Acampamento Farroupilha oferece churrasco noite e dia

Acampamento Farroupilha oferece churrasco noite e dia

Atualizado: Terça-feira, 20 Setembro de 2011 as 11:06

Um dos fatos mais marcantes para o visitante do Acampamento Farroupilha, que reúne turistas e tradicionalistas gaúchos por semanas em piquetes no Parque da Harmonia, em Porto Alegre, é o cheiro de churrasco. Ao entrar no Parque, a qualquer hora do dia, é possível visualizar a fumaça e sentir, de cara, o odor de carne assando em quase todas as cabanas, uma ao lado da outra.

Nesses piquetes, algumas pessoas ficam acampadas por dias, cuidando do espaço que serve para valorizar a tradição gaúcha. Há piquetes de hospitais, de lojas, de universidades, de estâncias, de bancos; são cabanas, de madeira, com uma estrutura capaz de permanecer por vários dias, independente das condições do tempo. Nesses piquetes, a comida principal é a carne, em todas as suas variações. O churrasco, assado na lenha ou no carvão; o carreteiro, com as sobras do churrasco; os espetinhos e "entreveros", nas bancas.

Chegando pela manhã, pelo meio da tarde ou pela madrugada, sempre tem alguém assando uma carne. No Piquete Dois Amigos, no meio da tarde, estavam Gildo Costa e seu filho, Ataliba, assando uma costela inteira de boi. "O único tempero que usamos é o sal", diz Ataliba, orgulhoso da peça que vai ao fogo. Desde as primeiras horas da manhã, Gildo e Ataliba estavam sobre o fogo, lidando com variadas peças de carne sobre a brasa. Não cansa? "Não. Isso tudo dá muito prazer, especialmente a bebida, os amigos, e o cheiro da fumaça", diz Gildo, que alega não se empanturrar de carne diante do espeto. Seu filho complementa: "comemos pouco, mas a melhor carne é a que está aqui perto", diz Ataliba, se referindo às lascas que saem de vez em quando.

No piquete Amizade Campeira, Joel dos Santos assava ao mesmo tempo uma peça de vazio, uma costela, duas costelas de porco e salsichão. Ofereceu uma cerveja, por hospitalidade, e disse que passava o dia inteiro servindo a quem estivesse com fome; não precisava nem ser do piquete. Tempero usado? "Só sal. Esse é o típico churrasco gaúcho", afirmou. "Aqui o importante é honrar as tradições. A gente começa assando de manhã e vai até tarde da noite, e amanhã, cedinho, começamos tudo de novo", diz Joel, funcionário público.

A água do chimarrão é aquecida em fornos à lenha, com brasa longa e permanente, capaz de manter várias chaleiras chiando sem necessitar sequer de uma térmica. No acampamento, a imensa maioria dos piquetes tem grandes reservas de lenha, o que garante a brasa quente a qualquer hora. Para aproveitar a carne que sobrou, seja de frango, gado ou porco, carreteiro e arroz com galinha são as opções mais utilizadas durante a noite. Aí, o tempero pode variar um pouco, utilizando as cebolas e os tomates que sobraram das saladas do almoço. Porém, ainda assim, o churrasco é maioria nos piquetes, para receber os convidados que trabalharam durante o dia.

Mesmo com a fartura, as praças de alimentação lotam, para aqueles que vão ao parque sem vínculo com algum piquete ou pretendem experimentar algo diferente. Além do algodão-doce e dos picolés, comuns em qualquer grande evento, as bancas oferecem grande variedade de doces típicos. No Rei do Doce, por exemplo, os funcionários se dividem para mexer a grande panela de melado. Dali saem rapaduras, cocadas, pés-de-moleque, e outras guloseimas muito requisitadas pelos visitantes.

Quem quer comer algo salgado também tem opção: uma das mais famosas é o "entrevero".

Por R$ 10, o visitante tem direito de comer um pão recheado com carne de gado, porco, frango, cebola, linguiça e salsichão. Para quem é econômico na quantidade de carne, espetinhos são uma pedida: no fim da tarde, a quantidade de xixos (espeto com carnes de gado, frango, cebola e pimentão) é tão grande em uma das bancas que a espera não dura mais que dez minutos.

Ainda que sem muita variedade de temperos, o Acampamento Farroupilha é uma suculenta opção para quem é admirador de um bom churrasco e, especialmente, do convívio em torno da tradição gaúcha. E quem quer aprender a fazer um bom assado, tem no acampamento uma mostra típica de como fazer uma carne ao estilo gaúcho.

Faça um churrasco tipicamente gaúcho

Para quem ficou com água na boca mas não pode participar da festa do Acampamento, o assador Lenir Magnani, da churrascaria Na Brasa, ensina como preparar uma costela típica do Rio Grande do Sul.

Se for fazer um churrasco gaúcho original, é preciso cavar um buraco no chão, diz Magnani. Dentro dele vai a lenha para assar pedaços grandes de carne. No entanto, esse método hoje em dia é pouco usado, apenas em festas típicas.

Para as usuais churrasqueiras, siga o passo a passo do assador:

- Escolha da costela: "A costela é uma carne de segunda e é mais dura. Para conseguir uma carne macia, é preciso escolher bem o pedaço de costela e assar apenas com sal grosso", diz Magnani

- Opte por ossos finos (no máximo na largura de um dedo)

- a altura da carne deve ser de no mínimo 3 cm e com bastante gordura (é a gordura que ajuda a amaciar e a dar sabor)

- Temperar com bastante sal grosso

- Colocar a costela virada com o osso pra baix

- Assar por aproximadamente 50 minutos e virar do outro lado para grelhar.

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