Bahia passa por revolução na área gastronômica

Bahia passa por revolução na área gastronômica

Atualizado: Quarta-feira, 5 Agosto de 2009 as 12

Nos últimos cinco anos, a Bahia vem passando por uma revolução gastronômica que pode ser percebida sob diversos aspectos: seja pelo boom de novos restaurantes, que estão cada vez mais sofisticados, pela realização de eventos voltados para este setor ou pela crescente abertura de cursos de nível superior. Para se ter uma ideia, há três anos não havia sequer uma opção de graduação disponível na área. Hoje, Salvador oferece cinco cursos superiores em gastronomia e em 2010 terá mais um.

Isso sem falar do visível e crescente interesse dos baianos em  aprender e degustar  pratos e bebidas diversas, dando o tom do potencial que este segmento possui. E o melhor é saber que a Bahia está apenas engatinhando neste cenário em comparação a outros estados. Ou seja, ainda há muito campo a ser explorado e, consequentemente, um promissor  mercado de trabalho pela frente, conforme afirma o  chef e proprietário do Restaurante Amado, Edinho Engel.

O Senac - Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial, um dos primeiros centros educacionais a oferecer cursos profissionalizantes na área, vem acompanhando essa evolução. "De cinco anos para cá, houve um crescimento de 80%,  tanto no número de alunos, quanto de empresários que buscam profissionais formados", diz Marina Almeida, diretora regional da instituição. Cerca de 20 mil alunos passaram pelos cursos de gastronomia do Senac em 2008.

"Este é um mercado em expansão. Essa nova era engloba muita mão-de-obra, uma força de trabalho qualificada. Antigamente, os restaurantes eram compostos por pessoas com baixo nível de qualificação. Os jovens empregados não tinham formação e os postos de trabalho eram considerados subempregos. Hoje, esta é uma profissão glamourizada, pois são contratadas pessoas com alto nível de formação", avalia João Leme, presidente da  Associação Brasileira da Alta Gastronomia (Abaga).

Salários

A remuneração para os profissionais da área vai dos tímidos R$ 475 por mês, para os ajudantes de cozinha, passando por salários de R$ 600 a R$ 1 mil para cozinheiro, saladeiros e patisseiros, entre R$ 600 e R$ 2 mil para os maîtres, até os generosos R$ 17 mil mensais para os chefs mais experientes. Isso sem falar nos estágios em cozinha, que geralmente não oferecem bolsa-auxílio, mas são indispensáveis para quem deseja fazer carreira na área.

Os profissionais mais requisitados deste segmento, segundo informações do Senac, são os auxiliares de cozinha, cozinheiros, saladeiros, patisseiros, confeiteiros e maîtres. A coordenadora do curso de gastronomia da Ufba, Roseanne Dantas, destaca outras duas especialidades. "São muito demandados pelo mercado os especialistas em empratados - pratos ornamentados e porcionados para uma pessoa - e os que dominam as boas práticas de manipulação de alimentos".

Nesta última especialidade, o profissional precisa saber tudo sobre higienização corporal dos profissionais e do ambiente onde os alimentos serão manuseados, além das regras de armazenamento e manipulação exigidas pela Anvisa.  Segundo Roseanne, uma pessoa que entende de boas práticas de manipulação de alimentos pode cobrar a partir de R$ 3 mil pelo projeto de consultoria mais a elaboração de manual para cada restaurante. "Há muito mercado para esta especialidade, já que a maioria dos restaurantes ainda não segue essas práticas", frisa ela.

Pizzas

Outra ocupação que a cada dia ganha mais campo de trabalho é a de pizzaiolo. "Pizza é o grande negócio em termos de rentabilidade, por causa do baixo custo de produção", avisa Roseanne Dantas, da Ufba. "As pizaarias se tornaram mais sofisticadas e o profissional tem que estar pronto para esta nova proposta", destaca Marina Almeida.

Alguns cursos superiores de gastronomia contemplam a disciplina de panificação na sua grade, mas quem está em busca de cursos mais rápidos pode optar pelas aulas de pizzas do Senac, que saem  por R$ 60 e tem duração de 16 horas.

Postado por: Felipe Pinheiro

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