Escova progressiva: salões nos EUA adotam medidas para evitar danos à saúde

Escova progressiva: salões nos EUA adotam medidas para evitar danos à saúde

Atualizado: Segunda-feira, 8 Novembro de 2010 as 10:40

Enquanto mais e mais mulheres querem experimentar a última sensação no tratamento de cabelos nos EUA, o alisamento conhecido como "Brazilian Blowout" (é o nome de uma marca brasileira, mas também a designação genérica para a escova progressiva), o Salão Neil George, em Beverly Hills, na Califórnia, improvisou uma cabana com laterais abertas e uma capota de tecido para isolar o procedimento do próprio salão.

- Eu não suporto o cheiro - explicou um dos proprietários, Neil Weisberg.

Mark Garrison, o proprietário de um salão que leva o seu nome no Upper East Side de Manhattan, reservou um andar para o tratamento, equipou-o com ventiladores especiais e começou a fornecer máscaras contra gases para clientes e funcionários. E um salão John Frieda, de West Hollywood, faz alisamento num pátio ao ar livre.

Assim como os permanentes, que já foram o auge da moda, o lucrativo processo de converter cabelos crespos em madeixas lisas produz odores desagradáveis. Mas seria ele perigoso, especialmente para quem aplica repetidamente esses produtos?

Produto usado para fazer a escova progressiva pode ser cancerígeno

No mês passado, o mundo da beleza foi chacoalhado quando uma agência de saúde ocupacional de Oregon encontrou níveis significativos de formaldeído na solução que promete o alisamento de cabelo. O formaldeído (formol), um ingrediente encontrado em muitos produtos, é um conhecido cancerígeno se usado em altos níveis. A agência afirmou ter conduzido testes após receber numerosas reclamações de estilistas, que citaram sangramentos nasais, problemas de respiração e irritações nos olhos após aplicarem o produto. As autoridades do estado ampliaram seu alerta para incluir outros produtos de alisamento, particularmente aqueles descritos como "à base de queratina", e recomendaram que os salões tomem providências para proteger seus funcionários.

O alerta, divulgado na sexta-feira, veio duas semanas após a Agência Governamental de Saúde do Canadá proibir o "Brazilian Blowout", depois de descobrir que suas concentrações de formol chegariam a 12%.

A FDA, a Administração de Drogas e Alimentos dos Estados Unidos, também já anunciou que tem se reunido com autoridades estaduais para investigar se o produto é seguro. Segundo sua porta-voz, Siobhan Delancey, a FDA vai responder à reclamação dos consumidores.

A Brazilian Blowout - que, além do produto, também batiza a empresa de Los Angeles responsável por ele - inicialmente repudiou os alertas de Oregon. Depois, no entanto, ressaltou que, segundo os testes promovidos naquele estado, a exposição ao formaldeído necessária para o tratamento estava "seguramente abaixo" dos níveis máximos permitidos.

O alerta provocou uma reação em massa dos proprietários de salões de beleza. Alguns, como os estabelecimentos de Sally Hershberger em Los Angeles e Nova York, decidiram banir a marca "Brazilian Blowout", mas continuam usando soluções semelhantes de outras empresas. Alguns fabricantes reconhecem que seus produtos têm formalina, uma substância composta, em parte, por formaldeído, mas em quantidade que seria "insignificante".

O Salão das Maravilhas de Michael Angelo, em Manhattan, largou os tratamentos brasileiros anos atrás por causa da presença de formalina. Mas voltou a oferecer a solução "Brazilian Blowout", quando a empresa assegurou que o produto era livre de formaldeído.

Muitos proprietários de salão acreditam que as agências de saúde estão exagerando.

- Você põe Botox no rosto, batom nos lábios, você fuma. Escolha o seu veneno - reage Weisberg, do salão de Neil George.

Segundo ele, o salão faz mais de 20 tratamentos por semana, a maioria com "Brazilian Blowout", e não tem intenção de parar.

No Studio Noi, um pequeno salão de Los Angeles, a proprietária Mar Fujimoto garante já ter comandado, ela mesma, 300 tratamentos com "Brazilian Blowout" em seis semanas. Ela disse que a companhia assegurou que o produto não era prejudicial.

- Confio quando eles dizem que não tem formaldeído.

Os questionamentos relacionados à segurança da escova progressiva aumentaram com os anos, mais notavelmente após um artigo, amplamente repercutido, publicado em 2007 pela revista "Allure". Mas, para muitos proprietários de salão de beleza e cabeleireiros, que geralmente são contratantes independentes, é difícil abdicar de uma solução tão rentável.

- É um dos serviços mais populares que tivemos em anos - ressalta o proprietário de salão John Barrett. - As clientes o consideram uma dádiva".

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