Fragrância Infusion d'Homme, da Prada, é um trabalho preciso de delica

Fragrância Infusion d'Homme, da Prada, é um trabalho preciso de delica

Atualizado: Quarta-feira, 29 Junho de 2011 as 9:42

Quando a perfumista Daniela Andrier falou com Fabio Zambernardi, braço direito de Miuccia Prada, sobre as direções possíveis de um novo perfume masculino da marca, Zambernardi teve uma idéia um tanto incomum. Em 2007, Daniela havia criado uma fragrância feminina para Prada chamada   Infusion d'Iris ; Zambernardi disse a ela que ficara fascinado pelo sabonete aromatizado com aquele perfume. Ele propôs uma fragrância masculina que tivesse o cheiro daquele sabonete - ou, para ser mais preciso, o cheiro da pele de um homem que tivesse encontrado o sabonete no banheiro de uma mulher e se lavado com ele. Daniela pensou a respeito e foi trabalhar.

Infusion d'Homme   foi lançado este mês, e é um trabalho preciso de delicadeza e moderação. A delicadeza torna-o interessante, a moderação deixa-o maravilhoso, e o fato de um perfume desta qualidade estar sendo comercializado para homens faz com que ele seja extraordinário.

A íris é uma matéria-prima difícil, pois se trata do equivalente olfativo à pérola negra. Ele é interpretado pelo nariz quase como uma parede de odor, uniforme e inexorável - mas o cinza da pérola negra, quando bem produzido, pode perfeitamente ser a cor mais bonita de todas. Diferente da crença geral, a íris não traz um cheiro floral e sim algo mais amadeirado, de raízes (a íris está na verdade mais próxima do sândalo do que de qualquer flor), cuidadosamente envelhecida por pelo menos três anos. As íris de melhor qualidade vêm de Florença. É uma das matérias-primas que, como o vetiver ou a rosa, pode ser o perfume inteiro, virtualmente por si só.

O   Dior Homme , do perfumista Olivier Polge, abre um precedente bem atual para uma íris masculina. Ele é excelente, porém diferente. Polge embrulhou a alma da íris de   Homme   em uma "habillage" de maciez. "Habiller" em francês signifca "vestir", e muitos perfumes possuem esta estrutura de vestimenta ao redor de um cerne, assim como o chocolate ao leite está envolto pela capa floral/frutada no perfume que Maurice Roucel criou para a Missoni.

A perfumista Daniela Andrier, pelo contrário, faz mais um estudo do material puro. Há quase uma adstringência como a do vetiver acrescentada à cremosidade amadeirada. A abordagem é totalmente direta (típico dos perfumes masculinos), o aspecto de sabonete é prático (se você conseguir imaginar um "salão de beleza masculino", chegou lá) e a abordagem artística é discreta, e é assim que os homens enxergam a elegância.

Infusion d'Homme   tem outros dois análogos em diferentes meios artísticos. Um é visual: o quadro "Madame X", de John Singer Sangent, no qual a opalinidade branca-acinzentada do colo e dos ombros de Madame Pierre Gautreau é realçada por seu vestido ônix. Não é uma pintura feminina. Tanto "Madame X" quanto   Infusion d'Homme   são rígidos, claros e admiráveis.

A outra analogia é auditiva: "Pavana para uma Princesa Defunta", de Ravel. Circunspecta, delicada, musicalmente pontilhista, ela entrelaça uma quase austera parede sonora, um encanto que é ao mesmo tempo tão limpo e tátil quanto um sabonete encontrado na banheira.

Infusion d'Homme

Prada

neimanmarcus.com    

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