A beleza facial segundo a ortodontia

A beleza facial segundo a ortodontia

Atualizado: Segunda-feira, 19 Outubro de 2009 as 12

O ditado diz que a beleza está nos olhos de quem vê. Não deixa de ser verdade, mas do ponto de vista técnico, isso não é suficiente para dizer se a pessoa tem um rosto bonito ou não. A harmonia do conjunto facial é essencial para que a pessoa seja considerada bela.

Na análise clínica e diagnóstica destas questões existem parâmetros de simetria e paralelismo, tanto verticais quanto horizontais entre o sorriso e a oclusão (o fechamento) das arcadas dentárias. Há ainda outros referenciais anatômicos da face, tais como os olhos, o nariz e lateralmente as orelhas que devem estar todos harmonicamente combinados entre si para gerar beleza e expressividade.

A boa relação entre esses fatores pode ser alterada por situações comuns, corriqueiras no consultório de todo dentista, mas que afetam o sorriso e, consequentemente, o rosto como um todo. São diversos os exemplos de anomalias dentofaciais que podemos citar aqui.

Uma é o caso dos dentes apinhados, em que a arcada óssea não tem espaço suficiente para todos os dentes, que ficam espremidos e na posição errada. Outro exemplo, cujo comprometimento da harmonia do rosto é grave, é quando a arcada superior está projetada muito a frente da inferior, deixando a boca "bicuda". Os lábios não conseguem se fechar e os dentes se encontram muito suscetíveis a traumas de impacto.

No caso contrário, quando os dentes inferiores estão a frente dos de cima, há um rude ataque a aparência do rosto. O quadro se desenvolve devido ao crescimento excessivo da mandíbula para frente. A demora em tratar o problema pode gerar a necessidade de interferência cirúrgica para normalizar e harmonizar tanto a mordida quanto o rosto.

Quando os dentes superiores cobrem totalmente os inferiores na área anterior das arcadas, a agressão à beleza é grave, pois, além da desproporcionalidade que gera, dá a impressão da cabeça ser menor verticalmente do que deveria. Também posso citar os casos de mordida cruzada, quando a arcada superior está mais estreita, e situações em que os dentes da frente não se tocam, uma anomalia séria que tem repercussão sobre as funções de morder, mastigar, deglutir e falar.

Esses são apenas alguns exemplos de casos anômalos que podem aparecer isolados ou combinados entre si. O impacto sobre a beleza do rosto como um todo é grande, pois a boca é seu arcabouço interno e suas incorreções repercutem no exterior. Muitas vezes, uma cirurgia plástica necessita ser precedida de um tratamento normalizador para maximizar os resultados.

Vários estudos de comportamento já comprovaram como as pessoas belas e atraentes são mais bem vistas socialmente, admiradas e valorizadas. Entre as crianças esses valores também estão presentes, pois aquelas consideradas menos bonitas podem ser tratadas de maneira desigual por adultos que não as conheçam, além de serem consideradas menos competentes para determinadas tarefas.

Logo, fica clara como um rosto harmonioso e expressivo é altamente benéfico em termos de autoestima e qualidade de vida. Então, se você se enquadra em alguma das situações que falamos aqui, procure ajuda especializada. Não deixe seu principal cartão de visitas sob riscos. Sua saúde psicocorporal certamente agradecerá por isto.

Como evitar a perda dos ossos que sustentam os dentes

Manter um sorriso bonito é importante para a autoestima de qualquer pessoa, mas isso exige cuidados permanentes para se evitar a perda dos ossos de sustentação dos dentes. A principal causa dessa situação é o descaso com a higiene bucal, que pode gerar a periodontite.

A doença começa quando, pela falta de escovação e de uso do fio dental, as placas bacterianas se formam na superfície dos dentes e no espaço entre a gengiva. Com a permanência prolongada no local, essa "sujeira" endurece, mineraliza-se e aí surge o que chamamos de tártaro ou cálculo gengival, extremamente agressivo à saúde dentária.

Essas bolsas de tártaro crescem em direção à raiz do dente. O quadro é propício para a proliferação de diversas bactérias anaeróias, por ser um ambiente sem oxigênio. O processo afeta as fibras que ligam o dente à gengiva, causando inflamação no local. O principal sintoma do quadro é o sangramento durante a escovação.

Com a continuidade do problema, sem o tratamento adequado, as placas atingirão a região entre o dente e o osso de sustentação. A inflamação irá induzir a reabsorção óssea, ou seja, haverá um afrouxamento do local de encaixe da peça dentária que, em grau de severo de comprometimento, perderá a conexão com a maxila e cairá. Tudo isso sem a sensação de dor.

O processo de perda do dente, em geral, demora anos até se concretizar. Por isso, digo que somente com muita falta de atenção chega a um resultado tão prejudicial. Existem outras doenças, como diabetes e AIDS, que podem predispor a ocorrência da periodontite, mas hábitos como tabagismo e alcoolismo, e anormalidades hormonais nas mulheres também podem ser prejudiciais.

Doutor Gerson Köhler (CRO 3921 - PR) - Especialista em Ortodontia e Ortopedia Facial

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