A nova estrela da moda tem 90 anos

A nova estrela da moda tem 90 anos

Atualizado: Sexta-feira, 2 Setembro de 2011 as 8:05

Seus óculos, redondos como terrinas, emprestam um olhar assustado a Iris Apfel. Se ela parece surpresa, é por uma boa razão. Apfel, tema de uma série de exposições de museu, um livro na mesa do café e até mesmo uma campanha publicitária de moda, tem sido um ímã para aficionados, seguidores da moda que se inspiram em seu estilo: uma rica e carregada mistura de alta costura e cortes hippies que, à primeira vista, parecem ter sido misturados em um processador de alimentos.

Mas agora, aos 90 anos, ela parece confusa e claramente animada por se encontrar à beira do estrelato pop, uma celebridade improvável cuja fama foi construída quase que inteiramente em torno de seu visual. "Sou uma vedete geriátrica, minha querida, você não sabe", disse ela um dia desses.

Relaxando em seu apartamento na Park Avenue, um banquete visual de rosas centifólias, casimiras e brocados, ela acrescentou:"De repente, eu fiquei em alta, descolada e com uma legião de fãs". Heterossexuais, gays, estudantes de arte e história social, turistas e adolescentes tagarelas e "até mesmo crianças", observou ela, frequentam suas palestras, escrevem blogs sobre ela e enviam bilhetes carinhosos.

E, em setembro, Apfel, usando armações em forma de coruja que são sua marca registrada, e enfeitada com âmbar falso, exercerá seu fascínio exótico no Meio-Oeste americano, vendendo pulseiras, lenços e pérolas de sua própria criação no Home Shopping Network (HSN).

O visual voluntariamente ímpar de Apfel, e a sagacidade ácida por trás dele, será tema de um filme, bem como um documentário de Albert Maysles. O carisma de Apfel, uma mistura de paixão, energia e determinação, atrai Bradley Kaplan, presidente de produtos da Maysles Films. "Ela tem uma força de vontade maravilhosa, tem opinião e vontade própria", disse Kaplan. "Ela não é prolixa." Ele acrescenta:

Apfel tem em um excesso o que o público contemporâneo parece desejar: originalidade, espírito livre e astúcia para transformar sua marca de excentricidade em uma mercadoria vendável. Ela espera ter um pouco de ajuda, é claro. "Nunca pensei que na minha velhice eu teria de encontrar um advogado do entretenimento", disse ela, em um tom tão seco quanto um papel de arroz.

Ela não precisa dessa orientação em matéria de sentimento. Apfel é a curadora perspicaz de seu próprio guarda-roupa. Organizado e arrumado em um grande armazém próximo, esse guarda-roupa incorpora peças que celebram os pontos altos de sua vida. "Ela é uma grande contadora de histórias", disse Mindy Grossman, chefe-executiva da HSN. "Tudo que ela usa a faz lembrar uma história."

Sobre seus óculos, Apfel disse: "Eles são um equipamento padrão e me acompanham sempre". Suas criações, incluindo um lenço estampado com imagens dessas armações e outras inspirações de seus tesouros pessoais, serão vendidas pela HSN.

O estrelato de Apfel na rede não significa que será sua primeira vez à frente das câmeras. Em 2007, Bruce Weber a convidou para posar para a Vogue italiana. "Pensei na época: Quando é que nomes como eu terão a chance de ser fotografados por nomes como Bruce Weber?", lembrou Apfel. "Se eu tiver de me matar, vou fazer esse ensaio." Seu guarda-roupa também foi ricamente documentado pelo fotógrafo Eric Boman em 'Rare Bird of Fashion: The Irreverent Iris Apfel' (Thames & Hudson, 2007).

Ela tem lugar cativo nas colunas sociais. Envolta por um casaco de pele comprido, foi a estrela improvável de uma campanha publicitária da Coach em 2008. E agora ela fará parte de um grupo de divas da moda; personagens fora do comum, como Loulou de la Falaise Klossowski e Patricia Field, que têm encantado o o grande público da TV comercial.

"Quando você está com Iris, você nem pensa no conceito de idade", disse Grossman. No entanto, décadas de criação de interiores e presidência com seu marido, Carl Apfel, na Old World Weavers, empresa têxtil e de design, atribuíram a Apfel o peso da autoridade. "Não sou designe", disse ela. "Mas sou uma boa estilista. Sei o que escolher."

É preciso ter um olhar disciplinado para conseguir adotar seu estilo; um confronto artístico de peles, casimiras de alta costura e efeitos tribais estridentes que uma vez fizeram com que Roberta Smith, crítica de arte de The New York Times, escrevesse: "Antes que o multiculturalismo virasse uma palavra, a Sra. Apfel já o estava vestindo".

Harold Koda, curador do Costume Institute do Metropolitan Museum of Art, que organizou a primeira exposição de Apfel no museu em 2006, observou na época: "Para se vestir dessa maneira, é preciso ter um senso visual apurado. Fico pensando: Não tente isso em casa".

Ainda assim, os fãs podem ficar tentados. Quando Grossman se encontrou com ela em um almoço não muito tempo atrás, "Iris estava usando pulseiras de seu pulso até os cotovelos", lembrou. Cativada, no dia seguinte Grossman cobriu os dois braços de pulseiras, adaptando, segundo ela, "seu estilo boêmio próprio para o dia".

Espera-se que o visual de Apfel tenha atração semelhante sobre os espectadores. Suas aparições públicas e sessões de autógrafos têm atraído seguidores aos milhares e transformaram a comicamente retraída Apfel em uma espécie de heroína. Heterossexuais, segundo ela, são particularmente atraídos por ela."Eles são muito mais românticos do que as mulheres", disse ela, e parecem compartilhar sua convicção de que "não há glamour suficiente no mundo".

As mulheres a veem como um exemplo a ser seguido: "Muitas delas me disseram: agora que te conheci, eu me sinto livre". As excentricidades que aprenderam, Apfel mantém:" Quando você não se veste como todo mundo, você não tem de pensar como todo mundo".

"Quando você não se veste como todo mundo, você não tem de pensar como todo mundo", ensina Iris

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