Mulheres buscam a beleza nas salas de cirurgia da Coreia do Sul

Mulheres buscam a beleza nas salas de cirurgia da Coreia do Sul

Atualizado: Segunda-feira, 28 Novembro de 2011 as 9:54

O físico é importante, e muito, na Coreia do Sul, cujo vertiginoso crescimento responde em parte à competitividade impiedosa presente em todos os âmbitos da sociedade, que induz milhares de jovens a entrar na sala de cirurgia para melhorar seu aspecto. Se estudar na melhor universidade é garantia de felicidade e êxito social, ter uma boa aparência também é importante e, por isso, duas de cada dez sul-coreanas já realizaram cirurgias plásticas em uma das aproximadamente três mil clínicas especializadas do país.

"Muitas mulheres recorrem às cirurgias porque não encontram emprego e acham que melhorar seu aspecto físico poderá ajudar sua entrada no mercado de trabalho", afirma Park Hyun-Cheol, um cirurgião plástico da renomada clínica OZ, localizada no seleto bairro de Gangnam em Seul.

Lee Seu-ji, uma jovem de 25 anos que entre 2005 e 2008 se submeteu a quatro operações que mudaram completamente seu rosto, confessa que sua autoestima aumentou muito, fato que ajudou a jovem a "fazer muitos amigos na universidade" e enriquecer sua vida social. "Não me arrependo de nenhuma das operações e voltaria a fazer se fosse preciso", assegura à Efe a jovem, cujos pais desembolsaram US$ 8,5 mil para realizar essas sucessivas mudanças na imagem da filha.

Na Coreia do Sul, o aspecto físico ideal possui padrões determinados, que se resume em ter olhos grandes e definidos, nariz afinado, rosto vertical, dentes perfeitos e, por último, pernas finas, a única característica que grande parte das jovens coreanas compartilham por mera obra da natureza.

"A maioria dos coreanos têm os olhos pequenos e esticados, tanto que às vezes nos dão a sensação de que estão com sono. Muitas meninas vêm aqui para tentar mudar essa característica", explica o médico Hyun-Cheol. Uma hora antes de falar com a Efe, o cirurgião, com mais de 15 anos de experiência, realizava uma cirurgia para corrigir a pálpebra superior de uma paciente inconformada por ter nascido com a pálpebra lisa como quatro de cada cinco sul-coreanas.

Conhecida como eyejob (blefaroplastia), a operação de correção de olhos, que custa entre US$ 1 mil e US$ 3 mil na clínica OZ, tem uma segunda variante que consiste em realizar pequenos cortes laterais para aumentar o tamanho dos olhos. Lee Seu-ji realizou ambas as cirurgias e está mais que satisfeita com o novo aspecto de seus olhos "mais abertos e arredondados".  

A mudança tornou sua expressão "mais amável", contrastando com a "dureza" de seu olhar antes da operação.

As cirurgias plásticas oculares são tão triviais que as jovens sul-coreanas não as consideram como uma cirurgia, já que não precisam de hospitalização.  

Elas representam 50% das mais de um milhão de operações realizadas na Coreia do Sul em 2010, segundo Yoon Sung-min, diretor de uma empresa especializada em estética.

Quem deseja ter um nariz mais fino e empinado, assim como a jovem Lee, precisa recorrer à clássica rinoplastia que, com um preço entre US$ 2 mil e US$ 3 mil, é a segunda cirurgia mais realizada no país, seguida da redução de mandíbula.

Esta última, que consiste em raspar alguns ossos da face para estilizar a forma do rosto, "não leva uma hora para ser realizada, sendo que antes era preciso várias horas e pelo menos dois cirurgiões", assegura o cirurgião Hyun-Cheol, que realiza este tipo de operação por US$ 4 mil.

Muitas mulheres que procuram sua clínica apresentam como referência fotografias de estrelas e celebridades que, em sua maioria, também passaram pela sala de cirurgia para alcançar notoriedade na televisão, onde desfilam as atrizes, cantoras e modelos mais famosas do país.

Ao observar as celebridades sul-coreanas chama a atenção que seus dentes, além de serem brancos e ordenados, apresentam um aspecto exatamente idêntico entre si, produto da substituição parcial de seus dentes originais, incisivos e caninos, por peças sintéticas ou de porcelana.

Lee Seu-ji - que também se submeteu a esta cirurgia, "a mais dolorosa de todas" -, atualmente posa em todas as fotos com um amplo sorriso.

A jovem confessa que antes seu sorriso gerava certo incômodo, assim como seus olhos pequenos e seu nariz chato, características que "felizmente", celebra Lee, foram alterados à base de bisturi.

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