Pompoarismo: a ginástica pélvica

Pompoarismo: a ginástica pélvica

Atualizado: Sexta-feira, 10 Dezembro de 2010 as 12:42

Que atividade física faz bem para o corpo e para a mente todo mundo sabe. O que pouca gente sabe é que existem exercícios que prometem melhorar - e muito - a sua vida sexual e, de quebra, dar maior tônus à região pélvica: o chamado pompoarismo. Apesar de seus benefícios estarem quase sempre associados ao sexo, esse tipo de ginástica faz muito mais pelo nosso bem-estar. Problemas de incontinência urinária, prolapso uterino e até ejaculação precoce podem ser evitados com a prática.

De origem oriental, o pompoarismo consiste em movimentos que estimulam os músculos da pelve. "O diafragma pélvico é o mais trabalhado. Mas os músculos perineais, abdominais e até alguns dos membros superiores são exercitados. Isto porque os músculos atuam em conjunto", explica o ginecologista José Carlos Conceição, do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ. A musculatura pélvica, por sua vez, é responsável pela manutenção e preservação anatômica e funcional dos órgãos desta região. "As funções urinária, intestinal e sexual são mantidas em melhor funcionalidade quando a musculatura é mais forte", acrescenta o especialista.

A inconsciência vaginal da mulher ocidental, diz a professora de Pompoarte Regina Racco, é o que deveria motivar a ala feminina a buscar aulas de ginástica íntima. "Sem o treino, a mulher perde o tônus muscular muito rápido. Essa perda pode gerar atrofia, prolapso uterino, incontinência urinária e fecal, entre outros problemas. Ao dar início aos exercícios, a mulher sente como se rejuvenescesse 20 anos em relação à sua sexualidade e à saúde íntima. Na pós-menopausa também é excelente para combater o ressecamento vaginal", conta.

Com 25 anos de profissão, Regina é considerada a professora mais experiente de ginástica íntima no Brasil e revela que aprendeu os primeiros movimentos com a avó. "Na opinião dela era algo que toda mulher deveria saber. Mas o que ela me passou não tinha nada de sexual, até porque eu tinha 14 anos na época. Os movimentos eram uma prevenção para o momento do parto que, na década de 60, era um episódio cercado de medos e terrores", lembra.

A partir do interesse inicial, Regina buscou mais conhecimento e acabou se especializando na área ao detectar que a maioria de suas amigas nunca tinham ouvido falar do tal exercício pélvico. "Ao longo da minha vida fui buscando coisas nárea. Quando descobri que pouquíssimas mulheres tinham esse conhecimento e que a mulher ocidental tinha dificuldade em fazer os movimentos resolvi começar a ensinar. Muitas mulheres conhecem o pompoarismo, se interessam, mas não conseguem fazer devido à falta de conforto com a região genital", explica.

A vida sexual, continua a especialista, é beneficiada pelo aumento do prazer próprio e do parceiro durante a relação. "É como se a mulher se redescobrisse. Ou, em alguns casos, se descobrisse pela primeira vez. O homem sente uma diferença muito grande da mulher que tem um canal trabalhado. É como um retorno à juventude", compara.

Por outro lado, Conceição explica que o pompoarismo não vai obrigatoriamente modificar o prazer sexual do casal. "Estando a musculatura pélvica fortalecida, a tendência é que as condições anatômicas e funcionais para a atividade sexual se preservem. É possível que a contração muscular durante o coito provoque ou contribua para estímulos eróticos. Mas essas questões são muito individuais e a vida sexual não depende apenas da musculatura pélvica", ressalta.

A ginástica íntima, de acordo com Racco, se baseia em contrações no terço médio do canal vaginal. "Você esquece o canal como um todo e trabalha apenas esse ponto. Essa musculatura aumenta a libido e o prazer durante o sexo", conta. No ato sexual, pontua a professora, não é necessário realizar os movimentos do pompoarismo. "A mulher precisa relaxar nesse momento e não se preocupar com o que ela deve ou não fazer. É a musculatura forte que aumenta a libido. A autoestima também é muito beneficiada pelas aulas, já que ao pensar na própria sexualidade a mulher se torna mais confiante", diz.

O parto normal também pode ser facilitado pela musculatura que é estimulada pela ginástica pélvica. "As boas condições dessa região podem facilitar a progressão do feto pelo trajeto pélvico, além de facilitar a prensa abdominal no momento da expulsão", justifica Conceição. Apesar de ainda não haver comprovações científicas, o ginecologista acredita que a atividade também pode ser solução para a frigidez feminina. "Não há comprovação científica de que apenas a ginástica possa trazer esses benefícios. Entretanto, pode fazer parte de um conjunto de recursos para alcançar benefícios", pondera.

O pompoarismo não é exclusividade feminina. Homens também podem realizar as aulas. "O treinamento masculino tem como objetivo aumentar o tempo entre a excitação e a ejaculação. Este é um ótimo exercício para quem sofre de ejaculação precoce, que é algo que traz muito sofrimento para um casal. Quando o homem começa a fazer o treinamento, ele descobre que é o senhor das próprias sensações. Ele vê que pode ter orgasmo sem ejaculação, o que aumenta o prazer sexual tanto dele quanto o da mulher", compara Racco. Os treinos masculinos são realizados a partir de contrações e manipulações, enquanto os femininos podem fazer uso de alguns acessórios específicos que estimulam a força contrátil.

A ginástica pélvica pode ser praticada por qualquer pessoa que já tenha completado o desenvolvimento ósseo-muscular. Os exercícios, segundo a professora, devem ser feitos diariamente durante dois meses. Após esse período, a prática deve ser de três vezes por semana.

O Bolsa de Mulher pediu que a professora Regina Racco, do centro Pompoarte, ensinasse alguns exercícios básicos que homens e mulheres podem fazer em casa. Teste, aprenda e aproveite:

Mulheres

1º exercício básico: Sente-se em uma cadeira (evite as poltronas). A coluna deve permanecer ligeiramente inclinada para frente, sem causar desconforto. Coloque as mãos nos joelhos e deixe os pés paralelos e ligeiramente separados. Inspire contraindo os músculos da vagina, de forma elevatória - como se puxasse algo -, conte até 30 e relaxe expirando. Repita esse exercício por 3 a 5 vezes ou por até cinco minutos.

2º exercício básico: Em pé, contraia e relaxe a musculatura da vagina, como se estivesse pulsando, repita 30 pulsações rápidas e relaxe.

Esses são exercícios fáceis, que irão tonificar a musculatura vaginal. Já na primeira semana, você perceberá maior sensibilidade. Continuando os exercícios, sua musculatura se fortalecerá.

Homens

Para os homens, entender como deve ser realizada a contração pode ser mais difícil. Portanto, indico que, duas vezes ao dia, quando forem urinar, segurem o jato, contenham até dez e soltem. Façam três repetições apenas por vez. Os músculos capazes de segurar o jato urinário (PC) são os mesmos que seguram a ejaculação. Depois de um tempo, já será possível efetuar este movimento fora da hora do xixi. Prestar atenção na região pélvica é fundamental para entender o processo. Homens podem contrair tanto quanto as mulheres, imaginando que estão sugando algo com o pênis.

Uma vez conquistado o movimento, contraia rapidamente 30 vezes. Descanse. Repita três vezes. O exercício aumenta a irrigação sanguínea e a resposta erógena. Faça contrações lentas, também 30 vezes e descanse. Alterne uma e outra.

Para as manipulações, use óleo ou talco. Alterne os movimentos: da ponta do pênis até a base, da base até a ponta do pênis. Não use força. Faça movimentos repetitivos durante três minutos. Resultado: aumento da resistência, ampliando assim o tempo entre excitação e ejaculação.

Alguns alunos aplicados poderão chegar mesmo a dissociar orgasmo de ejaculação, estando assim preparados para se relacionar durante horas, usufruindo de orgasmos secos e ejaculando quando quiser.

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