Compra e venda de cabelos?

Compra e venda de cabelos?

Atualizado: Sexta-feira, 9 Abril de 2010 as 12

Ter cabelos lindos e bem cuidados não significa simplesmente ‘ser vaidosa’, mas pode render uma boa grana, caso você tenha coragem de se desfazer das madeixas. Fábio Sobreira, proprietário da Mega Cabelos, em São Paulo, usou e abusou dessa ideia para montar o seu negócio.

Assim como outros profissionais, ele ganha dinheiro cortando os cabelos de uma para colocá-los em outra. "Fazemos diversos tipos de apliques, como rabos de cavalo, tic-tac, queratina, nó italiano, fio a fio e perucas", conta.

Segundo Fábio, as pessoas que o procuram são as mais variadas possíveis. "O público é bem diversificado. Entre sete e 50 anos, tanto mulheres quanto homens", afirma. O processo para o recolhimento dos fios é bem fácil. "Primeiro ele deve ser feito ao vivo. O cliente deve ir até a loja. Ninguém avalia cabelos por telefone", enfatiza Fábio.

Alguns requisitos básicos são levados em conta na hora de analisar a compra dos fios. "Analisamos o comprimento (o mínimo é de 30 centímetros), o tipo do cabelo (se é encaracolado, liso) e se ele está virgem (sem química alguma)", relata. O proprietário do salão conta que é muito raro o caso em que o cabelo tenha sofrido uma progressiva, por exemplo, e esteja bem tratado, forte o suficiente para ser colocado em outra cabeça.

E atenção quem tem os cabelos cacheados. Com a moda dos lisos, é muito raro um cabelo com cachos bem tratados, e que não tenha sofrido nenhum tipo de química (desde tingimentos até mesmo escovas progressivas). Por isso ele é bem mais cobiçado do que os outros tipos. "Os cacheados são os mais difíceis de achar atualmente, por isso, paga-se e vende-se mais caro", afirma Fábio.

Depois de escolhidos, vem o corte. "Eu gosto de separar mexa por mexa e ir amarrando e cortando em tufos pequenos", diz Fábio. Ele conta que muitos salões não fazem desse jeito, mas que, para ele, é bem mais fácil de manusear depois.

Após o corte, todas as mechas passam por um duplo processo de lavagem, daquelas convencionais mesmo e, depois, são hidratadas e podem ser utilizadas em outra cabeça. "O processo é bem simples. Se o cabelo já é bem cuidado, ele não precisa de muito mais do que isso. O cliente que receber os fios é que vai dar continuidade ao tratamento em casa", conta Fábio. Segundo o proprietário, os preços para cada tipo de cabelo variam muito, mas o mínimo é estimado em R$150 e pode chegar até R$400. Nada mal, não é mesmo?

Diferente do que muita gente pode pensar, não é só mulher que se interessa em vender o cabelão. O músico João Vítor de Amorin Neto passou um tempão cuidando das longas madeixas e agora quer cortá-las fora. O motivo? "Nenhum em especial", afirma o professor de música. Mas, com certeza, o calor escaldante que faz em Natal - onde mora - foi um dos fatores que contribuiu para que decidisse cortar os aproximados 30 centímetros de cachinhos. "Eu estou me sentindo sufocado nesse calor, com esse cabelo", completa.

Claro que depois de tanto cuidado, ele não iria simplesmente cortar os cabelos e deixá-los no chão de um salão qualquer. Então, porque não unir o útil ao agradável? "Vejo na venda uma oportunidade, assim não saio perdendo", encerra.

Por Tissiane Vicentin

veja também