Gastronomia recifense tem novos polos

Gastronomia recifense tem novos polos

Atualizado: Quinta-feira, 6 Maio de 2010 as 11:14

Houve várias tentativas de se criar oficialmente polos gastronômicos no Recife. Foi assim com o Pina e o Bom Jesus. Mas apesar da verba investida pelo poder público, os projetos naufragaram. Hoje no entanto, já se percebe a formação de novos polos na capital que briga para ter a terceira maior gastronomia do país. Os próprios empreendedores do setor elegeram os seus recantos e, de forma espontânea, bares e restaurantes se aglomeraram em pontos do Espinheiro (Rua da Hora), Casa Forte (17 de agosto e Praça dee Casa Forte) e em um novo "Polo Pina", tendo a Rua Capitão Rebelinho como seu principal eixo.

Para Roberto Farias, dono do Bar e Restaurante Entre Amigos, apesar de "oficiais", não houve planejamento nos antigos projetos de polos criados pelo poder público. "Não levaram em consideração uma série de elementos que podem garantir ou não a viabilidade da abertura de um restaurante em determinado lugar", diz. Já Isabella Jarocki, coordenadora do curso de Hotelaria com Ênfase em Gastronomia da Faculdade Boa Viagem, diz que não foi oferecida infraestrutura adequada. "Eram comuns problemas de falta de água e segurança nessas áreas", comenta.

O fato da maioria dos imóveis serem tombados na Rua do Bom Jesus também dificultava a operação e a abertura de novos restaurantes na área, segundo Núncio Natrielli, presidente da Associação de Bares e Restaurantes em Pernambuco (Abrasel-PE). E o que tornou as atuais áreas na Rua da Hora, Casa Forte e Pina tão atraentes para o setor? "Os donos de bares e restaurantes procuram casas para abrir o negócio. Nessas áreas havia menos prédios e mais espaços disponíveis", explica Isabella Jarocki.

Essa foi uma das razões para o Entre Amigos - um dos primeiros estabelecimentos a se instalarem na Rua da Hora, há sete anos - apostar no lugar para a sua segunda unidade. "A gente tinha muitos clientes na Zona Norte e encontramos um bom terreno naquele lugar", comenta Farias. Depois do Entre Amigos, outros estabelecimentos foram surgindo nas imediações como o Villa e o Café Porteño. Para Natrielli, os polos são como os shoppings: é necessário ter grandes âncoras para garantir o fluxo das lojas satélites. "Nos polos, essas âncoras são os restaurantes tradicionais ou de chefs renomados. Não havia nada na Capitão Rebelinho. Daí, se abriu o Pomodoro Café, outros foram se agregando e hoje essa pequena rua já tem nove restaurantes", comenta ele.

O potencial de consumo do entorno também contribui para a escolha do local. Todas estão próximas a centros comerciais e empresariais. "No caso de Boa Viagem, há ainda o fluxo de turistas por causa da concentração de hotéis", comenta Cristiano Falcão, sócio do Ostreiro e do Guaiamum Praia, abertos no fim de 2008 na Avenida Conselheiro Aguiar e no 2º Jardim, respectivamente. O poder aquisitivo da população que vive nas redondezas dos estabelecimentos é outro fator que determina a consolidação do polo. "Isso é bem característico em Casa Forte. Há casos de restaurantes que duplicaram de faturamento quando se mudaram para lá", afirma Isabella Jarocki.

Por: Mirella Falcão

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