Fósforos

Fósforos

Atualizado: Quarta-feira, 8 Março de 2006 as 12

Fósforos

Antes da invenção dos fósforos, fazer fogo não era nada fácil. Pode-se até dizer que era fogo, mesmo. Heloisa Fernandes

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Embora a humanidade tenha aprendido a acender fogo na última Era Glacial, só a partir de cerca de 4000 a.C. temos registros dos métodos utilizados. A imagem de dois pedaços de madeira sendo friccionados junto a uma pedra (de preferência, quartzo ou sílex), tão famosa e presente em nossas lembranças, parece mesmo ser a que mais se aproxima à realidade. Durante muito tempo, foi assim mesmo, friccionando-se pedaços de madeiras e pedras, que se obtinha fogo. Na Idade Média, este princípio serviu para o surgimento dos primeiros isqueiros. Tratava-se de uma caixa, contendo em seu interior um material facilmente inflamável, como pano ou serragem. Sobre este material inflamável, denominado isca (daí o nome isqueiro), caíam as faíscas que eram produzidas por algumas pedras, quando estas entravam em atrito. Foi este mesmo princípio do atrito que serviu para a invenção dos palitos de fósforos. Embora o elemento fósforo e suas propriedades inflamáveis (combina-se tão facilmente ao oxigênio que entra em combustão só de entrar em contato com o ar) tivessem sido descobertos em 1669, só muito tempo depois se conseguiu chegar à fabricação dos palitos. Em 1845, a descoberta do fósforo amorfo, por Anton Von Schrotte, levou à fabricação de palitos de segurança. Nestes, apenas uma porção dos ingredientes para combustão encontra-se na cabeça do palito. Já na superfície de atrito da caixinha de fósforos é passada uma camada de fósforo amorfo. Assim, o palito só pega fogo após o atrito da cabeça dele nessa superfície de fósforo amorfo. Fácil e seguro, pois, do contrário, muita caixa de fósforo sairia explodindo por aí.

Desde a descoberta do fogo (um dos maiores marcos do desenvolvimento da história da humanidade), o homem percebeu que domina-lo seria fundamental para a segurança e evolução de sua espécie. A invenção do fósforo, com todos os seus problemas, idas e vindas, dá uma boa mostra da dificuldade que isso representou. Mas aí está: a chama da humanidade continua acesa, tremulando quente e forte nos quatro cantos da Terra

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