Botas, chapéus e óculos fazem a cabeça dos universitários

Botas, chapéus e óculos fazem a cabeça dos universitários

Atualizado: Segunda-feira, 24 Maio de 2010 as 1:28

O frio está começando e os universitários de São Paulo já estão preparados. Munidos de cachecol, chapéu, bota ou sapatilha, eles escolhem acessórios divertidos para combinar com as roupas. A reportagem do R7 conversou com 18 estudantes de quatro universidades paulistanas. Em todas, os jovens disseram que não abrem mão do conforto e que evitam roupas justas e curtas no ambiente escolar.

Nenhuma das 11 meninas entrevistadas na USP (Universidade de São Paulo), na PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e no Mackenzie usa salto alto para ir à faculdade. O estilo é diferente na Faap (Fundação Armando Álvares Penteado), onde a maioria das garotas estava com bota de salto.

Os óculos com armações grandes fazem parte do visual dos meninos que fazem cursos de ciências humanas. Gustavo Racy, aluno de filosofia no Mackenzie, usava uma versão do acessório, assim como Pedro Dias e Carlos Vergueiro, estudantes de história na PUC-SP. Danilo Gusmão, que faz letras na USP, é outro que não abre mão de lentes com aro grosso, mesmo em dias nublados.

Dos jovens entrevistados, 14 criticaram o uso de salto e de minissaia em sala de aula. Dois citaram o vestido de Geisy Arruda, ex-aluna da Uniban, como modelo do que não vestir na faculdade. A jovem foi agredida verbalmente por colegas de curso no final do ano passado e chegou a ser expulsa da faculdade.

Liberdade de expressão

Dias e Vergueiro, alunos da PUC-SP, disseram aprovar a liberdade de expressão, “inclusive o nudismo”. O primeiro escolhe "a roupa que estiver menos suja" para ir à universidade.

Gabriela Silveira, estudante de relações públicas na Faap, foi um pouco mais específica quando questionada sobre o que não deve ser usado nas aulas.

- Bota branca. É feio.

Na contramão da maioria dos estudantes, Luciana Lopes defende o direito de cada um fazer o que quiser. Ela cursa o quarto ano de psicologia na PUC-SP.

- Não tem nada que não pode! Eu estudo psicologia!

Tradicionais, mas nem tanto

Economia, administração e direito são cursos considerados conservadores. No entanto, as estudantes mostram que preferem o conforto ao chique e que podem estar formais na faculdade sem serem quadradas.

Ousada, Larissa Monteiro - que cursa o primeiro semestre de economia na PUC-SP - vai à aula com roupa social, mas tenta sempre "manter a identidade”. Ela trabalha na empresa júnior da faculdade e confessa ser fã de acessórios diferentes e coloridos.

No dia em que foi abordada pela reportagem, a jovem usava calça capri branca, bolsa grande e colorida para levar o laptop e uma sapatilha de oncinha, que deixava à mostra sua tatuagem do pé – além das unhas da mão pintadas de azul.

- Tenho outras quatro tatuagens, mas que não aparecem.

Gabriela Bazaca está no primeiro ano de direito no Mackenzie. Ela mora perto da faculdade e vai caminhando todos os dias. Por isso, diz a estudante, calça apenas sapatilha, bota ou tênis.

Cheio de rampas, praças e muita grama, o campus da USP no Butantã, zona oeste de São Paulo, não é um lugar fácil para quem está de salto agulha, justifica Hanna Chen, aluna do segundo ano de administração na FEA (Faculdade de Economia e Administração)

- A USP não é muito boa para isso [usar salto], e eu venho de ônibus.

Lina Nakata, doutoranda em administração, também na FEA, gosta de usar uma saia “estilo hippie” comprada em Ubatuba para trabalhar e ir às aulas. Combinando com acessórios modernos, ela consegue transformar o visual despojado em uma roupa social.

Assim como Hanna, as estudantes Lina, Larissa e Gabriela disseram nunca ir à faculdade com salto alto.

Por: Letícia Casad

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