De forma divertida, as crianças montam seu próprio livro de receitas

De forma divertida, as crianças montam seu próprio livro de receitas

Atualizado: Terça-feira, 27 Maio de 2008 as 12

Convencer uma criança a se alimentar de forma adequada é mais simples do que muitos pensam. Na verdade, tudo depende apenas de um pouco de paciência e criatividade. Para as crianças não é suficiente dizer que "faz crescer e ficar forte". Para lidar com os pequenos o melhor a fazer é levá-los para a cozinha e apresentá-los aos alimentos em sua forma natural e não apenas a comida, já processada, pronta para o consumo. É o que garantem os especialistas.

Por isso, alguns colégios introduziram a disciplina "Culinária" na grade curricular. Desta forma, as crianças aprendem de forma divertida como preparar alguns pratos simples e gostosos.

Esta experiência está sendo vivida por 22 alunos, com idade entre 5 e 6 anos, do primeiro ano, do Colégio Kepler, com a supervisão da professora Minouchy Alves. O projeto dará origem ao livro de receitas da turma, programada para o lançamento no final do ano letivo, como conta a professora. "A cada prato feito, registramos a receita. Então, o livro só ficará pronto, provavelmente, em novembro. O registro das receitas é feito por cada aluno que irá montar seu livro, então o trabalho é feito 100% pelas crianças, tanto na escrita como nos desenhos", explica.

A seleção das receitas é feita pelos próprios alunos. Cada um levou de casa uma comida de que gosta muito. E desta forma, o próprio aluno é responsável pela apresentação da sua receita no dia de prepará-la em sala de aula. Este contato com o alimento é apontado pela professora como um momento especial. "O trabalho em conhecer alimentos e prová-los é de grande importância. Por exemplo, na minha turma ainda tinham crianças que comiam maçã sem casca. Quando fizemos uma salada de frutas, esses alunos experimentaram a fruta com a casca e agora já comem. É certo que não iremos obrigar nenhuma criança a comer o que não quiser, mas nosso papel é incentivá-la a experimentar algo que não conhece", enfatiza Minouchy.

De acordo com a nutricionista Ana Cláudia Montes Cardoso, o contato da criança direto com a comida, para sentir a textura e o cheiro, é essencial para seu desenvolvimento alimentar. Para isso, a nutricionista orienta que os alimentos devem ser colocados à mesa em sua forma natural, principalmente as frutas. "No consultório, é comum uma criança não reconhecer a banana quando está ainda com a casca, pois só conhece a fruta já cortada no prato. É importante deixar a criança brincar com o prato, amassar as frutas na mão, pois ela ainda vê o alimento como diversão", expõe Ana Cláudia.

Além do contato direto com os alimentos, as aulas também são voltadas para a prática da escrita e da leitura, pois a turma está em processo de alfabetização. "Nada melhor do que alfabetizar com prazer, fazendo coisas agradáveis para que essas crianças desde cedo tenham o gosto pela leitura e pela escrita. Tudo que é feito com prazer fica guardado. E é essa nossa intenção", declara a professora.

Para Minouchy, apresentar a culinária para as crianças traz uma sensação diferente "Na aula, eles próprios 'colocam a mão na massa' e descobrem o sabor de cada alimento. Isso para a criança é algo mágico, fora do que realmente vive no dia-a-dia. E ouvir: 'Tia, eu gosto de comer isso, mas nem sei como é que faz', torna esta experiência inesquecível", conclui a professora do Colégio Kepler.

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