduos muito mais desequilibrados, delinqüentes que sequer poderão formar novas famílias porque foram feridos em suas mentes, vontades e sentimentos, por sofrerem abuso sexual, tortura psicológica e violência em seus relacionamentos. Isto é, tiveram sua referência familiar e pessoal "estuprada" por outros que certamente estão apenas repetindo o processo ao qual um dia, provavelmente foram submetidos.

Algo interessante que a Bíblia nos ensina é que você só pode dar aquilo que você tem. Então, precisamos reconhecer que há algo a ser feito, caso contrário, a futura geração não terá muito que oferecer senão mais sofrimento. Confesso que não tenho uma receita para ser aplicada nesses casos. Porém, como diz o ditado: "há uma luz no fim do túnel".

Permita-me compartilhar o que tenho experimentado nesses últimos dias. Participei de uma conferência internacional em Belo Horizonte, onde havia muitos líderes cristãos de vários países e também do Brasil, e ali tudo o que vimos, em suma, foi o mover que Deus tem feito em todo mundo, através de Sua Igreja, para transformar cada nação, cidade, bairro, família e indivíduo. Foram tantos testemunhos impactantes que palavras digitadas não podem mensurar o impacto causado. O que quero com essa menção é dizer que ao ver todas as atrocidades que têm atingido a família como "instituição", só há uma maneira como devemos reagir frente a tais coisas. E essa maneira é trabalharmos coletivamente para o bem comum. Deixarmos de lado a mentalidade de que não temos nada a ver com o que se passa e orarmos juntos e agirmos juntos para ajudar aqueles que estão atolados em suas confusões espirituais e mentais. Quando assim fizermos veremos efetivamente a mão de Deus nos fortalecendo para vencermos as fraquezas que estão destruindo as raízes da família. Portanto, "...há esperança para a árvore que, se for cortada, ainda se renovará, e não cessarão seus renovos." (Jó 14.7)

Jean Carlos é pastor, cursou seminário teológico; professor e intérprete da língua Inglesa - graduado em Letras (UFMG); colunista da Revista Cristã. Casado com Katy Bastos com quem tem um casal de filhos.

Contato: [email protected]  

*Os artigos assinados expressam a opinião de seus autores e são de responsabilidade dos mesmos.

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