Mesmo sem tempo, dá para fugir do fast food

Mesmo sem tempo, dá para fugir do fast food

Atualizado: Domingo, 3 Fevereiro de 2008 as 12

Aprenda a comer bem, mesmo com o cotidiano agitado, em pouco tempo e com pouco dinheiro. Se você é do tipo que não pensa duas vezes em trocar um prato de arroz e feijão por um sanduíche duplo com muita maionese, aí vai o alerta: "a qualidade de sua alimentação tem influência direta no seu desempenho nos estudos e no trabalho", alerta Anelise Nogueira, endocrinologista e professora da faculdade de Medicina da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Além disso, como a própria lei de Newton diz: "toda ação tem uma reação." Sendo assim, tome cuidado porque seus comportamentos alimentares podem pesar bastante no futuro. "Muitas doenças que ocorrem tardiamente têm relação com aquilo que se come na juventude", afirma Maria Emília. A geração fast food está mais suscetível a desenvolver, em um futuro não tão distante quanto se pensa, gastrite, colesterol alto, diabetes, dislipidemia, anemia e até hipertensão arterial. "É muito importante ter uma alimentação saudável não só para melhorar a concentração ou se sentir bem agora, mas também para ser um idoso saudável", recomenda.

Apesar de o senso comum apontar que essas doenças sejam mais freqüentes entre pessoas mais velhas, há muitos jovens que já sentem na pele as conseqüências de uma alimentação ruim. É o caso da estudante de Recursos Humanos da Unip (Universidade Paulista) Letícia Souza Tavares, 20 anos, que sofre de gastrite desde os 17 anos. "Os sintomas começaram a aparecer logo que entrei na faculdade", conta. A universitária confessa que sempre gostou de fast food , mas foi a correria dos estudos e do trabalho que deram um belo empurrão para o desenvolvimento da doença. "Nunca tinha hora para comer. O café da manhã já estava extinto do meu cardápio há tempos. No almoço, sempre que podia, trocava o prato de comida por um sanduíche. E o jantar era substituído por uma besteira qualquer", descreve.

Com tanta "qualidade" no cardápio, não podia dar outra: gastrite na certa. Para resolver o problema, Letícia teve que abrir mão das coisas que gostava para seguir uma dieta rigorosa. Durante um ano e meio de tratamento, nada de refrigerante, frituras ou sanduíches. "A alimentação saudável te faz sentir melhor. A sua pele fica mais bonita e o seu humor também melhora", diz. Mas, apesar de ter sofrido com a doença e passado maus bocados para se recuperar, Letícia voltou para a rotina do fast food . "Sei que não é a melhor opção e sofro com as conseqüências de minhas escolhas no cardápio. Mas por ser mais saborosa, rápida, prática e, muitas vezes, mais barata, inconscientemente acabo optando pela comida trash ", confessa Letícia. Mude de comportamento

Pare e pense na forma como você tem se alimentado ultimamente. E aí, sua dieta possui uma composição balanceada de fibras, proteínas, carboidratos e lipídeos? Se sua resposta é não, trate de se cuidar e repensar seus hábitos. Segundo os especialistas, o ideal é fazer regularmente as três refeições principais (café da manhã, almoço e jantar) e pequenos lanches nos intervalos entre cada uma delas. "Isso obriga as pessoas a comerem menos em cada refeição", afirma a nutricionista.

Vale lembrar que as refeições não podem ser compostas única e exclusivamente de carboidratos e gorduras. O que também não quer dizer que a partir de agora você tenha de viver a base da saladinha. "Nem tanto ao céu, nem tanto ao mar. O estudante não deve exagerar no consumo de carnes, carboidratos e gorduras, como também não pode se privar disso para comer só frutas, legumes e verduras. É preciso ter equilíbrio para manter o corpo saudável e com todos os nutrientes de que precisa", alerta Anelise.

Para facilitar sua vida, a nutricionista dá a dica: "Você tem aproximadamente 2.000 calorias para consumir por dia. Mas pense bem: só um hambúrguer com batata frita e refrigerante somam 1.000 calorias. Além disso, não contêm todos os nutrientes necessários para seu corpo." Outro ponto importante é evitar os exageros: "Nada é proibido. Pode-se comer de tudo, mas não no mesmo dia e nem repetidamente todos os dias da semana", diz Maria Emília.

Para quem usa vitaminas sintéticas e suplementos alimentares achando que está repondo o que perdeu com a trash food , aí vai outro alerta: "Não adianta comer mal e recorrer aos complexos alimentares. Além de custar mais caro do que uma boa alimentação, em geral, nem todo nutriente que é extraído de um alimento se comporta da mesma forma no organismo do que se consumido em seu estado natural", completa a endocrinologista.

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Postado por: João Neto

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