Resgate o prazer de comer com o Slow Food

Resgate o prazer de comer com o Slow Food

Atualizado: Sexta-feira, 21 Maio de 2010 as 3:49

Será que o estilo de vida que levamos afeta a qualidade da nossa alimentação ao ponto de não mais sentirmos prazer em comer? O italiano Carlo Petrini, fundador do movimento Slow Food aponta o fast-food e o desaparecimento das tradições culinárias como os grandes vilões que estão empobrecendo a qualidade alimentar do homem moderno.

Como solução, ele defende uma vida calma, com tempo para valorizar as pequenas coisas e, é claro, saborear os alimentos. Esses conceitos são os objetivos do Slow Food, movimento fundado por ele em 1986.

A filosofia do Slow Food é contrária ao fast-food e se opõe à padronização do gosto, além de defender a proteção de identidades culturais ligadas a tradições alimentares e gastronômicas.

“É a possibilidade de ver o alimento não como simples nutriente, mas como elemento de prazer. Precisamos apreciar receitas e sabores, reconhecer as variedades e respeitar os ritmos das estações”, explica Petrini.

O chef italiano também é autor de um livro: Slow Food – princípios da nova gastronomia (Editora Senac São Paulo), onde apresenta os conceitos dessa filosofia.

Inovador, Petrini viaja o mundo para difundir a prática de uma alimentação mais natural, que privilegie a produção local e não industrializada. Por conta da sua atuação, foi considerado, em 2008, uma das 50 pessoas que podem salvar o mundo (lista publicada pelo jornal britânico The Guardian).

Para ele, o fast-food e o desaparecimento das tradições culinárias têm empobrecido a qualidade alimentar. “Precisamos resgatar a memória gastronômica e as nossas raizes alimentares”, afirma.

Ele também aponta a globalização da produção alimentícia como a vilã da qualidade de vida e do bem-estar, afirma também que é possível encontrar e apoiar alternativas de produção sustentável, apropriadas às necessidades locais e em pequena escala.

Livro - Cada capítulo do livro Slow Food – princípios da nova gastronomia é acrescido de uma espécie de diário, onde Petrini conta suas próprias experiências mundo à fora, na busca por alimentos mais naturais, produtores que não agridem o meio ambiente e suas descobertas de sabores intensos.

Na obra, o chef apresenta também o conceito da ecogastronomia, uma atitude capaz de unir o respeito e o estudo da cultura enogastronômica, sustentando aqueles que atuam em todo o mundo para defender a biodiversidade agroalimentar.

Petrini detalha ainda as três características para julgar aceitação de um alimento, base da ecogastronomia: o bom, o justo e o limpo. Segundo o especialista, essa é a nova ideia de qualidade.

“Estou convencido de que, nos dias que temos na terra – uma ninharia diante da história da humanidade -, é melhor procurar viver feliz de maneira humilde, animado pela sadia convicção de que, embora modestamente, temos a oportunidade de fazer a nossa parte para construir um futuro feliz”, conclui.

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