Beleza põe mesa

Beleza põe mesa

Atualizado: Segunda-feira, 13 Dezembro de 2010 as 9:35

A gente já desconfiava, mas agora é fato: a beleza (feminina) é valorizada no mercado de trabalho brasileiro, chegando a influenciar na percepção de competência profissional. Além disso, existe, no Brasil, o estereótipo da "executiva bem-sucedida", que contempla características tanto físicas quanto comportamentais. Essas são algumas das conclusões do estudo "Beleza e carreira no Brasil - O significado da beleza para as jovens executivas e seu papel no mercado de trabalho", elaborado pela executiva de Marketing Juliana Penha Gomes, aluna de Mestrado da Fundação Getúlio Vargas, com orientação do professor Marcos Cobra.

Para a realização do trabalho, a autora entrevistou mulheres de 32 a 37 anos, recrutadores e estudou a literatura sobre identidade feminina e comportamento de consumo. A partir disso, constatou que existem características - que não aparecem nos anúncios de emprego ou nas revistas de negócio, mas que influenciam a escolha do profissional - relacionadas à sua imagem.

Estudos analisados por Juliana Gomes sugerem que o crescimento salarial derivado de promoções e aumentos é mais rápido entre os mais bonitos ao longo do tempo, e que os feios recebem salários menores do que a média, enquanto os classificados como bonitos ganham mais. Os três principais fatores que influenciam o "prêmio" dado aos mais bonitos são autoconfiança, percepção de competência e maior sociabilidade. "A confiança associada à beleza cria a (falsa) crença de que estes funcionários são mais competentes do que os demais. Funcionários mais bonitos geralmente são mais comunicativos e sociáveis e esta interação impacta positivamente em seus salários", analisa Juliana.

Uma das surpresas do estudo, no entanto, foi a naturalidade com a qual o tema foi abordado pelas entrevistadas. "Eu imaginava que a relação entre beleza e carreira seria um certo tabu e não apareceria de forma tão explícita na trajetória profissional", afirma a autora da pesquisa.

Mulheres e carreira no Brasil

Embora os indicadores referentes à participação da mulher no mercado de trabalho mostrem tendências positivas, as conquistas não devem ser superestimadas. De acordo com a análise de Juliana Gomes, estudos comprovam que ainda existe discriminação em relação à mulher, o que pode ser observado na hierarquia, remuneração, profissão e até indústria de atuação.

As mulheres geralmente ocupam posições subordinadas aos homens, recebem salários mais baixos, estão mais presentes em profissões ligadas às áreas como educação, assistência social e prestação de serviço, tidas como mais "femininas", e são minoria em indústrias "masculinas" como siderurgia e automobilística.

As mulheres representam 97% dos assistentes sociais, 89% dos psicólogos e 77% dos professores que declararam Imposto de Renda em 2000. "É importante notar que esta discriminação é discreta e não mais explícita como foi no passado", ressalta a autora do estudo.

Executivas e maternidade

De acordo com Juliana Gomes, as barreiras impostas às mulheres (em parte decorrentes de estereótipos tradicionais de gênero) faz com que muitas delas não almejem posições de liderança, uma vez que elas não estão dispostas a abrir mão da família e bem-estar pessoal em prol de ascensão profissional.

No que diz respeito à família, dados indicam que, em geral, as mulheres estão engravidando pela primeira vez com mais idade do que há algumas décadas e os casais, optando por ter menos filhos. Segundo dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos, do Ministério da Saúde Brasileiro, a proporção de nascimentos em relação a mães com 40 anos ou mais nos últimos anos aumentou de 1,75%, em 1996, para 1,95%, em 2002 e 2,17% em 2007. Índices, portanto, similares aos de países desenvolvidos.

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