Café: o grande motivador da imigração japonesa

Café: o grande motivador da imigração japonesa

Atualizado: Segunda-feira, 23 Junho de 2008 as 12

Foi em busca do sonho cafeeiro, que 781 japoneses desembarcaram no porto de Santos, do navio Kasato Maru, no dia 18 de junho de 1908. Abrigados na Hospedaria de Imigrantes, em São Paulo, foram aos poucos conduzidos às fazendas de café. Antes disso, no final do século XIX, o café também havia sido o motivador de iniciativas de imigração japonesa, com a viagem cancelada na última hora em virtude da crise que enfrentava o produto e que perduraria até 1906. Com a retomada do mercado, em 1907, o governo brasileiro publica a Lei da Imigração e Colonização, permitindo que cada Estado definisse a forma mais conveniente de receber e instalar os imigrantes.

O Estado de São Paulo firma então um acordo para a introdução de três mil imigrantes japoneses num período de três anos. Foi desta iniciativa que hoje o Brasil concentra a maior comunidade nipônica fora do Japão. Contudo, nas fazendas cafeeiras, os imigrantes de costumes tão diferentes sofreram um duro período de adaptação. Aos poucos, os conflitos entre trabalhadores japoneses e colonos brasileiros foram diminuindo, as lavouras prosperaram e foram incentivadas novas imigrações. Através de um sistema de parceria com o fazendeiro, muitos japoneses conseguiram comprar seus primeiros pedaços de terra. Tal ascenção social no Brasil resultou, para a grande maioria dos imigrantes, a permanência definitiva no páis.

O Japão é o quarto maior mercado consumidor de cafés do Brasil, adquirindo mais de dois milhões de sacas de café por ano. A primeira remessa ocorreu também há 100 anos, com registro de embarque de aproximadamente 600 sacas de café para o Japão. Depois da imigração pioneira, a influência japonesa pode ser vista em importantes regiões produtoras, no trabalho organizado de seus descendentes e na perseverança para condução de estudos e pesquisas.

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