Culinária carioca adota batata frita na pizza, no pastel, na omelete e no pão

Culinária carioca adota batata frita na pizza, no pastel, na omelete e no pão

Atualizado: Quarta-feira, 2 Setembro de 2009 as 12

A batata frita deixou de ser um simples acompanhamento e hoje é a estrela de algumas receitas nos restaurantes, bares e quiosques de comida do Rio. Quem afirma isso são os fãs da iguaria.

"Eu amo batata! Já experimentei pizza, pastel, tudo com batata frita. Mas não é batata palha, não, é batata frita naquela gordura esperta para a gente lembrar depois", disse a técnica de enfermagem Meire Estela Boechat, de 43 anos.

Uma das matérias mais lidas no site da Rede Globo nos últimos dias foi uma receita de omelete de batata frita, apresentada no programa "Mais Você", da apresentadora Ana Maria Braga.

O prato é inusitado, mas Meire, fã de carteirinha, já conhecia e contou que faz misturas ainda mais curiosas: "Sempre conheci omelete de batata frita, desde pequena. Omelete era comida de pobre, então o que sobrasse, misturava para render mais. Também como pão com batata frita. Sobrou, a gente bota dentro. Até batata fria eu como, a da geladeira, gelada e murcha. Adoro comer no dia seguinte, com cafezinho quente!", revelou a técnica de enfermagem.

Pizza com batata

Na pizzaria York, que fica na Abolição, no subúrbio, se o freguês quiser sugerir algum sabor fora do cardápio, o gerente, mais conhecido como Gaúcho, manda fazer.

Foi o que aconteceu enquanto a equipe do G1 esteve no local. Uma cliente pediu para colocar alho torrado na pizza de batata frita e, na mesma hora, o pedido foi atendido.

Segundo Gaúcho, as pizzas com batata frita têm cinco variações: com calabresa, com filé, com linguiça de frango, com catupiry e pura.

O analista de sistema Rubens de Souza Carvalho e a mulher dele, a professora de dança Giselle Moraes Rego Carvalho, já provaram e aprovaram a pizza de batata frita. "Acho que combina sim, é muito bom", disse ela.

Márcia Martins, vendedora, também é admiradora do prato e já introduziu a filha, Yasmin, de quatro anos, na programação gastronômica: "A pizza de filé com fritas é muito boa", disse ela.

Bomba calórica

O problema dessas misturas é a quantidade de calorias ingeridas de uma só vez. Mas apreciadores desses pratos não estão muito preocupados com a dieta: "Eu não penso nisso nunca. O único peso que sai daqui é o da comida na barriga, minha consciência sai levinha, zero. Tem que comer com prazer e ser feliz, isso que importa", disse Ana Melo, operadora de telemarketing.

A amiga, Alessandra Ferreira, fisioterapeuta, concordou: "Como diz a Ana Maria Braga, vai para debaixo da mesa e chama os cachorros!", brincou ela, enquanto saboreava uma pizza de batata frita.

A nutricionista Eliane Bassoul alerta sobre a bomba calórica que é essa combinação de carboidratos, mas não julga os comensais:

"É uma mistura extremamente gordurosa, uma overdose calórica. Qualquer fritura, não só a batata frita, é muito rica em gordura saturada. Omelete, então, que tem gordura animal, é mais inadequada ainda. O que não significa que comer eventualmente, em pouca quantidade, vai matar alguém. A única coisa que em pouca quantidade pode matar é veneno ou alguma coisa estragada", aliviou a nutricionista.

Mas o alerta é importante: de acordo com dados do IBGE, o estado do Rio tem um dos piores índices de obesidade do Brasil. Um estudo realizado em 2003 apontou que 15% dos homens entre 55 e 64 anos são obesos. Entre as mulheres na mesma faixa etária, o índice é de 19,8%.

Cachorro-quente

O cachorro-quente com batata palha já não é novidade. Mas na barraquinha que fica na esquina da Rua General Glicério, em Laranjeiras, na Zona Sul, ela é caseira.

"Esse cachorro-quente é diferente", afirmou Jean César, taxista e freguês do local. "Batata frita combina com qualquer coisa, sou viciado. Não conheço nem pizza nem omelete, mas gostaria de provar", completou ele.

A psicóloga Natália Pacheco também garantiu que a batata daquela barraca era melhor do que as outras : "Eu nunca vi essa batata. É diferente da batata palha, é mais gostosa", disse.

Outra cliente do ponto, a dona-de-casa Maria de Fátima Silva confessou a paixão pelas receitas com batata frita: "Eu fazia omelete com batata quando era mais nova. Fritava a batata e jogava o ovo por cima, ficava um ‘omeletão’, uma delícia", afirmou.

O filho dela, Luis César Borges da Silva, de 12 anos, gosta tanto que é considerado um viciado em batata frita. "Uma das primeiras palavras que ele falou foi ‘tata’", revelou a mãe. "Era quase um ritual ele comendo, minha mãe parava pra ver", completou ela.

Luis César confirmou: "Acho que batata frita combina com tudo, menos com brócolis". A mãe, em seguida, admitiu: "Ele come até batata fria". Luis fez a ressalva: "Não gosto tanto, mas como". Mas depois ele entregou: "Como de qualquer jeito, até queimada".

Pastel

No bairro de Maria da Graça, no subúrbio da cidade, a batata frita é misturada com o pastel frito. A barraca que vende a iguaria chama-se "Pastel com Tudo Dentro" e pertence a Otávio Ribeiro, de 27 anos. Depois das 18h, segundo ele, a fila é grande e é preciso paciência para comprar o pastel.

"No primeiro dia, comprei dois rolos de massa, o que dá para fazer 12 pastéis cada. Em duas horas vendi os 24 pastéis. Hoje em dia eu chego a vender 200 pastéis em um dia. Todos os sabores saem, tem gente que mistura tudo mesmo, até doce com salgado".

A batata frita oferecida é a do tipo palha, mas é o único ingrediente que é exigido em todos os pedidos.

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