Eau de Pamplemousse Rose é uma colônia dura apenas 5 minutos na pele

Eau de Pamplemousse Rose é uma colônia dura apenas 5 minutos na pele

Atualizado: Sexta-feira, 17 Junho de 2011 as 9:48

Eaux, ou águas perfumadas, foram as primeiras fragrâncias a surgir na Terra: o equivalente ao perfume da era jurássica. Um exemplo é o   4711 Echt Kolnisch Wasser , criado em 1792 em Koln, numa época em que a moderna cidade alemã ainda era um estado soberano dentro do Império Romano. O nome francês para Koln, Cologne   [Colônia, em português],   nos deu a água-de-colônia. 

Mas as águas podem ser problemáticas. O melhor modo de descrever o   4711 , que ainda é fabricado, é “impossível de ser usado”. Mas o adjetivo é quase importante demais para o triste vazio da fragrância, que consiste de um toque dos óleos de limão e toranja e uma ou duas plantas aromáticas. Águas de colônia costumam ser fugazes, desaparecendo da pele ou por completo – como um êxtase olfativo -  ou parcialmente, o que é ainda pior, pois o que resta depois da desintegração é uma coleção randômica de moléculas que simplesmente não desgrudaram. O que resta é quase sempre amargo, frequentemente pungente e raramente agradável.  

Entretanto, a ideia no âmago de uma eau fraiche (essencialmente a mesma água-de-colônia) sobreviveu até o presente momento porque o conceito, quando bem executado, é muito atraente: um leve e refrescante choque de eletricidade cheiroso abastecido com óleos que variam entre os vários tipos de limão e de laranjas doces e azedas, que são como luz líquida, além de ervas frescas que fornecem uma sombra rica e refrescante, como a sombra de uma árvore frondosa em um dia quente. 

A execução é a parte mais difícil. Pode-se tentar usando uma dose cavalar de bergamota (um dos melhores aromas do mundo), como o perfumista Jean-Claude Ellena fez para a colônia imortal   Bigarade , para Frederic Malle. Ellena fixou sua bergamota com um toque de axila natural e tons de madeira. O trio criou equilíbrio entre frescor e tentação que até hoje está para ser superado.  

A perfumista Françoise Caron tentou uma outra abordagem com o   Eau d’Orange Verte   da Hermès. Seu cítrico confronta, reforçando o amargor. E Olivier Cresp fez um trabalho extraordinário quando reinventou a água-de-colônia com o   Light Blue , do Dolce & Gabanna; ele não só criou um limão refrescante e doce como fez com que ele perdurasse na pele sem se desintegrar. 

Agora Ellena, o perfumista oficial da Hermès, criou duas variações para cada água. Antes, ele havia transformado a   Eau d’Orange Verte   de Caron em uma fragrância suntuosa e fascinante, que não pende para a madeira nem para a terra. Ellena removeu o amargor do perfume e o trocou por algo extrema e deliciosamente estranho: o cheiro de uma floresta de carvalho no verão. Este novo   Eau d’Orange Verte , enquanto ainda abençoadamente unissex, agora está mais amistoso e muito mais humano.  

As duas novas variações de Ellena são   Eau de Gentiane Blanche   (genciana é uma erva que dá flor) e   Eau de Pamplemousse Rose   (toranja rosa). O primeiro é mais interessante, com aspectos de laranja verde e o cheiro estranho e intrigante da genciana. A segunda é muito mais agradável e muito mais simples.   Eau de Pamplemousse Rose   é uma colônia agradável e docemente efervescente da toranja rosa da Flórida. Ela evoca a casca da fruta sendo retirada sob o sol. 

Entretanto, é uma água, e o problema técnico ancestral permanece vivo. Estas delícias simplesmente não duram na pele. A meia-vida do   Orange Verte   é de 10 minutos. Pamplemousse   tem apenas 5 minutos. E nenhum dos dois permanece no ar. A proximidade necessária para senti-lo de verdade pode levar alguém para a cadeia em alguns países. Em termos diretos de crítica, preciso atribuir a eles dois frascos. 

Custando US$165 por 200ml, são verdadeiros luxos. Mas são tão agradáveis e fugazes quanto a leve brisa que te lambe e vai embora. Tem algo a ser analisado nas fragrâncias cuja adorabilidade é compartilhada somente por aqueles que estão mais perto.

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