Cozinhar, uma gostosa terapia

Cozinhar, uma gostosa terapia

Atualizado: Quarta-feira, 12 Janeiro de 2011 as 11:43

No dia a dia, a obrigação ou a falta de tempo podem até tirar o prazer e a vontade de preparar um jantar especial ou um almoço mais elaborado. Mas pode apostar: para muitas mulheres, cozinhar se tornou mais que uma necessidade - virou uma terapia. Testar receitas, escolher novos temperos, criar novidades ao fogão (e até dividi-las com todo mundo!)... Tudo isso ganha ares diferentes para quem aprendeu a ver na cozinha uma espécie de laboratório e até mesmo um divã moderno, onde quem está no controle é você.

O "clique" de que é possível, sim, ter bons momentos à mesa veio com o casamento para a economista Júlia Vasconcelos, de 28 anos. Adepta das refeições rápidas, ela acabou fazendo da cozinha seu lugar preferido na casa depois de começar a decorar o novo apartamento.

"Nunca fui de cozinhar, não sabia fazer um arroz que fosse. Mas passava tanto tempo em casa que comecei a sentir vontade de fazer algo diferente. Já estava enjoando de congelados", brinca a moça. "Um dia fui ao mercado e resolvi que ia fazer salmão ao molho de maracujá. Sem nunca ter feito! Peguei a receita com a minha mãe, fiz, ficou ótimo e, desde então, tiro os domingos para experimentar novidades. Claro que durante a semana não dá tempo de preparar nada especial, é só o básico. Mas os domingos são terapêuticos para mim. Já gastei muita energia acumulada sovando massa de pão", completa a economista.

Prima de Júlia, a professora Fernanda Rocha, de 33 anos, resolveu olhar o antigo caderninho de receitas da família depois da morte da avó, há cinco anos. Descobriu um apanhado de dicas e até observações espirituosas feitas pela senhorinha. "Era um momento difícil e a leitura do caderninho da minha avó me fez muito bem. Achei que deveria homenageá-la e fazer uma receita que fosse. Fiz a primeira, a segunda, e não parei mais. Hoje eu mesma faço anotações no caderno e faço questão de passá-lo para a minha filha, que tem só cinco anos, mas que já gosta de me ajudar", conta a moça.

Para a jornalista Fernanda Zacchi, não basta cozinhar: o prazer se completa quando é dividido. À frente do blog Dadivosa, Fernanda começou a se aventurar na cozinha, acredite, aos nove anos, quando trocava os desenhos animados pela maravilhosa cozinha de Ofélia na TV. Do primeiro prato (um macarrão com carne assada de panela) até hoje, não faltaram receitas em sua vida.

"Hoje posso dizer que cozinhar é quase uma ‘medida higiênica' para o cérebro, sabe? Algo que faço constantemente e que me ajuda a recuperar as forças, organizar as ideias e me divertir, mesmo quando as coisas não saem conforme o planejado", revela a moça. "Tão bom quanto ver que os convivas gostaram da comida é saber que outras pessoas reproduziram a receita, que deu certo, que suas famílias e amigos comeram e repetiram, que passaram momentos agradáveis", teoriza Fernanda, que atualmente vive na Espanha.

"Para mim, cozinhar é a melhor das terapias", garante Faby Zanelati. Nascida em uma família de cozinheiros, Faby trabalha em uma agência de marketing digital em São Paulo - mas não abandona suas receitas. Ao lado da amiga Kátia Najara, ela criou, há quatro anos, o blog Rainhas do Lar (www.rainhasdolar.com). É lá que, além de compartilhar suas criações, ela também recebe palpites de outras moças igualmente prendadas - e felizes.

"Cozinhar pra mim está 100% relacionado a prazer. Gosto de testar novas receitas, mas minha praia mesmo é seguir ‘viagem solo' (risos). Gosto de eu mesma criar os meus pratos, inventar na hora... Cozinhar é meio que uma alquimia, e eu curto essa descoberta", explica a moça. "Mesmo quando escolho uma receita para fazer, quase sempre ela me serve como inspiração porque, no fim, acabo quase sempre fazendo uma receita diferente daquela que comecei! E dividir as receitas com as leitoras é uma continuação do prazer que tenho de cozinhar", completa Faby, que revela suas últimas experiências gastronômicas preferidas: o nhoque Ana Forte, do chef Claude Troisgros, o pão de ervas (dica de Andréa Espínola, leitora do "Rainhas do Lar"), e o green curry, da chef Rita Lobo.

Mesmo quem trabalha com gastronomia, como a consultora Francine Jubran, não perde o prazer em cozinhar. "Nem sempre posso dizer que cozinhar é uma terapia, pelo fato de ser minha profissão. Mas sinto um enorme prazer quando cozinho para amigos, parentes ou meu marido e recebo elogios...", conta Fran, que monta cardápios conforme a necessidade dos clientes e ensina dicas e truques para dar uma incrementada no cardápio do dia a dia.

Mas algumas dessas dicas ela também divide há três anos no blog Frango com Banana, que toca ao lado da amiga e jornalista Renata Gallo.

Um dos hábitos das moças também é uma ideia que pode ser adotada por qualquer um em casa: fotografar seus quitutes, não só para servir de referência, mas também para trazer boas lembranças.

"A máquina fotográfica sempre fica na cozinha e nossos maridos já sabem que, antes de provar a comida, têm de fazer a foto. Eles brincam que até se acostumaram a comer comida fria!", diverte-se Renata. "Amo cozinhar com o meu marido. Em casa a cozinha é aberta para a sala, e o fogão fica no centro da cozinha. Quando reunimos os amigos, é em volta do fogão onde todo mundo fica", completa a jornalista.

Francine dá um toque: não ter medo de experimentar é fundamental: "Gosto de inventar, incrementar. Nem sempre sigo ao pé da letra uma receita, pois o básico você sempre vai encontrar por aí".

No Rio de Janeiro, em São Paulo e em outras capitais, não faltam cursos que focam não só o aprendizado, mas também o prazer de cozinhar. No Rio, os chefs Erik Nako e Cristiano Lanna fizeram sucesso com suas aulas. A "Cozinha Criativa para amadores" teve mais de 800 alunos e agora busca uma nova sede - alunos na lista de espera do site da dupla não faltam...

Para encontrar receitas perfeitas para relaxar e curtir momentos especiais, fica a dica: o site da Mabe reúne algumas de dar água na boca, além de dicas para facilitar a rotina da multimulher que você é. Confira!

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