Muito cuidado com o bronzeamento artificial

Muito cuidado com o bronzeamento artificial

Atualizado: Quarta-feira, 20 Julho de 2011 as 9:32

Quem não gosta de ter uma cor bronzeada e uniforme sem descascar? Com esse objetivo, milhares de pessoas freqüentam camas e cabines de bronzeamento artificial. Nesta época do ano, as clínicas recebem um número ainda maior de clientes que pretendem entrar no verão já com a cor desejada.  

O diretor da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Dr. Abdiel Figueira Lima, explica que o raio ultravioleta é o principal excitador dos melanócitos, gerando conseqüentemente maior produção de melanina, o que configura a pele bronzeda. Desta forma, fazer bronzeamento artificial pode ser arriscado já que este raio é um dos principais causadores do câncer de pele.  

"O risco depende do tipo de pele que pode sofrer esta excitação, o exame prévio devem ser feito para identificar os possíveis sinais existentes na pessoa e os seus hábitos", afirma.  

Para o dermatologista, deve-se respeitar a dose de exposição natural, sobretudo em um País tropical. "Há uma preocupação com a acumulação desta exposição; achamos uma condição de risco para o aumento dos cânceres da pele", alerta.  

Os consumidores devem ficar cientes de que neste procedimento há mais probabilidade de se contrair um câncer de pele do que na exposição solar, já que esta pode ser regulada pelo uso do filtro solar. "Os trabalhos científicos já publicados na literatura mundial provam isto", afirma.  

Devido aos diversos problemas que o bronzeamento artificial pode causar, a SBD não aprova o procedimento. Já a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão fiscalizador do Ministério da Saúde, estabeleceu regras para o funcionamento. Entre elas, estão as obrigatoriedades de licença do órgão sanitário competente; cadastro de clientes; comprovante de treinamento dos operadores das câmaras de bronzeamento artificial; registro de eventos adversos ocorridos em sessões de bronzeamento realizadas; informações sobre os riscos oferecidos pela exposição às luzes da câmara, como câncer de pele, catarata e envelhecimento precoce. Tudo isso em local visível.

Não podem fazer bronzeamento artificial:  

Pessoas que não apresentarem sua Avaliação Médica, ou esta indicar uma ou mais situações de risco, ou o período entre a data de sua emissão e data prevista para a realização da primeira sessão de bronzeamento exceder a 90 (noventa) dias; Menores de 16 (dezesseis) anos; Maiores de 16 (dezesseis) anos e menores de 18 (dezoito) anos que não tiverem autorização expressa de seu responsável legal; Quem não apresentar o Termo de Consentimento. Câncer de pele  

O câncer de pele é o mais freqüente no Brasil, com cerca de 25% dos tumores malignos. Apesar do alto índice, quando detectado precocemente apresenta alto índice de cura.  

Alguns fatores de riscos que levam ao câncer de pele são: o químico (arsênico), a radiação ionizante, processo irritativo crônico (úlcera de Marjolin), genodermatoses (xeroderma pigmentosum, etc.) e, principalmente, a exposição aos raios ultravioletas (presentes na exposição ao sol e ao bronzeamento artificial).  

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de pele é mais comum em indivíduos com mais de 40 anos, sendo relativamente raro em crianças e negros, com exceção daqueles que apresentam doenças cutâneas prévias. Os negros normalmente têm câncer de pele nas regiões palmares (palma das mãos) e plantares (sola do pé).  

O Inca divulga em seu site a incidência de câncer no Brasil para 2006. Os tumores que mais vão atingir o sexo masculino serão o câncer de pele não melanoma (55 mil casos novos), próstata (47 mil), pulmão (18 mil), estômago (15 mil) e cólon e reto (11 mil). Para o sexo feminino, destacam-se os tumores de pele não melanoma (61 mil casos novos), mama (49 mil), colo do útero (19 mil), cólon e reto (14 mil) e pulmão (9 mil).

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