Passarelas apontam para mulheres grandes

Passarelas apontam para mulheres grandes

Atualizado: Sexta-feira, 12 Março de 2010 as 12

Finalizadas as semanas de moda internacional para a temporada outono-inverno, em que as tendências foram do tricô às peles, passando por casacos e casaquetos, além de saias curtas, transparências e rendas, um dos principais movimentos que começa a se manter no ar é o retorno de roupas para mulheres normais, com curvas e corpo mais farto que as modelos magérrimas.

A moda parece estar respirando isso há alguns meses. Primeiro foi o pessoal de vanguarda, como o estilista canadense Mark Fast, que colocou modelos em tamanho grande desfilando junto com meninas menores na passarela, em setembro de 2009, na Semana de Moda de Londres. "A revista V também fez um editorial com modelos maiores. A partir disso, as publicações mais populares também começaram a fazer", disse a consultora de moda e empresária Costanza Pascolato.

Em setembro, a Glamour colocou Lizzie Miller na capa, modelo fora dos padrões, e depois publicou um editorial com mulheres de tamanho maior. Em fevereiro, Lara Stone, de seios grandes e dentes separados e que já foi considerada fora do manequim ideal, conquistou o posto de top número 1 da moda pelo site Models.com, desbancando a brasileira Raquel Zimmermann.

Em fevereiro, Fast repetiu a dose para os desfiles de inverno de 2010, com suas roupas justas e de malha sendo desfiladas em modelos grandes, como a estudante Hayley Morley, de 21 anos, com manequim correspondente ao 48 no Brasil, e a já famosa Crystal Renn, que também desfila para a italiana Elena Mirò, especialista em tamanhos G e GG, grife que abre os desfiles de Milão há algumas temporadas.

Pois bem, ainda que sem usar um casting grande, como os estilistas acima, alguns desfiles da temporada de inverno 2010/2011 apresentaram roupas para mulheres, digamos, normais e com curvas, dentro de uma onda retrô, que busca exatamente o visual dos anos 1950 e 1960, quando o padrão de beleza ainda não era a magreza total.

Miuccia Prada apresentou tricôs, casacos e vestidos que podem muito bem ser usados pelas mulheres acima das medias ou com curvas, tipo violão, como foi o visual mostrado nesta quarta-feira por Louis Vuitton. Mesmo que venda mais bolsas que roupas, o recado foi passado. No casting de ambas, angels da Victoria's Secret, como a brasileira Alessandra Ambrosio. E na Louis Vuitton, também modelos dos anos 1990, como Laetitia Casta e Elle Macpherson.

"Hoje, o mercado de luxo, que sempre achou que gorda não era chique, tem feito roupa para mulheres maiores. Perceberam que há um número grande de consumidoras com manequim que chegam até o 46, pelo menos", afirmou Costanza. "Mas não acredito que cheguem a fazer peças de tamanho 50." Com certeza, não há como não perceber que as mulheres, mesmo as adolescentes, têm apresentado peso maior que as gerações anteriores.

A preocupação das marcas talvez não seja com a saúde desse pessoal, como há um movimento no mundo da moda para se discutir a questão, mas com a conquista de uma clientela com contas bancárias polpudas e ponteiros da balança avançados. A crise que estourou em setembro de 2008 fez tais marcas voltarem seus olhos para esse público. De qualquer forma, o mundo agradece o fato de não só as esquálidas pisarem as passarelas mundiais.

Por Rosângela Espinossi

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