Consultoria de estilo não é algo restrito a ricos e famosos

Consultoria de estilo não é algo restrito a ricos e famosos

Atualizado: Quarta-feira, 31 Agosto de 2011 as 8:52

  Roupa é investimento na sua imagem pessoal. Se você compra errado, é dinheiro seu que está indo para o ralo e vai trazer prejuízos, não só para as suas finanças, mas também para o seu estilo. Abrir o armário todos os dias de manhã e achar que não tem o que vestir costuma ser reflexo de escolhas mal feitas e consumo por impulso. Aprender a montar esse quebra-cabeça diário pode exigir ajuda profissional. Acredite: você também pode ter um personal stylist, mesmo que não seja nenhuma celebridade.

A ideia de que ter alguém para dar consultoria de estilo é algo restrito a ricos e famosos é um equívoco. Já é possível contratar, por preços possíveis, gente capacitada para auxiliar na combinação das peças que você já tem no armário, para orientar as compras daquilo que falta e até para organizar tudo dentro das gavetas. Contratar uma personal stylist não significa ausência de elegância e bom gosto. É natural ter dúvidas sobre que tipo de roupa combina com seu corpo ou com seu cargo. Mudanças na vida também levam, muitas vezes, a reviravoltas no figurino. Um palpite bem dado pode ajudar muito.

“Eu tenho o meu gosto, o meu estilo, mas preciso saber do que o cliente gosta, de que forma se sente melhor”, explica Camila Almeida, personal stylist e produtora de moda. O trabalho começa na conversa para conhecer a rotina e as preferências de quem a contrata. Um segundo encontro é feito diante do armário. “Descarto algumas coisas, dou dicas. O que é bacana nessa hora é ver a pessoa provando as combinações que vou sugerindo, a surpresa é inevitável”, conta Camila. Dar novas versões às roupas do dia a dia é uma maneira de evitar o desperdício. Nem sempre é preciso comprar novas peças, basta outro olhar para aquelas que a pessoa já possui.

A melhor maneira de eliminar alguns looks é enfrentar o espelho. “Mostro os defeitos, tiro foto, a pessoa vai enxergando algo que não tinha notado”, garante. Revelar os erros convence os clientes de que, por mais que doa, está na hora de se ver livre daquele modelito. Camila entrega um CD com imagens dos looks sugeridos, além das dicas práticas – que são individuais. “O que é mais gratificante é ver como os clientes se transformam. A roupa muda tudo, transforma o seu astral.” 

O personal pode ajudar a organizar o armário, o que muitas vezes leva à descoberta de itens que a pessoa nem sabia que tinha. “Muitas vezes, aproveito e faço a limpa...esse sapato já andou o que tinha de andar”, diverte-se Camila, que também realiza o trabalho de personal shopper.

Ou seja: vai à casa da pessoa, vê o que tem no armário, faz uma lista de compras e vai para o shopping ajudar na escolha das novas roupas. Por esse serviço, ela cobra R$ 400. A consultoria completa pode chegar a R$ 700. Os preços desse tipo de serviço variam muito de uma profissional para outra, mas não são mais proibitivos. “Vai depender do que a pessoa quer e da disponibilidade que tem para investir no guarda-roupa”, avalia a consultora de imagem Ana Pasternak.

Habituada a trabalhar no ambiente corporativo, Ana atua em empresas, que costumam bancar a orientação para seus funcionários. “O foco é no trabalho, mas as pessoas acabam usando as dicas para a vida”, acredita. “Toda pessoa chega se olhando em defeito. A principal dica é se olhar com amor. As pessoas também se preocupam muito em saber se tal roupa serve para gordas ou magras. O que tem de ser respeitado é o biótipo de cada um”, sugere. E mais: respeite suas preferências e características. Não adianta enquadrar uma mulher que adora ser perua. “A pessoa não pode deixar de ser ela mesma. O personal pode deixá-la mais alinhada, mas ela tem de se reconhecer.”

A princípio, Ana não joga nada fora. “A gente guarda roupas por valor afetivo, e elas vão se acumulando. Tenha no armário só o que você usa, fica mais fácil de combinar. Guarde o que não usa em uma mala. Se, em 3 meses, não precisar de nenhuma peça daquela mala, é hora de descartá-las”, ensina.

Outra dica: antes de ir às compras, olhe tudo o que tem. “É muito comum a pessoa comprar a cor que está na moda, mas que não combina com ela. Ou tem um manequim 42 e compra uma roupa 38 só para aproveitar uma oferta. O resultado dessas compras é desastroso para o armário. Não sofra da síndrome do 38, não compre sem experimentar, não se mede cintura da calça no pescoço!”, aconselha.

“É uma questão de consumo consciente”, diz Jô Souza, professora do curso de Personal Stylist da Panamericana Faculdade de Arte e Design. Ela acredita que, em poucos anos, cada pessoa terá seu personal stylist.

Dos alunos que procuram o curso, com 30 horas de duração, apenas 10% vão para aprender a cuidar de si mesmos. “As meninas querem isso como profissão, elas vão atuar como agentes de saúde da aparência”, diz Jô. “Elas podem começar cobrando R$ 70, a hora. Há uma demanda de pessoas emergentes que não sabem o que comprar, o que vestir, o que assistir. Essas profissionais saem habilitadas para espalhar o conhecimento adquirido.”

Roupa, diz Jô, é texto visual. “A partir do vestir é possível decodificar o que você é, antes da entrevista, antes das palavras.” Pense bem: que imagem que você quer passar para o mundo?

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