Dior leva coleção clássica à passarela

Dior leva coleção clássica à passarela

Atualizado: Sexta-feira, 30 Setembro de 2011 as 1:14

O mistério do ano no mundo da moda finalmente foi revelado nesta sexta-feira (30) durante o Prêt-à-porter Paris. No museu Rodin, em uma sala imitando as boiseries das butiques Dior, a grife francesa apresentou sua coleção primavera-verão 2012 após o escândalo que tirou o estilista John Galliano do comando, há quase sete meses. Sem o romantismo roqueiro do antigo estilista, Dior levou à passarela uma coleção clássica realizada pelo designer inglês Bill Geytten.

Superclássica, mas daquele jeito que tem a maior coerência com a expressão prêt-à-porter, o pronto para vestir. Tudo a ver com os arquivos da grife mais parisiense que existe. A ênfase nas saias arredondadas, pregueadas, as blusas de mangas 3/4 ou 7/8, com cintinhos finos, as calças perfeitas, pareciam feitas naqueles tecidos tipo helanca, de tão certas.

Aplicações metálicas ou peroladas enfeitaram barras e decotes, estampas de flores esparsas em fundo branco cobriram casacos. Há vermelhos, quando começam os looks mais noite.

Da cintura para cima, decote transpassado, para baixo, saias de pregas soltas. Depois, os longos: quem tiver livros sobre Dior, compare a bela adaptação que o estilista que já trabalhava na marca fez dos modelos com tiras bordadas desiguais nas saias, nos looks de blusas de renda preta sobre saias de tule branco, os pretos com babados finos.

O dia de desfiles surpreendentes começou com Hussein Chalayan, figurinha difícil nos convites, todos querem ver qual será a invenção dele da estação. E desta vez a aposta foi alfaiataria. Em preto, branco, cinza e bege. Nada mais clássico, certo? Pois nem pensem em desenterrar os terninhos de oxford, porque o que ele sugere tem o encanto dos franzidos de um lado só. E o show segue com tubos. Pouco acima dos joelhos, decote alto, brancos. No lugar de leds, luzes, metais, vem estampa de flores. Em regata e shorts.

Já o russo Gaspard Yurkievich, que sempre gostou de glamour, sedas, bordados, drapeados, levou seu desfile para o hotel Intercontinental, naqueles salões cheios de lustres. A coleção foi algo anos 1960, evasê, calças bicolores, vestidos cáquis com bolsões quadrados brancos e detalhes amarelos no alto; ou beges, dignos de um Ted Lapidus ou Pierre Cardin das antigas, a rigidez de formas quebrada por babadinho no pescoço.

A descrição parece algo velho, mas não, porque surgem saias com um súbito babado na frente, na vertical, com um botão. Outra coisa bacana do Yurk: a linha masculina, de ternos impecáveis e modernos. Os tecidos encorpados são importantes na coleção, para dar a forma. O final, com o elenco reunido, sempre dá belas fotos.

Um trio surpresa: Hussein comercial; Yurkievich sem adornos e Dior sem diretor de criação, mas talvez nem precisasse. Geytten fez simples, comercial e bonito.

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