Saiba o segredo do bolo de rolo pernambucano

Saiba o segredo do bolo de rolo pernambucano

Atualizado: Quinta-feira, 11 Novembro de 2010 as 4:38

Ir a Pernambuco e não comer bolo de rolo é um desperdício. Uma das tentações mais famosas do Estado nordestino, o doce tem, na verdade, origem portuguesa. No entanto, entre os lusitanos, é chamado de colchão de noiva.

Na versão original de Portugal, levava recheio de amêndoas. Mas, por aqui, as senhoras de engenho acrescentaram um toque tropical e passaram a prepará-lo com goiabada. Desde o século 16, quando chegou ao Brasil, foram incorporadas outras opções para recheá-lo. É possível usar creme de avelã e brigadeiro, sugere Ana Cláudia Frazão, professora de gastronomia da Faculdade Maurício de Nassau, do Recife.

Ao ver a foto ao lado, você deve pensar: é um rocambole. À primeira vista, parece, sim. Mas não é. E ai de quem dizer o contrário! Esse equívoco pode despertar a ira dos defensores mais enérgicos.

A diferença essencial entre os dois doces, conta Ana Cláudia, é a delicadeza e a técnica necessárias na hora de montar o bolo-de-rolo. Para quem vê, o resultado também é diferente: as camadas intercaladas de massa e recheio são bem mais finas e em maior quantidade na sobremesa nordestina.

- No Recife, seu preparo ainda é seguido à risca. Em outras regiões brasileiras, não é tão próximo do original português. É possível encontrá-lo em versão mais grosseira, que, inclusive, é confundida com rocambole.

Patrimônio Cultural e Imaterial

A importância do doce é tanta no Pernambuco que a receita tradicional é considerada um patrimônio cultural e imaterial do Estado, lembra Tânia Bastos, chef e professora do curso de gastronomia do Senac local. Ela explica que a quantidade de recheio pode influenciar na montagem da delícia.

- Suas camadas são mais finas, e ele possui mais recheio do que o rocambole. É necessário dosar a quantidade que será utilizada na receita. Como a massa é bem fininha, quanto mais recheio levar, mais difícil vai ser para enrolar. Vale tomar cuidado com recheios muito resistentes ou muito molhados. O mais indicado é conseguir uma textura cremosa, para não arrebentar a massa.

Segundo Ana, outra diferença básica é que, enquanto algumas receitas de bolo-de-rolo levam leite, o verdadeiro rocambole doce nunca leva esse ingrediente.

- Para obter um melhor resultado no feitio, é necessária atenção especial à temperatura do forno. A massa deverá ser assada a 180ºC. Assim que estiver pronta, deve ser imediatamente removida do forno. Isso facilita que não resseque e possa ser “enrolada” sem dificuldade com a goiabada.

Aprenda a fazer um doce cheio de histórias:

Ingredientes

250 g de açúcar 250 g de manteiga sem sal 5 ovos 250 g de farinha de trigo ½ lata de goiabada derretida em um pouco de água

Modo de preparo

Bata o açúcar e a manteiga. Depois, junte as gemas - uma de cada vez - e acrescente as claras batidas em neve. Em seguida, despeje a farinha de trigo (peneirada) e misture tudo delicadamente.

Divida, então, a massa em duas metades. Asse uma das partes em uma assadeira quadrada e bem rasa untada com manteiga e trigo em forno preaquecido (180ºC). Quando o bolo estiver dourado, desligue o forno. Não espere esfriar para tirá-lo da forma. Use uma toalha polvilhada com açúcar refinado como apoio.

Em seguida, passe a goiabada derretida sobre a superfície do bolo, enrolando-o rapidamente, mas com muita delicadeza. Cuide para que fique bem firme.

Repita o mesmo processo com a segunda parte da massa. Depois de montado, polvilhe com açúcar. Pronto, você terá dois lindos bolos de rolo.

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