Dianne Brill lança fragrância que merece ser experimentada

Dianne Brill lança fragrância que merece ser experimentada

Atualizado: Sexta-feira, 10 Junho de 2011 as 9:08

Dianne Brill - ícone fashion e sexy da vida noturna de Nova York nos anos 80 - criou uma linha de maquiagem, e agora uma fragrância. Talvez a melhor maneira de descrever o surpreendentemente bom Dianne Brill Eau de Parfum, que será lançado este mês, é deixar que a própria Brill faça isso:

"Eu conheci (a perfumista) Valerie (Garnuch) porque havíamos criado juntas as fragrâncias para todos os produtos de maquiagem e cuidados para a pele. Eu tinha guardado um pedaço de couro que comprara em um mercado de pulgas na 26th Street com a Sixth Avenue. Amei aquele cheiro. Guardei em uma caixa durante anos. Eu tinha também um óleo corporal da Kiehl, cujo cheiro eu adorava, era uma coisa meio salgada de praia, meio de sacanagem. Eles não fazem mais. Fiz a Valerie desconstruí-lo, e finalmente descobrimos qual a matéria-prima dali que eu gostava tanto. Eu gosto de cheiro de madeira de construção. Não queria sândalo, nada indiano ou exótico. Queria que tivesse jeito de sapatão, mas que fosse feminino. Como se faz isso? Adoro o cheiro dos figos melados que ficaram no sol e se tornaram pegajosos, mas a gente também trabalhou com figo verde. Dei para Valerie uma caixa de charutos cujo odor me encantava - tenho certeza que veio de Cuba. Comprei em algum lugar bizarro, acho que na Broadway. Minha mãe nasceu na Inglaterra, mas foi criada em Cuba, e saiu de lá com a chegada de Fidel Castro. Você sempre traz o passado consigo. Adoro o cheiro de livros antigos, do papel, de sua história. Na Alemanha, descobri umas charutarias incríveis equipadas para proporcionar uma experiência masculina, elegante, elaborada. Temos madeiras, frutas, flores, condimentos, embora os condimentos tenham sido difíceis para mim. Meu marido e sua família tinham acabado de comprar um barco sensacional, fomos para as Ilhas Mustique e encontramos o produtor de uma excelente noz-moscada das Índias Ocidentais, que trazia um cheiro estranho, algo como sacanagem na discoteca, aquele cheiro de gente começando a suar na pista de dança. Então (a Valerie) acrescentou aquilo."

O resultado é um perfume inovador, mas uma inovação como que polida por um glutão. Ele é muito polivalente. Não se trata de modo algum de um Chanel No. 22, mas também não é o Odeur 53; não é a taça de champanhe de cristal dos eventos beneficentes na New York Public Library ou a caneca de cerveja do Iron Maiden, e é por isso que ele traz uma leve nota de qualquer coisa que tenha acontecido às 3 da madrugada em um clube do East Village no passado - algo doce, suado, com tintas de tabaco, calças de couro, sexo e drogas - ou na sua cadeira da fileira F logo antes da cortina fechar no teatro Vivian Beaumont. Não será para qualquer um, e há um traço muito tênue e ao mesmo tempo desconcertante no odor - um formigamento, na verdade - daquele ar impregnado de poppers e gelo seco de clube, mas isso, creio eu, foi pensado assim.

Segundo a perfumista Valerie Garnuch, Dianne Brill ficou o tempo todo no laboratório: ela colocava o nariz nas matérias-primas e cheirava cada etapa. Se foi assim, excelente. Valerie construiu o perfume com vários materiais interessantes: puro ylang de Madagascar para o toque floral, benjoim aromático do Peru ("muito doce e lembrando baunilha", diz a perfumista, "mirra é mais terebena", isto é, terebintina), um toque de chocolate (que Valerie fez à base de baunilha e pirazinas), stemona sintética para as notas de figo, damasconas e cumarinas sintéticas para as notas de tabaco. No fim, é o ponto onde tudo isso se encontra que interessa, é claro. Este ponto me faz pensar em Ambre Narguilé, de Hermès, em contato com óxido nítrico. De qualquer modo, é algo a ser experimentado.    

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