Moda ecologicamente responsável ganha mais adeptos

Moda ecologicamente responsável ganha mais adeptos

Atualizado: Quinta-feira, 15 Julho de 2010 as 10:42

Quando começou a ganhar destaque, no início do século 21, a moda responsável apareceu como alternativa para quem queria uma vida mais sadia. O segmento fashion se consolida a cada dia como uma verdadeira revolução no estilo e na consciência dos consumidores de moda.

Para a fundadora do Instituto Ecotece, Ana Cândida Zanesco, "o vestir é um ato cotidiano e assim também pode ser a nossa consciência, presente diariamente”.

Iniciativas que prezam por tecidos e materiais menos agressivos ao meio ambiente, como o algodão orgânico (sem agrotóxicos ou corantes químicos), a fibra de garrafas PET e de cânhamo, são cada vez mais comuns. Ações que agregam ao vestuário o estímulo à economia solidária, através do trabalho em parceria com cooperativas ou grupos familiares de trabalhadores rurais, também surgem como ondas e se fazem cada vez mais presentes no dia a dia fashion.

E toda essa mudança, que tem balançado a indústria mundial da moda, tem um motivo: um novo tipo de consumidor consciente, responsável direto pela lucratividade do segmento e disposto a pagar mais caro por produtos que carreguem valores de responsabilidade socioambientais ao seu estilo.

A era dos Lohas

Tais consumidores, bem delineados dentro do mercado, receberam até um nome específico: Lohas (Estilos de Vida de Saúde e Sustentabilidade, na sigla em inglês), batizados pela empresa The Marketing Insider. A empresa de pesquisa de mercado americana traçou um perfil desse público e apontou que a maioria dos Lohas são mulheres, de alta escolaridade e dispostas a pagar 20% a mais por produtos que lhes ofereçam mais qualidade e uma beleza mais “verde”.

Entre seus itens preferidos estão alimentos e produtos de beleza orgânicos, materiais de limpeza biodegradáveis e lâmpadas de baixo consumo de energia. Esses consumidores prezam por valores como economia sustentável, estilo de vida alternativo, mais ecológico e saudável, e crescimento pessoal. Quando compram, eles observam quesitos como éticos, sustentabilidade ambiental, direitos humanos, comércio justo e desenvolvimento pessoal e espiritual.

Todas as etapas do processo de produção, comercialização e descarte também são analisadas antes da escolha e até tentativas de greenwash (o discurso ambiental vazio e sem ações concretas por parte das empresas) são observadas e banidas.

Brasileiras à frente

Segundo a pesquisa, esse mercado está em crescente expansão e nos próximos três a dez anos, 38% dos consumidores americanos devem migrar para esse perfil.

No Brasil, uma pesquisa realizada pelo Sebrae detectou as principais características dos consumidores do chamado Comércio Justo (relação comercial que promove a ética nos negócios, da produção do material até a chegada ao consumidor final). Os resultados apontam que a faixa etária está entre 25 e 50 anos, são pessoas das classes A e B, formado majoritariamente por mulheres e que valorizam o design dos produtos.

E se alguém ainda pensa que moda sustentável é coisa de hippie ou de naturalistas, Ana Cândida dá o conselho.

- Precisamos de pessoas com atitudes empreendedoras, que busquem informações, soluções, dispostas a pesquisar, inovar, tentar, tentar novamente e quebrar pedras para construir o novo, fazer um trabalho de base, reconstruir o estrutural.

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