M.Officer divulga comunicado oficial sobre uso de pele na moda

M.Officer divulga comunicado oficial sobre uso de pele na moda

Atualizado: Terça-feira, 17 Maio de 2011 as 8:31

Carlos Miele, acusado de declarar que era a favor do uso de animais 'até o osso', divulga posição a favor das leis de proteção

Convidado a participar do ciclo de palestras do Donna Fashion DC Iguatemi, em Florianópolis (SC), o dono da M.Officer, Carlos Miele, teria declarado que “os animais de cativeiro são criados para esse propósito. Acho que tudo neles tem de ser consumido, até o osso. Não concordo com o uso de peles de animais selvagens. Mas acho essa discussão simples demais. Então, se não podemos usar peles de animais de cativeiro, temos de discutir se podemos continuar comendo peixes e carnes, por exemplo”. Nem é preciso dizer que a declaração caiu como um míssil nas redes sociais, onde os protestos contra o uso de pele na moda angariam uma militância barulhenta e eficiente - tanto é assim que a Arezzo , vítima da patrulha da pele, tirou sua coleção das lojas por conta das pressões sofridas. As declarações de Miele foram reproduzidas na internet , e geraram aquela confusão. Como resposta às manifestações, a M.Officer acaba de divulgar um comunicado oficial, em que a empresa se diz a favor das leis de proteção dos animais. Confira, abaixo, a íntegra do documento:

"O fundamental em uma democracia é que todos tenham o direito de expressar suas opiniões, sem que elas sejam manipuladas ou descontextualizadas. Todos os animais criados são igualmente sensíveis e têm os mesmos direitos. Concordamos e apoiamos qualquer mudança de hábito e leis que sejam para a melhoria do planeta. A questão da preservação destes animais é complexa e só poderia ser alcançada através de um consenso dos Governos Mundiais e Leis que proíbam a criação para o consumo alimentar da carne de qualquer animal e, controlem a sua comercialização em restaurantes, supermercados e outros distribuidores da cadeia. 

O consumo de carne é um hábito que está nas raízes da nossa história e essa mudança teria que ser muito bem estudada, considerando a luta contra a fome e a desnutrição, que já afetam milhões de pessoas no mundo, além das conseqüências econômicas, como o aumento do desemprego. Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne ABIEC, atualmente o Brasil é “o país número 1 em exportação e o 2º país em consumo de carne bovina” no mundo. Conforme publicado pelo Estadão.com.br, o “Brasil deve virar o maior exportador de frango”.

Matéria publicada pelo Jornal do Comércio informou que “o consumo per capita de carne de coelho em alguns países da Europa é maior do que qualquer outra carne”. “No Brasil são consumidas 12 toneladas de carne de coelho por ano. É um alimento de alto nível nutricional e a tendência é que a cunicultura aumente no país”, segundo matéria publicada pelo Diário Maringá. A sociedade se alimenta da carne animal e utiliza a pele para fazer sapatos, bolsas e peças de vestuário desde os primórdios da humanidade. Com a evolução da sociedade foram feitas leis para a proteção dos animais, porém, se as leis vigentes não são eficazes, somos a favor da revisão das mesmas ou que novas leis, mais eficientes, sejam criadas.

Na nossa opinião é preciso ter leis mais rígidas e um controle mais eficaz para certificarem que o abate seja feito apenas para o consumo da carne. A pele do boi, do peixe, do coelho só deveria ser obtida como subproduto da produção da carne, que é melhor ser utilizado do que desperdiçado. Outros subprodutos de origem animal e que não são usados para a alimentação ou vestuário, deveriam ser utilizados por outras indústrias. “Atualmente os produtores abatem o animal e descartam a pele. Isso é errado, o objetivo é industrializar a pele”, comenta Amauri da Silva, diretor da FEI (Fazenda Experimental de Iguatemi), da Universidade Estadual de Maringá (UEM), em matéria publicada pelo Diário Maringá.

De acordo com um conceito mundial, não é positivo desperdiçar nenhum subproduto após o abate do animal para o consumo da carne. Permitindo com que esses subprodutos se tornem lixo, que precisa ser tratado e transportado, poluímos o meio ambiente, afetamos diretamente todos os animais e os seres humanos e ainda teríamos que substituí-lo por outras matérias-primas.

A grande maioria das empresas internacionais que estão no Brasil ou não, também utiliza peles de animais para a confecção de bolsas, sapatos e acessórios. Logo, temos um problema de dimensão global, onde Leis que sejam instituídas em um país deverão também ser válidas em todos os outros.

Somos absolutamente contra qualquer tipo de maus-tratos aos animais e apoiamos incondicionalmente qualquer solução inteligente, mudanças, leis e órgãos oficiais de controle para as questões que afligem o meio-ambiente e a vida no planeta.

Pedimos que qualquer pessoa que venha a reproduzir essas palavras faça isso as preservando na íntegra desse texto, sem que elas sejam descontextualizadas e utilizadas para a manipulação de pessoas desinformadas. Essa é uma atitude que só atrapalha o amadurecimento da discussão sobre novas idéias e propostas e, com isso, os maiores prejudicados são os animais.  Equipe M.Officer"

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