Plástica inadequada pode causar embolia, sangramento e morte

Plástica inadequada pode causar embolia, sangramento e morte

Atualizado: Segunda-feira, 19 Dezembro de 2011 as 2:04

O desejo de se encaixar nos padrões de beleza da sociedade tem levado muitas mulheres a cometer verdadeiras loucuras em busca do corpo perfeito. Nos últimos anos, algo que tem chamado a atenção das autoridades: o fato de que muitas procuram estabelecimentos não credenciados, até mesmo em outros países e em péssimas condições, para realizar os mais diferentes procedimentos. 

Fora do Brasil, os destinos mais comuns são Bolívia, Paraguai e Argentina, mas mesmo do lado de cá da fronteira, muitos ainda se disfarçam de médicos e vendem barato promessas e ilusões às mulheres. O problema é que tem gente, geralmente desinformada, que não sabe os riscos de se realizar um procedimento sem o devido acompanhamento. Afinal, esse tipo de prática pode deixar cicatrizes grosseiras e traumas físicos, além de, em casos muito severos, e não tão raros, a morte.

“Uma das complicações causadas por um procedimento mal feito é a embolia pulmonar, além de sangramentos durante a cirurgia. Essas duas situações podem levar a paciente à morte se não houver uma equipe preparada e um hospital com a estrutura adequada”, explica o Dr. Alan Landecker, membro titular e especialista em Cirurgia Plástica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Ele ressalta, ainda, que independentemente do país, maus profissionais estão em toda a parte, e cabe à paciente avaliar se vale a pena pagar mais barato em uma cirurgia e por a vida em risco.

Como escolher o médico Uma das dicas para se escolher uma clínica, segundo o Dr. Carlos Alberto Komatsu, cirurgião plástico e presidente da sucursal São Paulo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), é avaliar o destaque que o estabelecimento dá ao médico. “Claro que não são todos os casos, mas quando a paciente entra em um site e encontra várias promoções e nenhuma informação sobre o médico, ela pode suspeitar que algo esteja estranho”, afirma. 

Fazer esse tipo de intervenção cirúrgica não é barato, portanto, desconfie de valores muito abaixo do mercado. Muitas vezes, para conseguir um valor menor, esses maus profissionais abrem mão qualidade dos materiais e da infraestrutura adequada. Além disso, as cirurgias são realizadas em clínicas e, portanto, não têm UTI para receber as pacientes, caso haja alguma complicação. 

O pré-operatório também é muito importante. Solicitar exames para saber o real estado de saúde das pacientes é uma das formas de se evitar futuras complicações. “É nesse momento que vamos descobrir se existe algo que possa comprometer o resultado. E é também a hora de o médico ‘frear’ a paciente. Impor os limites cirúrgicos, já que elas chegam e querem fazer tudo de uma vez”, explica Dr. Alan.

É importante ainda que seu médico esteja o mais próximo o possível para o caso de complicações e também para acompanhar o pós-operatório. “A paciente deve ser acompanhada com frequência por pelo menos duas semanas após a cirurgia, e depois mais esporadicamente”, afirma Dr. Alan.

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