Saiba como deixar as cicatrizes de uma plástica menos aparentes

Saiba como deixar as cicatrizes de uma plástica menos aparentes

Atualizado: Segunda-feira, 3 Agosto de 2009 as 12

Todo corte, cirurgia ou intervenção deixa uma cicatriz. Afinal, este processo faz parte da recuperação e reconstituição do tecido que passou por um corte e posterior sutura. De acordo com o cirurgião plástico Alexandre Piassi Passos, vários trabalhos estudam o processo cicatricial e buscam melhorar suas consequências. "O ideal de todo cirurgião plástico seria poder operar, esculpir e modelar sem deixar qualquer cicatriz, o que obviamente não é possível", diz. "Habitualmente não há como prever como ficará a cicatriz após a cirurgia. Isso, porque o mesmo paciente pode apresentar cicatrizes patológicas em algumas partes do corpo e, em outras não", adverte.

Segundo Passos, existem dois tipos principais de cicatrizes patológicas: hipertrófica e queloidiana. A hipertrófica fica mais espessa que o normal, é limitada à incisão e normalmente é assintomática, ou seja, não causa dor, ardor ou coceiras. Já a queloidiana, além de grossa, tem aspecto nodular, semelhante a um tumor, geralmente foge aos limites da incisão e pode apresentar sintomas incômodos.

O cirurgião alerta: "Durante muito tempo, falou-se em testes para verificar propensão ao quelóide realizando-se um corte num local oculto, atrás da orelha, por exemplo. Porém constatou-se que o teste é falível, já que a mesma pessoa pode apresentar queloide numa região e em outra não". Passos acrescenta: "Algumas teorias alertam para incisões e suturas posicionadas em locais onde há mais glândulas sebáceas - como é o caso das incisões nas regiões do esterno (osso do tórax)".

Cuidados antes e depois - Na avaliação de Passos, a recuperação depende tanto do médico quanto do paciente. O médico tem de ter o máximo cuidado ao tratar da cicatriz, desde a localização da mesma - que, preferencialmente, devem estar camufladas ou escondidas - passando pela tensão dos tecidos. "O mesmo cuidado deve ser tomado no procedimento de sutura e no pós-operatório", diz."Após uma cirurgia plástica, o período de repouso, sem grande esforços físicos e sem exposição ao sol, são fundamentais para a qualidade da cicatriz, principalmente se for a parte do corpo de grande movimentação, como braços e pernas, além claro da oclusão com micropores, curativos com gel ou silicone e outros por cerca de dois meses".

Dr. Passos explica que quem tem pele "melanodérmica", ou seja, mais escura - como negros, mulatos e também os descendentes de orientais - tende a apresentar mais propensão à cicatriz de má qualidade, seja queloidiana ou hipertrófica: "Num país como o nosso, com miscigenação muito grande, a tendência é generalizada". O cirurgião afirma que o processo cicatricial independe da idade ou do sexo, embora em crianças de 4 ou 5 anos - que por vezes precisam passar por cirurgias reparadoras - observa-se que a cicatriz praticamente desaparece com o tempo. "O mesmo ocorre com pessoas acima de 70 anos, que habitualmente apresentam uma cicatrização melhor do que a de jovens", salienta.

Existem soluções para amenizar cicatrizes de má aparência deixadas após uma cirurgia plástica. Passos explica: "Após mais ou menos um ano, já é possível ver como ficará a cicatriz. Portanto, pode-se indicar o tratamento para as cicatrizes patológicas. Atualmente o mais indicado é a retirada cirúrgica das cicatrizes associada à radioterapia superficial adjuvante".

Sobre Alexandre Piassi Passos

É cirurgião plástico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. É membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Atua em sua própria clínica - a Clínica Passos de Cirurgia Plástica - e também pertence ao corpo clínico de hospitais como Sírio Libanês, Oswaldo Cruz e Albert Einstein. Tem trabalhos publicados em periódicos nacionais e internacionais e é autor e coautor de capítulos em livros científicos.

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