SESI - SP auxilia no combate à fome em Moçambique

SESI - SP auxilia no combate à fome em Moçambique

Atualizado: Quinta-feira, 29 Janeiro de 2009 as 12

Nos próximos meses, cerca de 35 mil moçambicanos terão aulas do programa "Alimente-se bem", criado pelo SESI-SP, em 1999. O programa ensina, gratuitamente, como utilizar partes não convencionais dos alimentos como folhas, ramos, talos e cascas. A idéia é evitar o desperdício e garantir mais nutrientes à mesa.

Estudo feito pela Universidade Estadual Paulista, de Botucatu (Unesp), a pedido do SESI-SP, e que foi divulgado no ano passado, mostrou que a parte não convencional de 39 alimentos comuns, como abóbora, mamão e pepino, têm mais propriedades nutritivas que a polpa.

Os princípios do Alimente-se Bem, que chegam a Moçambique graças ao convite feito ao SESI-SP pela Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade de Moçambique (FDC), uma Organização não governamental, ajudarão os africanos a enfrentar o problema da escassez de alimentos. Aliada a doenças como a AIDS, a fome cria um quadro de desespero no país.

Segundo relatório do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), que avalia o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), Moçambique está em 175º lugar no ranking de 179 países. Mais da metade da população do país (54,1%) vive abaixo da linha da pobreza.

. Falta de informação - Nas regiões de Moçambique que serão beneficiadas pelo programa do SESI-SP, o cardápio da população é composto, basicamente por cereais, como milho e arroz e frutas como coco e abacaxi. Detalhe: a polpa do coco é desprezada. Sem conhecimento, os moçambicanos aproveitam apenas a parte líquida da fruta.

Outro alimento muito utilizado pela população local é uma folha amarga, servida crua, conhecida como cacana. "Carne é artigo raro por lá. E, quando chega à mesa, a tradição pede que apenas o homem coma. Se houver sobras, mulher e filhos, nessa ordem, podem se servir", diz Camilla Augusto Martins, nutricionista do SESI-SP, enviada a Moçambique para desenvolver o programa.

Em sua primeira viagem àquele país, em maio do ano passado, Camilla pesquisou e analisou, durante um mês, os hábitos alimentares da população. Entre os desafios encontrados, o principal deles foi criar receitas com pouquíssimos ingredientes.

Outro empecilho foi a falta de energia elétrica e gás, que impede o preparo de pratos com a ajuda de eletrodomésticos como fogão, geladeira, liquidificador e batedeira.

"A escassez de comida também reduz o número de refeições diárias que deveriam ser feitas e limita a quantidade e variedade de nutrientes essenciais à saúde", diz Camilla. " "A escassez de comida também reduz o número de refeições diárias que deveriam ser feitas e limita a quantidade e variedade de nutrientes essenciais à saúde", diz Camilla. "Os moçambicanos só se alimentam ao entardecer. Jamais quando saem de casa para trabalhar ou ir à escola".

Criatividade - Apesar das dificuldades, de volta ao Brasil, Camilla se juntou à equipe de nutricionistas do SESI-SP e desenvolveu 22 receitas como o doce de bagaço de coco, o iogurte de malambe, fruta típica da região, e o purê de batata com cacana.

Nesse momento, mais importante do que consumir os nutrientes necessários à saúde, é garantir a sobrevivência da população. "A batata e o coco, por exemplo, são ricos em carboidratos, nutrientes que servem de combustível para que o organismo produza energia", diz Camilla.

Em agosto, a nutricionista do SESI-SP voltou a Moçambique para apresentar as suas criações. Os pratos devem ser ensinados à população através de cursos ministrados por 98 voluntários da FDC, treinados por Camilla. Em São Paulo, as aulas do Alimente-se Bem, acontecem durante todo o ano nas unidades do SESI-SP.

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