É possível "enganar o estômago"?

É possível "enganar o estômago"?

Atualizado: Terça-feira, 19 Outubro de 2010 as 9:13

Uma pesquisa feita pela Universidade de Bristol, no Reino Unido, e apresentada pela Sociedade para o Estudo do Comportamento Alimentar, sugere que controlar o próprio peso passa pela possibilidade de se conseguir manipular os próprios pensamentos sobre como nos sentiremos após comer determinado alimento. O estudo diz que o controle de ingestão calórica é uma questão de modificar nossas percepções.

Os participantes da pesquisa, por exemplo, se mostraram mais satisfeitos por maiores períodos de tempo quando comiam porções alimentares que eles acreditavam – ou haviam se convencido – serem maiores. As memórias sobre refeições satisfatórias também tinham grande influência sobre como os participantes se sentiam após aplacar a própria fome. Os resultados apontam para o fato de as expectativas antes de uma refeição e a memória que se guarda após comer são pontos cruciais para se controlar o apetite e a sensação de saciedade.

No primeiro experimento, os participantes eram convidados a ver os ingredientes de uma vitamina de frutas que seria preparada para eles. Uma parte dos indivíduos via apenas metade da porção de frutas e outro grupo via uma porção de ingredientes maior. Antes e depois de consumirem a vitamina esses participantes eram entrevistados para responder sobre o "nível de saciedade percebida", ou seja, o quanto eles se sentiam satisfeitos com o consumo alimentar ao qual tinham acesso.

Participantes que viam, antes do preparo da vitamina, porções maiores de frutas, afirmavam que estavam "bastante satisfeitos" mesmo após 3 horas do consumo alimentar, enquanto o outro grupo demonstrava fome. O que os participantes não sabiam era que as porções usadas pelos dois grupos era do mesmo tamanho (e bem menor do que o segundo grupo havia visto).

Em um segundo experimento os pesquisadores novamente manipularam a quantidade de sopa consumida por dois grupos de participantes. Dessa vez, o experimento foi mais complexo, pois consistia em recipientes que podiam esvaziar ou se encher de sopa através de um fundo falso, sem que os participantes notassem. Após três horas do final do experimento ambos os grupos – os que haviam consumido a menos ou a mais – classificavam sua sensação de saciedade de forma similar, indicando que a fome pode ser enganada pela percepção.

"O alívio para a fome que um alimento propicia não é determinado somente pela sua quantidade, nível calórico ou outras informações reais. Ao contrário, o modo como experimentamos a ação de nos alimentarmos afeta nossas percepções e expectativas sobre a saciedade. E isso influencia diretamente a quantidade de comida que selecionamos para uma refeição, pois projetamos a fome que sentiremos após esse consumo alimentar e, assim, muitas vezes, consumimos mais para evitar essa situação de fome futura", indica Jeff Brunstom, principal autor do estudo.

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